Legislação

Moraes proíbe acampamentos perto da Papudinha após PGR citar caminhada de Nikolas

Decisão ocorre às vésperas de um ato organizado pela direita em Brasília, previsto para este domingo (25), como finalização da caminhada do deputado mineiro
Moraes proíbe acampamentos perto da Papudinha após PGR citar caminhada de Nikolas
Foto: Reprodução Instagram Oficial Nikolas Ferreira

Brasília – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou, na sexta-feira (23), a retirada dos acampamentos do entorno da Papudinha, local em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso em Brasília.

A decisão atende a um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) e ocorre às vésperas de um ato organizado pela direita em Brasília, previsto para este domingo (25), como finalização da caminhada realizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em defesa de anistia a Bolsonaro e aos presos do 8 de Janeiro.

No seu pedido de intervenção, a PGR afirma que “os manifestantes prometem uma ‘caminhada da paz’ (…) com o propósito de causar protesto ostensivo contra decisões do Supremo Tribunal Federal”.

Também menciona que há “chamamento para que outros cidadãos se unissem ao movimento, propagando que a pauta do ato será ‘justiça e liberdade’ para os envolvidos nos atos de insurgência de 8 de janeiro”.

A decisão cita que “um grupo de pessoas dirigiu-se à Penitenciária Federal de Brasília – Complexo da Papuda, onde instalou barraca em frente à sede do estabelecimento prisional, com o objetivo declarado de exercer pressão sobre esta Suprema Corte”.

A PGR solicitou a adoção de medida cautelar “de remoção imediata e proibição de acesso e permanência de quaisquer indivíduos que se encontrem em frente ou nas adjacências” da Papuda. A alegação é o impedimento de “possível prática criminosa ou de quaisquer atos que possam comprometer a segurança do estabelecimento prisional”.

Moraes acatou o pedido da PGR e considerou que há “necessidade de desobstrução de espaços públicos”, alegando que o respeito à ordem e à paz pública foi reiteradamente proferido pelo STF. O ministro pontuou que a corte fixou “que o direito de reunião e a liberdade de expressão não amparam a prática de atos abusivos e violentos, com a intenção de atacar o Estado Democrático de Direito”.

Relator do inquérito da trama golpista, que condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão, Moraes citou os ataques de 8 de Janeiro para justificar sua decisão.

O magistrado considerou que aquela manifestação foi uma “tentativa de golpe” que “teve como um dos fatores principais a omissão de diversas autoridades públicas, que permitiram os ilegais acampamentos golpistas em frente aos quartéis do Exército”.

O deputado Nikolas Ferreira, liderança digital do bolsonarismo, iniciou uma caminhada de Belo Horizonte a Brasília na segunda-feira (19). Trata-se de uma manifestação em defesa da anistia a Bolsonaro e aos presos do 8 de Janeiro.

Pelo caminho, lideranças bolsonaristas aderiram ao movimento, como os deputados Carlos Jordy (PL-RJ), Luciano Zucco (PL-RS) e Rodrigo Valadares (União-SE), além do senador Magno Malta (PL-ES). Há relatos de exaustão entre apoiadores. O ex-vereador de São Paulo Fernando Holliday machucou o joelho.

Segundo pessoas a par da organização, o ato ocorrerá durante a tarde na Praça do Cruzeiro, região central de Brasília, e deve contar com estrutura modesta. Não há previsão de carros de som ou telão. A ideia é realizar apenas um palco para pequenos discursos de lideranças políticas que participam da caminhada, com foco em orações.

Espera-se que a caminhada chegue no fim da tarde pela BR-040 (Via Epia), nas imediações da antiga Rodoferroviária, seguindo pela subida ao Eixo Monumental. Os participantes serão recepcionados pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras.

Reportagem distribuída pela Folhapress

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