Setor metalmecânico de Patos de Minas e região enfrenta dificuldades
O polo metalmecânico de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, passa por um momento negativo. As empresas são altamente dependentes do agronegócio, que também enfrenta um cenário adverso, o que afeta a demanda. Pesam ainda sobre a situação os juros elevados no País e a escassez de mão de obra, considerada o principal gargalo do setor.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Patos de Minas (Sindimetal), Márcio Antunes Filgueira Júnior, explica que a maioria das empresas do polo presta serviços ou fornece produtos para o agronegócio da região, setor que representa grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) local.
De acordo com ele, já há algum tempo, o agronegócio tem enfrentado problemas e, consequentemente, demandando menos do polo. As adversidades incluem, por exemplo, alta nos custos operacionais e logísticos, inclusive, intensificada atualmente pela guerra no Oriente Médio, e, principalmente, queda brusca nos preços das commodities.
Patos de Minas possui uma das maiores bacias leiteiras do Brasil, é reconhecida como a “Capital Nacional do Milho” e tem forte produção de soja, algodão e café. No entanto, dentre esses produtos, apenas o último está em alta nos últimos tempos, minimizando impactos negativos no agronegócio e, por reflexo, no polo metalmecânico. “É o que, às vezes, está conseguindo segurar um pouco o mercado aqui na região”, ressalta Júnior.
Em relação aos juros altos, o presidente do Sindimetal salienta que os financiamentos são parte crucial da dinâmica operacional do agronegócio. Com a taxa Selic nas alturas, os produtores sofrem e, na ponta, o polo também, já que a demanda diminui. Adicionalmente, os próprios investimentos das empresas do setor metalmecânico ficam represados.
No início do ano, havia otimismo entre os empresários do polo para uma importante redução na Selic até dezembro. Entretanto, neste momento, com os conflitos no Oriente Médio acontecendo, o cenário é de incerteza, segundo Júnior.
Já no que diz respeito à falta de trabalhadores, ele considera o problema como o maior dificultador para o crescimento do polo. Para o presidente do Sindimetal, o gargalo está associado a uma série de fatores, incluindo os programas governamentais de assistência social, como o Bolsa Família, que desmotivam pessoas a buscarem trabalho para que não percam benefícios, e o desinteresse de jovens por certos tipos de empregos.
Missão à China com foco em inovação, tecnologia e competitividade
Conforme Júnior, a escassez de mão de obra tem motivado o polo metalmecânico a buscar automação e robotização, algo que ainda não acontecia tanto. Este, inclusive, é um dos objetivos do sindicato promover uma missão à China, entre os dias 12 e 26 deste mês, com apoio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Ao todo, 13 empresários do polo, representando dez empresas de Patos de Minas, Patrocínio e Carmo do Paranaíba, vão viajar para o país asiático. A iniciativa visa ampliar a competitividade das companhias participantes por meio do acesso a tendências globais, novas tecnologias e oportunidades de parcerias comerciais.
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