Parceria entre sociedade, governo e empresas de Minas impulsiona metas dos ODS da ONU
Minas Gerais é um dos estados do Brasil que tem trabalhado ativamente para alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 17 no total, criados e elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 para nortear ações práticas de forma que os avanços econômicos sejam acompanhados de inclusão social e proteção ao meio ambiente.
O Estado tem como agenda prioritária três ODS: educação (ODS 4), crescimento econômico (ODS 8) e cidades sustentáveis (ODS 11). O sucesso da empreitada virá com união e objetivos em comum. Minas tem evoluído, mas ainda tem um longo caminho para percorrer nos ODS da ONU.
Confira como está o andamento mineiro no cumprimento das metas:
- ODS 4 – Educação de Qualidade: O Estado tem intensificado ações e análises focadas neste objetivo, considerando-o fundamental para o desenvolvimento;
- ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico: Minas Gerais é o terceiro estado mais rico do Brasil (dados CNI 2025), o que impulsiona o cumprimento deste ODS no âmbito de crescimento, embora o desafio de trabalho decente persista;
- ODS 11 – Cidades Sustentáveis: O Estado possui destaque nacional com cidades referência, como Uberlândia, que é a segunda no Brasil e a primeira em Minas (IDSC-BR), e Belo Horizonte, que também se destaca entre as capitais.
Logo, governo, sociedade e empresas têm entendido o papel de cada um nesse objetivo, que pode trazer ao planeta sustentabilidade plena para vivermos em harmonia econômica e ambiental. Os setores produtivos, por sua vez, receberam bem o recado e sabem que suas práticas podem fazer a diferença.
Empresas como atores essenciais
“Precisamos começar a discutir que a efetividade da Agenda 2030 não depende apenas de compromissos declaratórios, mas da densidade institucional e participativa da sociedade. Quanto mais forte o ecossistema de corresponsabilidade – governo, empresas e cidadãos orientados por dados, transparência e incentivos adequados -, maior a probabilidade de que as metas deixem de ser intenções formais e se convertam em resultados concretos”.
Essa fala da especialista em políticas públicas da ONU, Luciana Maselli, traz um debate que também deve sair do discurso: as empresas serem atores ativos na agenda ASG dentro e fora de suas plantas produtivas. O que impacta no bem-estar humano e das cidades, que ficam menos impactadas por ações geradas por negócios, que precisam fazer interações diretas com a natureza.
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O superintendente de estratégia e sustentabilidade da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Adieliton Galvão Freitas, cita que a empresa busca focar suas ações de ESG tanto no público interno quanto no externo – os consumidores -, com projetos de impactos diretos.
“Uma empresa como a Cemig acaba tendo impacto direto e indireto na vida de muitas pessoas. E os ODS da ONU estão quase todos em nosso dia a dia. São mais de 500 mil quilômetros de ligações, por isso, buscamos reduções de impactos ambientais e regularizações de ligações clandestinas. Mais de 240 mil famílias são beneficiadas com energia regular de baixo custo e segura”, destaca Freitas.
O supreendentemente também revela uma meta ousada com o foco no ESG empregado de forma clara e direta. “Queremos levar nossos projetos (voltados para idosos, jovens, educação e cultura) para 60 mil pessoas até 2029. Além dos ODS com viés econômico e social, há projetos ligados com o negócio, que é o ODS 7, para gerar cada vez mais energia limpa e acessível”, completa.
Parceria de negócios e nas boas práticas
A Rouxinol Fretamento presta serviços de transporte de funcionários para diversas empresas, incluindo a SAE Towers, líder mundial na produção de torres treliçadas de aço para linhas de transmissão de energia em alta voltagem.
O modelo de parceria de negócios entre os dois negócios tem laços comerciais, mas também de respeito às práticas ESG. E não é só discurso. A SAE só fecha negócios com fornecedores que possuam, de fato, aplicação do ESG para os públicos internos e externos. Esse tipo de orientação pode ser um bom indício de como as organizações empresariais podem contribuir para o ODS 8, que versa sobre trabalho decente e crescimento econômico sustentável.
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“Entendemos que os valores que prezamos também devem ser compartilhados por aqueles que nos fornecem serviços, seja de qual porte for. É essencial que as empresas tenham parceiros que realmente mirem no crescimento sustentável e coletivo de todos. Só assim conseguiremos construir uma sociedade equilibrada, com benefícios econômicos sem que haja prejuízo para as pessoas e para o meio ambiente”, diz a gerente de RH da empresa, Daniela Chaves Correa.
O CEO da Rouxinol, Júlio Cezar Diniz, não só corrobora com o argumento, como defende que as empresas que adotam um método de crescimento sem nenhuma contrapartida social, ambiental e econômica estarão fadadas ao fracasso comercial, como integrantes de um mundo que não aceita mais ter seus recursos exauridos, sem projetos de conservação.
“Colocamos como meta atender todas as boas práticas em todas as atividades do nosso negócio. E para isso, queremos contar com aqueles que seguem a mesma lógica. O trabalho não pode ser um fator de desgaste. E sim, criador de fonte de renda sem perder o foco em manter bem o planeta que nos acolhe”, diz.
O superintendente de estratégia e sustentabilidade da Cemig afirma que a empresa que não se adequar, não pode fornecer para a companhia. Isso, segundo ele, incentiva os pequenos e médios negócios a buscarem as melhores práticas de ESG, eliminando um mito de apenas corporações grandes conseguem implantar algumas práticas.
“Aí entra na parte de governança. A questão de ética e compliance é fundamental. Ou seja, não tem nenhuma desconformidade grave em relação a isso. Ter um trabalho forte em relação aos nossos fornecedores faz parte do que queremos buscar como metas de sustentabilidade e ESG. Temos mais de 30 mil pessoas trabalhando em nosso nome e apoiar essa prática de governança, de saúde, de questões ambientais, de ética, enfim, de reduzir o risco, de problemas de cadeia de suprimentos, direitos humanos são alguns exemplos de compromissos públicos e metas dos ODS que temos”, explica.

Exemplos práticos das organizações empresariais
SAE Toers, Rouxinol e Cemig têm buscado ir além do discurso e manuais de boas práticas sustentáveis com as metas da ONU. Essas empresas implantaram sistemas internos que refletem diretamente no dia a dia de seus colaboradores e das comunidades que atendem.
Confira o que essas corporações têm feito de real na condução dos seus negócios:
Cemig
- Pessoas: trabalho constante para que seus colaboradores voltem são e salvos para casa, utilizando educação corporativa, treinamentos constantes para ações internas e externas da empresa;
- Diversidade: mapeamento de questões associadas a etnia/raça, gênero, orientação sexual, idade, pessoas com deficiência;
- Biodiversidade e uso consciente de recursos: preservação da biodiversidade onde há atuação da empresa, uso racional da água, logística reversa e gerenciamento de resíduos.
SAE Towers
- Biodiversidade e insumos próprios: a empresa fabrica seus produtos voltados ao processo de implantação de projetos de transmissão de energia elétrica;
- Colaboradores: saúde física, mental e segurança como prioridade com gerenciamento e aplicação de “regras de ouro”, como treinamentos constantes para práticas do trabalho, nunca realizar uma tarefa sem avaliar riscos, uso de itens de segurança e programas constantes de aprendizagem;
- Igualdade salarial: comprometimento com a remuneração justa para todos os funcionários, independentemente de gênero, etnia ou cargo.
Rouxinol
- Gestão de resíduos: correta destinação dos resíduos sólidos e inservíveis;
- Combustíveis menos poluentes: existem controles rigorosos de opacidade e utilização de óleo composto por biodiesel para toda frota;
- Reutilização de água: há sistemas de separação de água e óleo, captadores de águas pluviais, recicladora de água utilizada na limpeza dos veículos.
Educação e letramento sustentável
O ODS 4 fala que “até 2030, deve-se garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e eficazes”. Para isso, algumas melhorias na educação pública de Minas precisam de ajustes imediatos.
“Em 2009, Minas liderava o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ). Em 2015, o Estado ocupou a quarta posição. Em 2023, ano mais recente da avaliação, Minas apareceu na sétima posição. A considerar a meta estabelecida no PMDI (Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado), houve um retrocesso. Mas alcançar o protagonismo é uma meta comparativa aos outros estados e não um olhar para dentro, que é o mais importante”, diz a especialista em ESGe diretora da Sensata Comunicação e Meio Ambiente, Isadora Camargos.
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A especialista em políticas públicas da ONU e sócia fundadora da ImpactAI, Luciana Maselli, alerta para outra preocupação educacional: o letramento sobre sustentabilidade. Ela afirma que quando as comunidades são mais bem informadas e consomem melhor dados e informações sobre a necessidade de entender os impactos que as boas práticas de ESG no cotidiano podem colaborar para uma sociedade mais equalizada.
“O letramento sobre sustentabilidade e impacto é um fator crítico. Relatórios internacionais indicam que populações com maior acesso à informação qualificada e educação cívica tendem a pressionar mais por políticas públicas efetivas e prestação de contas.
“Porém, não podemos ignorar que hoje a participação social no Brasil ainda é limitada na prática. Onde há mobilização organizada e informada, metas tendem a avançar; onde a participação é episódica ou meramente protocolar, a implementação costuma ser lenta”, explica Luciana Maselli.

Plano para nortear as metas
Em Minas Gerais existe um “norte” para que os ODS da ONU tenham chances maiores de serem cumpridos. O Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), instituído pela Lei 15.032 em 20 de janeiro de 2004, foi criado para dar as diretrizes e indicar estratégias para que o Estado norteie sua condução dos ODS e assim consiga cumprir as metas da Agenda 2030.
O atual governo elaborou o PMDI 2019-2030 que serve de base para a elaboração do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) e da Lei Orçamentária Anual (LOA). A atualização mais recente foi feita em 2020, pela Lei 23.577, e nela está a revisão das diretrizes estratégicas.
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Entretanto, o avanço dessas pautas não depende apenas do poder público. Tem de haver uma sinergia estatal, da sociedade e dos setores produtivos. As práticas ESG, muito debatidas no âmbito corporativo, terão de se tornar hábitos no dia a dia das pessoas “comuns”, das empresas e do Estado. Esse pacto será essencial para que os ODS sejam alcançados e um novo caminho social e econômico consiga equilibrar as demandas sociais e do mundo em que vivemos.
“Na atualização do PMI em 2020, foi inserida a diretriz estratégica que fala na promoção de políticas de atenção integral ao estudante para prevenção da evasão escolar, por meio de ações desenvolvidas em articulação com os órgãos de assistência social, saúde e proteção à infância, à adolescência e à juventude e em parceria com as famílias. Esta nova meta mostra atenção a um problema relevante que é a evasão escolar, especialmente no ensino médio, que é onde está o pior desempenho de Minas no Ideb”, diz a especialista em ASG e diretora da Sensata Comunicação e Meio Ambiente, Isadora Camargos.
Todos os bons exemplos de ESG que necessitamos para que as metas dos ODS sejam cumpridas pelo povo de Minas Gerais e suas instituições podem ser resumidos num pensamento da especialista ESG, diretora da Sensata Comunicação e Meio Ambiente, Isadora Camargo: “Não importa quem causou o problema, e sim o que cada um pode fazer para ajudar no enfrentamento”.
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