Tarifa de 10% dos EUA pode reduzir queda de quase US$ 1 bilhão nas exportações de Minas Gerais
A nova tarifa de 10% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode acabar “ajudando” as exportações de Minas Gerais, que registraram queda de US$ 984 milhões entre agosto e dezembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024 (veja dados abaixo).
Os números foram apurados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Essa é a análise de especialistas, que consideram haver chance de melhoria em um cenário em que, até sexta-feira (20), as tarifas eram muito maiores e chegavam a 50% para alguns produtos brasileiros, ambiente modificado após o julgamento da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegal a cobrança feita por Trump.
“As tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado ao Brasil, chegando em alguns casos a praticamente 50% e agora revogadas pela Suprema Corte dos Estados Unidos, fazem com que o Brasil tenha uma perspectiva melhor. Alguns produtos já tinham exceções, mas aproximadamente 25% ainda sofriam com essas tarifas. Agora, com a decisão da Suprema Corte, isso cai. Essa tarifa é inferior aos 50% que muitos produtos haviam enfrentado”, afirma o economista e professor dos cursos de Gestão e Negócios do UniBH, Fernando Sette Júnior.
Taxa de 10% é ‘para todos’, cenário que traz mais competitividade
De acordo com Sette Júnior, as áreas produtivas que mais podem se beneficiar dessa decisão são café, mineração e siderurgia.
“O mercado americano é um grande consumidor de café. Consequentemente, o Brasil tem uma oportunidade maior frente a outros países, já que agora todos estão praticamente em pé de igualdade. O Brasil sai à frente e Minas Gerais também. Quando se observa a área de siderurgia, um ponto importante é que houve impacto significativo da taxação anterior. Com a volta a um cenário mais razoável, o mercado brasileiro tende a ganhar mais espaço nas vendas ao mercado norte-americano”, completa.
Nessa segunda-feira (23), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) se manifestou em linha semelhante. A entidade lembrou que, embora as incertezas tenham se ampliado com a nova taxação, ela pode preservar a competitividade brasileira.
“Para a indústria mineira, a imposição de uma tarifa global de 15%* amplia o cenário de instabilidade e pode impactar produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, afetando o planejamento, os contratos e os investimentos. Ao mesmo tempo, por se tratar de uma medida aplicada de forma uniforme a todos os países, preserva-se a competitividade relativa do Brasil em comparação com outros mercados fornecedores, diferentemente de momentos anteriores, quando tarifas mais elevadas incidiam de maneira mais onerosa sobre o produto brasileiro”, informou a entidade, em nota.
* A taxação iniciou em 10% na sexta-feira (20), subiu para 15% no sábado (21) e foi atualizada pela Casa Branca em 10% nesta terça-feira (24). À data de publicação da nota da Fiemg, na segunda (23), a taxa estava em 15%. O que vale agora, porém, são os 10%.
Mercado dá sinais positivos, com queda do dólar no curto prazo
Embora o cenário seja de incertezas, com novas medidas podendo ser adotadas pelo presidente republicano a qualquer momento, o mercado brasileiro tem reagido de forma favorável às decisões da Suprema Corte. É o que afirma o consultor financeiro e professor da Faculdade Estácio, Alisson Batista.
“Nesse primeiro momento, tende a haver uma reação do mercado que fragiliza o dólar, que fechou em baixa na sexta-feira (20), representando automaticamente um ganho para as exportações. Em relação ao médio e longo prazos, ainda não é possível afirmar. A Suprema Corte tomou a decisão, e é preciso observar como o presidente vai reagir”, diz.
Também na sexta-feira, a Bolsa brasileira subiu, o que, segundo Fernando Sette Júnior, demonstra a confiança de investidores estrangeiros no Brasil.
Mesmo com as mudanças em andamento, Batista complementou que o Brasil e o Estado devem seguir negociando e investindo em outros mercados compradores. “É isso que o Itamaraty tem feito em nível nacional, e também o governo de Minas com outras nações. Isso é positivo para fortalecer o país e o Estado, ampliar a comercialização com mercados promissores e não ficar preso a questões tarifárias”, encerra.
Cartela de itens exportados mudou pouco no período
Ainda conforme a Sede-MG, a lista dos cinco itens mais exportados de Minas para os Estados Unidos sofreu alterações após a entrada em vigor das sanções, em agosto de 2025. Enquanto os três primeiros colocados não foram modificados, o item que ocupava a quarta posição (tubos e perfis ocos, sem costura, de ferro ou aço) saiu da lista.
Em seu lugar, passou a figurar a exportação de transformadores elétricos, conversores elétricos estáticos (retificadores, por exemplo), bobinas de reatância e de autoindução, que estavam em quinto lugar em 2024. Por fim, a exportação de hidrogênio, gases raros e outros elementos não metálicos, que não havia aparecido em 2024, passou a integrar a lista dos cinco mais exportados em 2025. Veja:
2024:
- Café, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e películas de café; sucedâneos do café contendo café em qualquer proporção.
- Ferro fundido bruto e ferro spiegel (especular), em lingotes, linguados ou outras formas primárias.
- Ferro-ligas.
- Tubos e perfis ocos, sem costura, de ferro ou aço.
- Transformadores elétricos, conversores elétricos estáticos (retificadores, por exemplo), bobinas de reactância e de auto-indução.
2025:
- Café, mesmo torrado ou descafeinado; cascas e películas de café; sucedâneos do café contendo café em qualquer proporção.
- Ferro fundido bruto e ferro spiegel (especular), em lingotes, linguados ou outras formas primárias.
- Ferro-ligas.
- Transformadores elétricos, conversores elétricos estáticos (retificadores, por exemplo), bobinas de reactância e de auto-indução.
- Hidrogênio, gases raros e outros elementos não metálicos.
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