Comércio derruba saldo e Minas Gerais tem pior resultado de empregos do ano em julho

Comércio também puxa queda no acumulado de 2026, revertendo saldo positivo dos outros setores
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Comércio derruba saldo e Minas Gerais tem pior resultado de empregos do ano em julho
Foto: Arquivo/ Diário do Comércio/ Alessandro Carvalho

Minas Gerais teve saldo positivo de 5.199 empregos com carteira assinada em julho. Foi o pior resultado do ano, embora represente alta de 51,9% ante o mesmo período de 2025. Único setor com déficit no mês, o comércio fechou 650 vagas, puxando o total para baixo.

No acumulado desde janeiro, o Estado apresentou superávit de 113.981 empregos, mas o resultado caiu 25,3% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O comércio também foi o único setor deficitário, com o fechamento de 2.281 vagas.

Quanto aos setores que foram superavitários, os resultados foram os seguintes:

  • Construção: 3.337 vagas em julho; 21.605 no acumulado
  • Agropecuária: 1.323 vagas em julho; 31.499 no acumulado
  • Serviços: 776 vagas em julho; 46.357 no acumulado
  • Indústria: 412 vagas em julho; 16.806 no acumulado

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Leia também: Serviços respondem por mais da metade dos empregos gerados em Minas Gerais em junho

Juros altos e perda de poder de compra das famílias impactam setor

De acordo com o Caged, o saldo negativo do comércio em Minas Gerais decorreu principalmente da perda de empregos no varejo. O comércio varejista registrou déficit de 533 vagas em julho e de 6.085 no acumulado desde janeiro.

Segundo a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Fernanda Gonçalves, uma série de fatores tem impactado os varejistas, refletindo na geração de empregos.

Ela explica que o comércio depende fortemente do financiamento ao consumo, e as taxas de juros elevadas diminuem a disposição das famílias para compras parceladas, especialmente de bens duráveis e semiduráveis, ao mesmo tempo em que aumentam os custos financeiros das empresas. Com isso, a tendência é que diversos varejistas adotem uma postura mais defensiva, reduzindo investimentos e ajustando o quadro de pessoal.

A economista pontua sobre a perda de poder de compra das famílias, com os preços ainda elevados para vários itens essenciais, como alimentação, habitação e serviços básicos, consumindo uma parcela significativa da renda familiar. Ou seja, sobra menos espaço para os gastos discricionários, aqueles que sustentam parte do comércio varejista, além de implicar em uma mudança estrutural dos hábitos de consumo.

Disputa com comércio eletrônico e acomodação do mercado

Conforme Fernanda Gonçalves, o avanço do comércio eletrônico e das plataformas digitais também continua pressionando o varejo tradicional. As empresas que não conseguem se adaptar às exigências da modalidade, à logística e à competitividade de preço enfrentam maior dificuldade para enfrentar as margens e manter os níveis de emprego.

Ainda de acordo com a economista, quando se observa ciclos anteriores, parte do resultado do comércio em 2026 pode refletir uma acomodação do mercado após um período de expansão. Por exemplo, em julho de 2025, o setor teve saldo positivo de mais de 2.000 empregos, uma base de comparação elevada, que tende a acentuar a percepção de enfraquecimento quando a atividade perde dinamismo.

Desempenho do comércio acende alerta, mas sazonalidade pode ajudar

Fernanda Gonçalves afirma que o desempenho do comércio acende um alerta e merece ser acompanhado de perto, já que o setor representa 21% do estoque de empregos formais em Minas Gerais. A economista ressalta, entretanto, que não é possível concluir que o resultado no restante do ano necessariamente será negativo.

“Historicamente, o comércio é fortemente influenciado pela sazonalidade no segundo semestre, especialmente por eventos como Dia das Crianças, Black Friday e Natal, que costumam estimular contratações temporárias e reforçar vendas”, diz.

“Por outro lado, caso a política monetária permaneça restritiva e o consumo das famílias siga pressionado, essa recuperação tende a ocorrer de forma mais limitada do que nos anos anteriores. O setor pode até voltar a gerar vagas nos últimos meses do ano, mas com intensidade inferior à observada em períodos de maior expansão econômica”, pondera.

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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