Setor de serviços recua 0,9% em Minas Gerais no primeiro semestre

Transportes pressionaram o resultado mineiro, enquanto informação e comunicação tiveram desempenho positivo no período
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Setor de serviços recua 0,9% em Minas Gerais no primeiro semestre
Foto: Reprodução Adobe Stock / monticellllo

O volume do setor de serviços em Minas Gerais apresentou queda de 0,9% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025, ficando abaixo do desempenho nacional, que registrou alta de 2% no semestre. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além do Estado, outras 11 unidades da Federação também tiveram retração no setor. O principal impacto negativo veio do Ceará (-5,1%), seguido por Amazonas (-5,8%), Minas Gerais (-0,9%) e Goiás (-1,6%). Por outro lado, o principal impacto positivo, em termos regionais, ocorreu em São Paulo (4%), seguido por Distrito Federal (9,1%), Mato Grosso (4%), Bahia (1,8%), Santa Catarina (1,3%) e Alagoas (10%).

Em Minas, três das cinco atividades analisadas apresentaram queda no período. A contribuição negativa mais importante veio das atividades de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-3,4%), seguida pelos serviços profissionais, administrativos e complementares (-3,3%). Os serviços prestados às famílias (-1%) também pressionaram o índice para baixo.

Segundo a economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Fernanda Gonçalves, os dados mostram que o setor ainda não conseguiu recuperar plenamente as perdas observadas ao longo do semestre.

Em sentido oposto, a categoria de outros serviços (7%), junto aos serviços de informação e comunicação (3,3%), exerceu as principais influências positivas. Segundo a economista, os índices foram puxados principalmente por serviços financeiros e atividades imobiliárias, como aluguel de moradia ou por temporada. “A alta dos aluguéis influenciou este setor”, diz a especialista.

O setor de informação e comunicação inclui serviços relacionados à internet, desenvolvimento de software, consultoria, suporte e tecnologia da informação. Dessa forma, a economista da Fecomércio-MG não atribui a alta à Copa do Mundo nem às possíveis contratações relacionadas à campanha eleitoral. “Dentro desses segmentos temos em Minas Gerais outros segmentos fortes que acabam contribuindo com esse índice mais acelerado e positivo”, explica.

Considerando os dados de junho, o setor de serviços em Minas Gerais recuou 0,6% em relação a maio, após dois meses de resultados positivos. Junto com Rio Grande do Sul (-2,1%), Distrito Federal (-1,6%), Pará (-3,6%) e Espírito Santo (-2,2%), Minas Gerais foi uma das unidades da Federação que exerceram as principais influências negativas sobre o índice nacional de junho, que ficou estável (0%).

Já na comparação com junho do ano passado, houve alta de 0,7% no setor em Minas, puxada principalmente pelo desempenho das atividades de serviços de informação e comunicação (6,7%).

No Brasil, o crescimento de 2% dos serviços no período analisado (junho 2026 x junho 2025) foi impulsionado principalmente pelos segmentos de informação e comunicação (+9,4%), serviços profissionais, administrativos e complementares (+2,8%) e serviços prestados às famílias (+1,7%).

Já em Minas Gerais, no mesmo período, Fernanda Gonçalves detalha que os destaques positivos ficaram com informação e comunicação (+6,7%) e outros serviços (+1,8%), enquanto o forte recuo dos transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,6%) e a queda dos serviços prestados às famílias (-1,1%) limitaram o desempenho do setor.

“Somada a isso, a composição setorial explica grande parte da diferença entre os resultados estadual e nacional, uma vez que os segmentos mais fragilizados em Minas possuem peso relevante na atividade de serviços do Estado”, avalia.

Ela diz que, quando o setor de transportes apresenta quedas contínuas, o movimento acaba refletindo no ritmo da atividade econômica. “Interfere na logística, nas circulações de mercadorias. Então, até mesmo por ter o maior peso, acabou influenciando de forma negativa e acaba limitando o crescimento”, comenta.

A economista da Fecomércio observa ainda que os resultados da Pesquisa Mensal de Serviços de junho de 2026 mostram que Minas Gerais segue apresentando desempenho inferior ao observado no Brasil, tanto no curto quanto no longo prazos.

Enquanto a forte retração dos transportes e a fraqueza dos serviços prestados às famílias limitaram o crescimento do setor no Estado, a economia nacional foi sustentada por uma expansão mais disseminada entre as atividades.

Expectativa é de crescimento moderado

Para 2026, a expectativa do economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, é de que o setor de serviços mantenha uma trajetória de crescimento moderado. Para ele, o desempenho no primeiro semestre reforça essa perspectiva, com avanço do volume de serviços no País, sustentado, sobretudo, pelas atividades de informação e comunicação. “O mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo à renda e ao crédito devem continuar favorecendo a demanda das famílias ao longo do ano”, avalia.

Esse movimento, contudo, tende a ser limitado, na visão de Pio, pelas condições financeiras ainda restritivas. “Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a Selic permanece em patamar elevado, restringindo o consumo e os investimentos”, pontua.

Além disso, na avaliação do economista da Fiemg, as incertezas no cenário externo e os possíveis efeitos sobre os preços de commodities permanecem como fatores de risco para a atividade. Entre os segmentos, os serviços de informação e comunicação devem permanecer como um dos principais vetores de crescimento, enquanto os transportes seguem como ponto de atenção, diante do desempenho negativo observado no primeiro semestre e da maior sensibilidade do segmento às oscilações dos custos.

Diante desse cenário, Pio mantém a projeção de crescimento de 2,1% para o volume de serviços no Brasil em 2026.

Volume de atividades turísticas cai 5,1% em Minas

Em relação ao índice de atividades turísticas, a queda de 5,1% em Minas foi a que mais impactou a retração nacional de 0,9% no primeiro semestre. Na sequência aparecem São Paulo (-0,9%), Paraná (-5,3%), Pernambuco (-6,8%) e Santa Catarina (-5,3%). As cinco unidades da Federação contribuíram negativamente para o índice.

Em sentido oposto, seis estados não apresentaram perdas. O Rio de Janeiro (5,4%) liderou os ganhos do turismo, seguido por Bahia (3,8%), Espírito Santo (2,6%) e Mato Grosso (3,4%). Rio Grande do Sul (0,1%) e Rio Grande do Norte (0%) registraram resultados próximos da estabilidade ou ficaram estáveis.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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