Varejistas de Minas têm quase 5 mil lojas e pouca adesão a franquias
As 23 maiores varejistas com sede em Minas Gerais somaram 4.992 pontos de venda em 2025. A maioria dessas empresas concentra suas operações no mercado mineiro. Além disso, apesar do avanço no cenário nacional, o modelo de franquias ainda é pouco adotado pelas grandes redes do Estado.
O número de lojas das varejistas mineiras corresponde a 6,03% das 82.775 unidades mantidas pelas 300 maiores empresas do setor no Brasil. De acordo com o Ranking TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), cinco das dez redes mineiras com maior número de lojas atuam no segmento supermercadista.
O destaque, no entanto, é o grupo Azzas 2154, que reúne marcas como Arezzo, Hering, Reserva e Farm Rio, possui 2.063 lojas, o equivalente a 41,33% do total registrado pelas empresas mineiras presentes no levantamento. A companhia é a única com sede em Minas Gerais presente nas 27 unidades da Federação e também integra o Top 10 nacional em número de lojas.
Na sequência aparecem Eletrozema (490), Martins (457) e Supermercados BH (420). Entre as empresas do segmento farmacêutico, a Drogaria Araujo possui 356 unidades, enquanto a Farmácia Indiana soma 292.
O conselheiro de empresas e especialista em varejo Epifânio Parreiras Júnior explica que empresas como a Azzas 2154 ganham representatividade no ranking, principalmente, pelo número de lojas em funcionamento. Segundo ele, dinâmica semelhante ocorre no setor farmacêutico, com redes como Drogaria Araujo e Farmácia Indiana, que comercializam produtos de primeira necessidade, como medicamentos.
“O varejo farmacêutico é um ramo muito pulverizado, assim como o supermercadista, e como ambas as empresas (Araujo e Indiana) possuem muitos pontos de vendas, elas conseguem ter uma grande participação no ranking”, diz.
No caso de empresas como Eletrozema e Livraria Leitura, o especialista destaca, além do número de unidades, a variedade de produtos e a atuação em diferentes canais de venda, físicos e digitais. “Isso faz com que elas apareçam ao lado de gigantes do varejo alimentar, por exemplo”, completa.
Varejistas mineiras com mais pontos de venda:
- Azzas 2154 (2.063);
- Eletrozema (490);
- Martins (457);
- Supermercados BH (420);
- Drogaria Araujo (356);
- Farmácia Indiana (292);
- DMA Distribuidora (175);
- Livraria Leitura (131);
- Mart Minas e Dom Atacadista (95);
- Bahamas (87);
- Grupo ABC (80);
- Lojas Rede (80).
Operações regionalizadas
O levantamento mostra que três empresas mineiras possuem operações em grande parte do território nacional: Azzas 2154 (27 unidades da Federação), Martins (20) e Livraria Leitura (19). A maioria das companhias, porém, concentra suas operações em Minas Gerais.
Parreiras aponta as diferenças no comportamento dos consumidores como um dos fatores que ajudam a explicar a concentração das operações em poucos estados. Outro obstáculo é o custo logístico para atuar em um país de dimensões continentais como o Brasil. “Para expandir a operação para outros estados é necessário possuir uma estrutura logística muito robusta”, esclarece.
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Caso a estrutura existente não ofereça a eficiência necessária, o especialista afirma que a empresa pode precisar investir na instalação de uma nova operação logística na região de destino. Esse aporte tende a elevar os custos em um setor que, segundo ele, já opera com margens reduzidas. “Portanto, qualquer custo adicional na operação poderá impactar diretamente o lucro da empresa”, completa.
Modelo de franquias
Uma das alternativas para viabilizar a expansão geográfica é o modelo de franquias. A maioria das varejistas mineiras presentes no ranking, porém, segue operando por meio de lojas próprias. O relatório identificou apenas duas companhias com sede em Minas atuando no mercado de franchising: o grupo Azzas 2154, com 1.430 unidades nesse formato, e o Martins, por meio das 457 lojas da Rede Smart Supermercados.
Essa característica não é exclusiva do mercado mineiro. De acordo com o estudo, apenas 47 das 300 maiores varejistas do País operam com franquias, com parte ou a totalidade das lojas franqueadas. O relatório também aponta baixa presença do segmento supermercadista nesse modelo, atribuída ao elevado investimento necessário para a abertura e operação dos pontos de venda.
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Parreiras destaca que o varejo, principalmente o segmento alimentar, possui duas características importantes para a expansão: a identidade da marca e a proposta de valor. Ele também aponta a dificuldade de manter o mesmo padrão de loja no segmento supermercadista, devido a fatores como o número de funcionários e o volume de mercadorias movimentadas.
“Se alguém abrir uma franquia de supermercado no padrão de Belo Horizonte, por exemplo, no Norte de Minas, isso vai dar errado, porque o hábito de consumo é completamente diferente nessas duas regiões”, esclarece.
O levantamento aponta que a Rede Smart funciona como uma rede associativa capitaneada por uma empresa do setor atacadista. Parreiras explica que o modelo amplia o poder de negociação dos pequenos varejistas com grandes fornecedores. Também estão incluídos um plano de marketing para divulgação dos produtos e o abastecimento recorrente em condições mais favoráveis ao lojista, que mantém o controle do negócio.
Por outro lado, segmentos como o de moda e calçados, segundo o conselheiro, operam com unidades de layout semelhante e mais simples de serem replicadas em diferentes locais. Essas lojas também tendem a comercializar os mesmos produtos e a manter um padrão de atendimento ao cliente.
Cenário nacional

O levantamento aponta uma forte pulverização do varejo brasileiro e a existência de poucas redes com presença nacional. Apenas 25 varejistas possuem mais de 1 mil pontos de venda no País.
Segundo o estudo, uma das explicações está no histórico de desenvolvimento das companhias, marcado pelo acesso limitado ao mercado de capitais até que alcancem maior escala. Apenas 41 empresas presentes no ranking têm capital aberto na Bolsa de Valores, sendo a Azzas 2154 a única com sede em Minas Gerais. O levantamento aponta que esse fator, combinado aos juros elevados e à instabilidade econômica, limita as alternativas de financiamento para a expansão.
Nesse contexto, o modelo de franquias tem ganhado espaço como alternativa para viabilizar a expansão. Segundo o estudo, entre as 50 varejistas com maior número de unidades há forte presença das principais franqueadoras do País. A Cacau Show lidera o ranking, com 4.712 operações em 2025. Em seguida aparecem o Grupo Boticário e a RD Saúde, dona das redes Droga Raia e Drogasil, com 3.898 e 3.547 pontos de venda, respectivamente.
As dez varejistas com mais lojas no Brasil:
- Cacau Show (4.712);
- Grupo Boticário (3.898);
- RD Saúde (3.547);
- Arcos Dourados – McDonald’s (2.800);
- Zamp (2.645);
- Ortobom (2.400);
- Azzas 2154 (2.063);
- Grupo Nós (1.911);
- Pague Menos (1.689);
- EssilorLuxottica (1.629).
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