Preço do petróleo encerra semana em queda à espera de negociações no Oriente Médio
São Paulo e Pelotas – O preço do petróleo, que chegou a ultrapassar os US$ 98 durante a manhã, mudou de direção durante a tarde e fechou em queda na sexta-feira (10), com os investidores aguardando a primeira reunião entre Estados Unidos e Irã marcada para este sábado (11) no Paquistão.
Na máxima diária do contrato de junho do barril Brent, referência mundial, o valor subiu a US$ 98,24. Depois da alta, preço rondou a estabilidade por um tempo até voltar a cair, fechando a US$ 94,33, queda de 1,66%.
Na terça-feira (7), preço do petróleo havia despencado em resposta ao anúncio do cessar-fogo no Irã. Nos dois pregões seguintes, o preço voltou a subir com as incertezas sobre o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás. Com a nova queda desta sexta, o Brent acumula queda semanal de 13,48%.
O barril West Texas Intermediate (WTI), usado nos EUA, se comportou de forma similar nesta sexta: subiu, chegando a ultrapassar os três dígitos, reduziu ao patamar de abertura, mas fechou em queda de 1,33%, negociado a US$ 96,57. O valor é para o contrato de maio, que é o mais negociado no caso do WTI.
O WTI, que acompanhou o movimento do Brent após o anúncio do cessar-fogo no Irã, acumulou perda semanal de 13,42%.
Mesmo após a trégua, que trazia esperanças de uma reabertura do estreito de Hormuz, o tráfego pela passagem permaneceu em menos de 10% dos volumes normais, pois Teerã advertiu os navios a manterem-se em suas águas territoriais. A maioria dos navios que navegaram pelo estreito no último dia estava ligada ao Irã, segundo dados de rastreamento de navios mostrados nesta sexta.
Na noite de quinta (9), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã está “fazendo um trabalho muito ruim” sobre a passagem de petróleo pelo estreito, sem entrar em detalhes.
“A principal questão para o mercado de petróleo é se o tráfego de navios pelo estreito de Hormuz será retomado. Até o momento, não há sinais de que isso vá acontecer. Se o fornecimento de petróleo do golfo Pérsico continuar bloqueado, é provável que os preços do petróleo subam novamente”, disseram analistas do Commerzbank em uma nota nesta sexta.
Além da reunião entre EUA e Irã no final de semana, também é esperado um debate entre autoridades de Israel e Líbano. Os israelenses contestam a inclusão do Líbano no cessar-fogo, enquanto o regime iraniano alega que essa foi uma das dez condições estabelecidas no acordo anunciado na terça. O Paquistão, que intermediou as negociações, confirma a versão do Irã.
Bolsas sobrem no mundo
As Bolsas registraram alta nesta sexta-feira, com a Bolsa de Xangai fechando a semana com ganho pela primeira vez desde o início da guerra em 28 de fevereiro. O índice SSEC terminou o dia com valorização de 0,51%, encerrando a semana com ganho de 2,74%. Já o CSI300, que reúne as principais companhias em Xangai e Shenzhen, subiu 4,41% na semana e 1,54% na sexta-feira.
Os outros mercados asiáticos também se valorizaram no dia, como foi o caso de Tóquio (1,84%), Hong Kong (0,55%), Seul (1,4%) e Taiwan (1,6%).
Na Europa, o índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, também fechou em alta de 0,4%, o que foi repetido em Paris (0,17%), Madri (0,55%) e Milão (0,59%). Já as Bolsas de Frankfurt e Londres tiveram queda de 0,01% e 0,03%, respectivamente.
Já as Bolsas dos EUA fecharam em direções distintas, mas ainda próximas a estabilidade. Os índices de Dow Jones e S&P 500 caíram 0,52% e 0,12%, respectivamente, enquanto a Nasdaq registrava alta de 0,35%.
“Os mercados passaram de uma atitude baseada no medo para um otimismo orientado para o futuro”, avaliou Stephen Innes, da SPI Asset Management.
O ouro, considerado um valor de refúgio diante das incertezas geopolíticas, fechou em queda de 0,64%, negociado a US$ 4.787,40 a onça.
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