Venda bilionária da CSN Cimentos caminha para desfecho e deve trazer alívio para o grupo

A transação entrou em fase final de negociação e é considerada positiva para a CSN desalavancar
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Venda bilionária da CSN Cimentos caminha para desfecho e deve trazer alívio para o grupo
Divisão de cimentos é capaz de produzir 17 milhões de toneladas por ano | Foto: Reprodução Site CSN Cimentos Brasil

O processo de venda da CSN Cimentos caminha para seu desfecho. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou ao mercado na terça-feira (20) que o processo competitivo para a alienação da subsidiária encontra-se em fase final de negociação e descartou a realização de oferta pública inicial de ações (IPO). O negócio bilionário tende a trazer alívio para o grupo, conforme especialistas do mercado financeiro.

Informações extraoficiais apontam que a CSN almejava R$ 15 bilhões pela divisão de cimentos, mas teria recebido propostas de aproximadamente R$ 12 bilhões. Também indicam que a disputa estaria entre a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e a italiana Cementir, embora outras empresas tenham sinalizado interesse.

O analista de investimentos da plataforma AGF, Pedro Galdi, afirma que, diante do que já sinalizou, o grupo se alavancou demasiadamente e agora terá que vender a CSN Cimentos, uma siderurgia na Europa e talvez uma parte do braço de logística (infraestrutura).

A divisão de cimentos é capaz de produzir 17 milhões de toneladas por ano, detém cerca de 20% do mercado brasileiro e gerou 13% do Ebtida da CSN nos últimos 12 meses até o segundo trimestre deste ano, segundo o analista da Genial Investimentos, Luca Vello.

Para ele, a venda da divisão de cimentos é positiva para o grupo porque, antes de tudo, desalavanca, e 50% dos R$ 12 bilhões a serem recebidos quitariam um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão (assinado no último mês de março) garantido pelos ativos.

De acordo com Vello, depois dos 10% de imposto que a Genial Investimentos supõe sobre os recursos, R$ 12 bilhões levariam a dívida líquida/Ebitda de 3,49x para 2,98x, em linha com a meta da CSN para dezembro, enquanto R$ 15 bilhões levariam a 2,73x.

“O preço é de 7,6x o Ebitda LTM, contra os 4,8x que o nosso preço-alvo de R$ 7,00 paga pelo resto da CSN. Tudo o mais constante, R$ 12 bilhões somam R$ 2,44 por ação ao nosso valuation. Para o comprador, R$ 12 bilhões são US$ 140 por tonelada de capacidade, 41% acima dos US$ 100 por tonelada que a CSN pagou pela Holcim Brasil em 2021”, observa.

Vello também pontua que, no mercado de cimento, o comprador importa. Conforme ele ressalta, as cinco maiores produtoras detêm cerca 80% do mercado nacional.

“A Votorantim e Cementir juntariam as líderes do mercado, o que aponta para remédios do Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] e um processo mais longo. A Huaxin, no Brasil desde 2025 com a Embu (agregados), viraria a segunda maior produtora de uma vez, sem sobreposição”, esclarece.

A negociação da CSN Cimentos compõe a estratégia da CSN para reduzir o endividamento e equacionar a estrutura de capital do grupo. O plano envolve a venda de ativos importantes com objetivo de desalavancar entre R$ 15 bilhões a 18 bilhões, permitindo a concentração da companhia nos segmentos de maior rentabilidade, crescimento e sinergias.

“As alienações fazem parte de uma estratégia da administração que pretende alcançar o potencial de, em até oito anos, dobrar o Ebitda da CSN e atingir uma alavancagem sustentável em torno de 1x a sua relação dívida líquida/Ebitda”, disse o grupo em janeiro.

Leia mais: CSN diz que venda de cimenteira está em fase final

Sobre o autor

Thyago Henrique

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Jornalista pela Una, eleito entre os 100 mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças (2024) e 3º lugar no Prêmio Riquezas dos Vales (2025)


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