Minas Gerais lidera ações climáticas com plataforma inovadora e políticas integradas
Minas Gerais tem se destacado no cenário global pela abordagem proativa e integrada no combate às mudanças climáticas e os seus impactos. O Estado, através do Plano de Ação Climática (Plac), tem alinhando as políticas públicas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). No contexto do ODS 13, que pede ações urgentes para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), Minas Gerais tem como um dos pilares do Plac a pioneira Plataforma de Monitoramento, Reporte e Verificação, o MRV Climático.
Conforme a superintendente de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Renata Maria de Araujo, a plataforma é uma ferramenta inovadora que centraliza e monitora as metas do Plano de Ação Climática do Estado.
O Plac reúne ações prioritárias em quatro linhas de atuação – Mitigação, Adaptação, Inovação e Justiça Climática – distribuídas em 12 setores estratégicos, que contemplam as principais áreas impactadas pelas mudanças climáticas. Cada eixo contém subações específicas lideradas por diferentes órgãos estaduais, com metas claras e prazos definidos, garantindo o acompanhamento e a efetividade das ações propostas. As 103 subações se desdobram em 199 metas. Por isso, a plataforma é essencial, organizando e permitindo o monitoramento dos avanços e metas a serem cumpridas de forma clara e transparente.
“Minas Gerais foi o primeiro estado da América Latina e do Caribe a integrar oficialmente a campanha internacional Race to Zero, liderada pela ONU e pelo Reino Unido, e que busca zerar as emissões de gases de efeito estufa até 2050. Os trabalhos no Estado avançaram e precisamos continuar no pioneirismo. Diferente de outros estados brasileiros, que muitas vezes se limitam à fase inicial de atualização de planos, Minas Gerais já está na terceira e última fase, oferecendo uma plataforma de acesso público que detalha as metas, seus eixos, os órgãos responsáveis e o status de cada uma”.
Em Minas Gerais, 76,3% das metas do Plac já estão sendo monitoradas
Renata Araujo ressalta ainda que a plataforma tem papel primordial nos avanços das ações para a descarbonização da economia de Minas Gerais. Através dela, cidadãos, órgãos de controle e pesquisadores acompanhem o andamento das metas do Plac, que estão listadas dentro do sistema. Para cada meta, são apresentados detalhes como descrição, indicadores de mensuração e o status (em curso, concluído contínuo, concluído finalizado ou não iniciado).
Conforme os dados da plataforma MRV, das 199 metas, grande parte delas, 127, já está em curso, 47 ainda não foram iniciadas, 14 delas foram concluídas e 11 estão com o status concluído contínuo, que significa a conclusão do objetivo em um período, mas que a meta será retomada.
“Somando todas as ações em curso, finalizadas e contínuas, estamos com 76,3% das metas do Plac em monitoramento. Nosso foco será sempre as metas que não foram iniciadas para não ficarem paradas, queremos que todas as ações do Plac sejam mensuradas”.
Ainda segundo Renata Araujo, com o nível de detalhamento das ações é possível avaliar o quanto as metas em curso dentro do eixo de mitigação estão ou não contribuindo para a redução de emissões no Estado e ajudando a chegar à neutralidade em 2050.
Minas Gerais tem implementado diversas medidas para combater às mudanças climáticas e seus impactos. No setor de agricultura, pecuária, floresta e mudança do uso do solo, que é um dos maiores vetores de emissões, as ações incluem, por exemplo, o combate ao desmatamento, a busca por sistemas agroflorestais integrados e a agricultura regenerativa. Há também estudos para a redução de metano na pecuária, como a adição de orégano na ração animal, um projeto da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

Além disso, o Estado busca aumentar a proteção de sumidouros naturais, como unidades de conservação, e garantir que não haja focos de incêndio. A recuperação de áreas degradadas também é uma medida para aumentar a cobertura vegetal e, consequentemente, as áreas de sumidouro natural.
No setor de energia, especificamente no transporte, que é o maior subsetor emissor no Estado, as medidas envolvem a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis. Há uma grande preocupação no transporte de carga pesada. “É um desafio enorme, porque Minas é um caminho, reunindo diversas rodovias utilizadas para escoar a produção para o País todo”.
Dados mensurados sobre ações climáticas e transparência podem atrair investidores
O trabalho robusto, detalhado e transparente feito através da Plataforma de Monitoramento, Reporte e Verificação, o MRV Climático, tem potencial para ser uma ferramenta para atrair investidores – nacionais e internacionais – que buscam projetos cujas ações promovem a redução de emissões de gases de efeito estufa. Além dos avanços, a plataforma também reúne dados do orçamento destinado aos setores, órgãos líderes e a evolução do uso dos recursos. Em 2025, por exemplo, os disponibilizados foram de R$ 1,4 bilhão.
“A transparência dos dados é um diferencial muito importante. Na plataforma, temos o orçamento estadual destinado a cada meta, facilitando a atração de investidores internacionais interessados em projetos já em andamento e com recursos. A gente observa que existe um interesse grande de investidores internacionais em buscar novas regiões para investir. Eles estão buscando iniciativa na transição energética, na descarbonização, do Sul Global. Mas eles não querem começar do zero, querem que a região mostre que já tem algo em andamento e, inclusive, com recursos”, explica a superintendente de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Renata Maria de Araujo.
Cidades Inteligentes contribuem para a redução da emissão de gases de efeito estufa
Em Minas Gerais, com o intuito de promover o desenvolvimento sustentável e adotar medidas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa (GEE), também foram criadas políticas para promover o planejamento urbano qualificado. Os gestores públicos têm desenvolvido cidades onde os recursos tecnológicos e humanos são utilizados para resolver as diversas dores dos municípios e dos cidadãos. Este é o principal objetivo das chamadas cidades inteligentes.
Minas Gerais foi pioneiro em termos de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento destes espaços urbanos e rurais mais tecnológicos e sustentáveis, por ter sido o primeiro a instituir no Brasil uma política estadual de apoio e incentivo às cidades inteligentes.
Conforme a CEO da LICI GovTech, Grazielle Carvalho, as cidades inteligentes contribuem diretamente para o ODS 13, que defende a busca de ações urgentes para reduzir emissões de gases de efeito estufa, uma vez que aliam tecnologia, gestão de dados e, principalmente, planejamento urbano qualificado.
“Muito antes dos sensores e plataformas digitais, instrumentos como o Plano Diretor, a Lei de Uso e Ocupação do Solo, os Planos de Gestão e Redução de Riscos e as políticas de regularização fundiária já orientam um uso inteligente do território: evitam ocupações em áreas vulneráveis, reduzem exposição a eventos climáticos extremos e ampliam a segurança da população”.
Ainda conforme Graziela Carvalho, monitorar riscos, mapear encostas, controlar expansão urbana e integrar essas informações às políticas municipais é tão estratégico quanto qualquer solução digital. “Cidades inteligentes são aquelas que usam informação – normativa, territorial ou tecnológica – para orientar decisões capazes de reduzir impactos, fortalecer a resiliência e garantir qualidade de vida frente às mudanças climáticas”, resume.
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