Setor de serviços cresce 0,8% em Minas Gerais em agosto, mas acumula queda no ano
O volume de serviços em Minas Gerais cresceu 0,8% em agosto de 2026, na comparação com julho, enquanto o resultado nacional ficou praticamente estável, com queda de 0,1%. Em relação a agosto de 2025, o setor mineiro avançou 2,5%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além de Minas Gerais, outros 11 estados e o Distrito Federal registraram crescimento no volume de serviços em agosto, na comparação com julho. Apesar disso, o resultado nacional apresentou leve queda de 0,1%. Entre as unidades da Federação que contribuíram negativamente para o índice, destacaram-se Bahia (-4,8%), Espírito Santo (-4,5%), Ceará (-3,1%), São Paulo (-0,1%) e Mato Grosso (-2,3%). Em contrapartida, o Distrito Federal (3,7%) apresentou a principal contribuição positiva, seguido por Minas Gerais (0,8%), Paraná (1%) e Rio de Janeiro (0,5%).
Em Minas Gerais, na comparação com agosto de 2025, os serviços de informação e comunicação registraram alta de 6,5%, exercendo a maior influência positiva sobre o resultado. Também avançaram as atividades classificadas como outros serviços (4,6%), os serviços profissionais, administrativos e complementares (3,1%) e os serviços prestados às famílias (2,2%). Em contrapartida, os serviços de transportes e correios foram os únicos a registrar queda, de 0,6%.
A economista do Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio-MG, Fernanda Gonçalves, avalia que Minas Gerais passa por um momento de recuperação do setor de serviços. “O avanço do mês de agosto de 2,5% em relação a agosto do ano passado, por exemplo, é o maior desde 2024, nessa base de comparação”, diz.
O economista da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG), Vinícius Carlos Silva, destaca a diversificação da economia mineira como um fator favorável ao setor de serviços. “Temos uma base forte na mineração, no agronegócio, na indústria de transformação, no comércio e todas essas atividades demandam por serviços”, diz.
Segundo Silva, a diversificação mostra que a economia mineira não depende apenas do consumo das famílias, uma vez que diferentes atividades produtivas também impulsionam a demanda por serviços.
Fernanda Gonçalves destaca, no entanto, que, apesar dos resultados positivos nas comparações mensal e anual, Minas Gerais ainda acumula retração no volume de serviços em 2026. “Minas começou o ano muito fraco, em fevereiro o acumulado chegou a -2,5%, mas o resultado foi reduzindo mês a mês”, diz.
De janeiro a agosto de 2026, o volume de serviços em Minas Gerais acumula queda de 0,1%, enquanto o Brasil registra alta de 1,7%. No Estado, o segmento de transportes apresentou o principal resultado negativo (-2,8%). Em contrapartida, outros serviços (5,4%) e serviços de informação e comunicação (4,3%) registraram crescimento.
Para o economista da FCDL-MG, o setor de serviços está em recuperação, mas o avanço recente ainda não foi suficiente para compensar as perdas registradas nos primeiros meses de 2026. “Então, a trajetória atual parece muito melhor do que a observada no início do ano. Se mantivermos auferindo resultados positivos, podemos ter um ciclo melhor no acumulado no fim do ano”, avalia.
Para que a recuperação se consolide, a economista da Fecomércio-MG ressalta a necessidade de atenção ao segmento de transportes e aos serviços prestados às empresas. “É uma atividade com peso muito elevado e merece atenção”, diz.
Atividades turísticas acumulam queda de 3% em Minas até agosto
No índice de atividades turísticas, Minas Gerais acumula queda de 3% entre janeiro e agosto de 2026 e aparece entre os estados que mais contribuíram para a retração de 0,8% registrada no País. Segundo os dados apresentados, as principais contribuições negativas vieram de São Paulo (-1,1%), Paraná (-5,9%), Pernambuco (-8,2%), Minas Gerais (-3%) e Ceará (-8,5%), nessa ordem de impacto.
Diante desse cenário, o economista da FCDL-MG defende a adoção de políticas regionais para fortalecer o turismo e aproveitar melhor o potencial de Minas Gerais. “Nós temos um potencial forte e ele precisa ser melhor trabalhado para atrair o turista”, afirma.
Para Silva, é necessário ampliar a divulgação dos atrativos turísticos de Minas Gerais e buscar alternativas para reduzir os custos relacionados à atividade. “Isso é uma estratégia para dinamizar e fortalecer a questão do serviço como um todo”, avalia.
Apesar da queda acumulada no ano, o volume de atividades turísticas em Minas Gerais cresceu 3,2% em agosto, na comparação com julho, e 6,6% em relação ao mesmo mês de 2025. Segundo Silva, o avanço foi impulsionado pelo turismo doméstico regional. “Com passagens e hotéis caros, o orçamento aperta e a primeira despesa que vai ser cortada ali é a despesa com lazer, viagens e hospedagem, é uma atividade assim muito sensível à renda das famílias”, avalia.
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