Reforma tributária pode elevar em 20% custos do transporte rodoviário de cargas, diz Setcemg

Novas regras tributárias podem gerar aumentos de custos de até 20% e as transportadoras terem de repassar ao cliente nos fretes
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Reforma tributária pode elevar em 20% custos do transporte rodoviário de cargas, diz Setcemg
Foto: Dirceu Aurélio Imprensa MG

A reforma tributária vai impactar o setor de cargas e transportes rodoviários por enquanto. O novo sistema tributário brasileiro está passando por mudanças que atingirão todos os setores e, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), as novas regras podem gerar um aumento de 20% nos custos do segmento, “estrangulando” as margens já apertadas da atividade.

A projeção de custos maiores surge num período de transição (que vai até 2033), em que as empresas precisam incluir as novas regras no planejamento financeiro e na composição do valor cobrado pelo frete.

Uma das dificuldades alegadas da reforma são os ajustes para aplicar dois tributos novos, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que desde janeiro de 2026 estão em fase de teste.

As transportadoras estão tendo de ajustar sistemas e procedimentos às novas exigências. A mudança vai além da troca gradual dos tributos sobre o consumo e alcança a formação de custos e a gestão das operações.

“Estamos fazendo uma série de estudos para ver os impactos. O que pode ser feito neste momento é muito pouco, e é improvável que alguma coisa mitigue o impacto dos impostos. Por exemplo, saiu uma portaria da Receita pela qual só vamos poder nos creditar de uma parte do diesel, sendo o diesel o maior custo. Isso vai gerar outro impacto”, disse o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior.

“Creio, assim como o sindicato, que os efeitos da reforma tributária vão ser muito mais altos do que inicialmente imaginávamos. Acredito também que será impossível não repassar aos fretes”, completa.

Impactos

A obrigatoriedade do Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) para cargas intermunicipais e interestaduais e do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), além de outros documentos ligados ao transporte, também entrou no calendário da reforma. Isso tem causado transtornos aos transportadores, pois exige a adaptação de sistemas emissores e processos internos.

“A preparação não pode ficar restrita ao sistema emissor da transportadora. É preciso revisar os cadastros, conferir os fornecedores e garantir que a documentação fiscal esteja adequada para que os créditos possam ser apropriados corretamente. Se a empresa não fizer esse trabalho antes do início da apuração assistida, poderá começar a recolher a CBS sem ter a mesma segurança na utilização dos créditos”, afirma o assessor jurídico do Setcemg, Reinaldo Lage.

O que fazer

A orientação do Setcemg para o setor de transportes é que as empresas se preparem e se organizem com o intuito de aproveitar ao máximo os créditos tributários, o que ajudará a equilibrar as contas nos fechamentos financeiros.

“Saber aproveitar os créditos passa principalmente pelo departamento de compras e pelo departamento comercial. Vamos ter que trabalhar muito mais a parte de contratações: com quem você compra e com quem você anota, para poder aproveitar os créditos. A orientação está sendo feita por meio de cafés com palestra e de seminários que estamos promovendo e, a partir de agora, com muito mais ênfase”, explica o presidente do Setcemg.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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