Saúde mental dos jovens no Brasil precisa estar na agenda
A saúde mental dos brasileiros, especialmente dos jovens, deixou de ser um tema periférico para se tornar uma das questões mais urgentes do nosso tempo. Ver estatística que apresentam desolação entre aqueles que apenas começaram a viver é chocante. E isso não é um dado isolado, mas um retrato coletivo que exige leitura atenta e ação coordenada.
O Relatório Luz 2025, organizado pelo GT da Agenda 2030, reforça esse cenário ao apontar que a saúde mental no Brasil ainda enfrenta fragilidades estruturais, com acesso desigual, descontinuidade de políticas públicas e baixa integração entre serviços. Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sobre a Saúde e Bem-Estar (ODS 3) no Brasil teve 12 de 13 metas com resultados insatisfatórios, insuficientes ou em retrocesso. Em outras palavras, estamos lidando com um problema que não é apenas individual, mas profundamente social.
Vivemos em uma sociedade orientada pelo desempenho, pela produtividade e pela lógica da comparação constante. Nesse ambiente, o sujeito é frequentemente reduzido à sua capacidade de entregar resultados, enquanto suas dimensões emocionais e relacionais são negligenciadas. O resultado é previsível: aumento da ansiedade, da solidão e da sensação de vazio. Para negócios que negligenciam o cenário, prejuízo certeiro.
É nesse ponto que a reflexão de Benedito Nunes, em reportagem do Movimento Minas 2032 – Pela Transformação Global, se torna central. Existe uma geração atravessada por um vazio de sentido. A tristeza, nesse contexto, aparece como sintoma de um descompasso entre o modo de vida contemporâneo e as necessidades humanas mais profundas.
Precisamos assumir que a educação para a felicidade não se trata de um conceito ingênuo ou superficial, mas de uma abordagem estruturante, que integra desenvolvimento emocional, propósito e relações de qualidade. Educar para a felicidade é, antes de tudo, educar para a vida em sua complexidade. E isso pode ser ativo nas empresas.
Essa perspectiva exige mudanças profundas. Passa pela escola, que precisa ir além do conteúdo e incorporar o desenvolvimento socioemocional. Passa pelas empresas, que devem rever culturas organizacionais baseadas apenas em metas e resultados. E passa, sobretudo, por políticas públicas que reconheçam a saúde mental como prioridade estratégica.
Ignorar esse cenário tem custos altos. Custos humanos, evidentes no sofrimento cotidiano, mas também custos econômicos, expressos na perda de produtividade, no aumento de afastamentos e na sobrecarga dos sistemas de saúde.
Por outro lado, investir em bem-estar gera retorno. Sociedades mais saudáveis são também mais produtivas, inovadoras e sustentáveis. A economia da felicidade já é uma realidade em diversos países e tende a ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.
Vejo que temos uma escolha a fazer. Continuar reagindo aos sintomas ou atuar nas causas. E as causas passam, inevitavelmente, pela reconstrução de vínculos, pelo fortalecimento da escuta e pela valorização da consciência. Se quisermos um futuro mais equilibrado, será preciso reconhecer que felicidade não é luxo — é fundamento.
No fim, a pergunta que permanece é simples e profunda: a sociedade que queremos construir é a da desolação ou da regeneração?
Leia a reportagem: Educação para a felicidade é estratégica para as empresas
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