Economia

Rodoanel: obras podem começar no segundo semestre deste ano

Licenciamento ambiental e impasse com quilombolas atrasaram o cronograma inicial, mas expectativa é de avanço
Rodoanel: obras podem começar no segundo semestre deste ano
Foto: Reprodução DER-MG

O Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, uma das obras de infraestrutura mais aguardadas de Minas Gerais, pode sair do papel no segundo semestre deste ano. A intervenção, que estava prevista para iniciar em outubro do ano passado, enfrenta um entrave no licenciamento ambiental e precisou ser judicializada.

As informações foram detalhadas pelo secretário de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, Pedro Bruno, durante reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Ele destaca que, apesar da resistência inicial por parte prefeitura de Contagem quanto ao traçado, atualmente não há um entrave político limitando o andamento das obras. O impedimento, no entanto, está atrelado a uma solicitação da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que alegou impactos em seis territórios.

Segundo o secretário, a judicialização acabou atrasando o cronograma original, e, desde então, foi instaurado um processo conciliatório. “Algumas audiências já foram realizadas, mas ainda sem sucesso. Uma nova audiência está prevista para o fim de março e esperamos chegar a um entendimento. Caso isso não ocorra, aguardamos uma decisão judicial”, explica.

Superada a divergência e com a obtenção de licenças prévias e de instalação, as obras serão definitivamente iniciadas. “Nossa expectativa, com uma decisão favorável, é iniciar as obras já no segundo semestre deste ano”, pontua Pedro Bruno.

O Rodoanel terá cerca de 70 quilômetros (km) e passará por oito municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Contagem, Betim, Santa Luzia e Ribeirão das Neves. O investimento total é de R$ 5 bilhões: sendo R$ 3 bilhões do acordo de reparação de Brumadinho e R$ 2 bilhões da concessionária.

Rodoanel promete impulsionar mobilidade e economia regional

O evento realizado na Fiemg, denominado “Reunião do Fórum Emprego e Renda” debateu nesta quarta-feira, (11), o projeto do Rodoanel na Grande BH junto aos representantes do setor produtivo, do governo de Minas e dos trabalhadores. O objetivo é discutir as diretrizes, impactos e a visão estratégica do Estado sobre o projeto.

Presente na reunião, o gerente de Engenharia do Rodoanel BH, Thiago Valandro, explica que a ideia é iniciar as obras a partir de diferentes frentes simultâneas, priorizando intervenções morosas como pontes e viadutos extensos, drenagens relevantes e terraplenagens com alto volume de esvacação. Segundo ele, os trechos mais próximas de locais povoados exigirão atenção redobrada, entretanto, não haverá necessidade de realocar nenhuma das seis comunidades quilombolas nas proximidades do traçado.

“Assim que obtivermos o licenciamento ambiental, poderemos iniciar integralmente as obras. As desapropriações já estão em fase de avaliação e emissão de laudos, e os projetos se encontram em estágio avançado”, destaca o gestor.

O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, pontua que a concretização do Rodoanel tem potencial de viabilizar a atração de investimentos no eixo metropolitano, bem como manter aqueles já existentes. “Quando o Rodoanel foi anunciado, uma das maiores indústrias da região chegou a sinalizar que poderia transferir a planta caso o projeto não saísse do papel”.

Estudos divulgados pelos responsáveis pelo projeto apontam que a obra poderá reduzir o tempo de viagem entre 30 e 50 minutos, tanto para a mobilidade urbana quanto para o transporte de cargas. A expectativa é que o Rodoanel retire cerca de 5 mil caminhões do tráfego na área urbana de Belo Horizonte.

Do ponto de vista econômico, a a nova estrutura viária poderá elevar entre 7% a 13% o Produto Interno Bruto (PIB) da região em dez anos, além do crescimento da produção entre 0,8% e 1,3% no mesmo período. Também está prevista a geração de 10 mil empregos durante a implantação, além da expansão e desenvolvimento das cidades próximas ao Rodoanel.

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