Sicredi defende ajuste fiscal a partir de 2027, já pensando nas eleições
O economista-chefe do Sicredi, André Nunes de Nunes, defendeu durante a entrevista coletiva à imprensa, de resultado da instituição, nesta terça-feira (3), a necessidade de um ajuste nas contas públicas brasileiras a partir de 2027, independentemente de quem vença as próximas eleições. Para ele, o debate eleitoral precisará enfrentar a questão da responsabilidade fiscal sob pena de aumentar a volatilidade econômica e comprometer a confiança do mercado.
Segundo o economista, o Brasil ainda convive com desafios relevantes, como inflação e mercado de trabalho pressionados, além do problema da dívida pública. Na avaliação dele, parte do mercado entende que o País tem recorrido à inflação como uma forma indireta de lidar com o peso da dívida e dos gastos públicos, estratégia que já teria sido utilizada em outros momentos.
“Existem outras formas de resolver isso. Uma delas é arrecadar mais impostos, mas o Brasil já atingiu, em 2014, a maior relação de carga tributária da sua história, quase 35% do PIB”, afirmou. Diante desse cenário, ele ressalta que a alternativa mais consistente passa pelo controle e corte de gastos.
Eleições e o cenário econômico
Questionado sobre os impactos das eleições no cenário econômico, Nunes defendeu que, independentemente do partido, a postura dos candidatos será determinante para o comportamento do mercado. “Existe a necessidade de um ajuste estrutural nas contas públicas em 2027”, afirmou.
Para ele, a forma como os candidatos tratarão essa necessidade durante a campanha poderá gerar mais ou menos volatilidade no mercado, abrindo ou fechando espaço para a queda da taxa de juros.
Na avaliação do economista, discursos de “negacionismo fiscal”, que minimizem ou ignorem o problema, tendem a provocar instabilidade. “Se a postura for de empurrar o problema para frente, haverá incertezas e o mercado reagirá”, pontuou.
Por outro lado, caso haja percepção mínima sobre a necessidade de ajuste e de responsabilidade fiscal, o cenário pode ser mais favorável do que o atual, inclusive com melhores perspectivas para a política monetária. “Se tiver ali um certo consenso, uma certa consciência, tem espaço para um cenário melhor do que esse que a gente está vendo agora”, concluiu.
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