Bonecas de barro do Vale do Jequitinhonha vão ganhar o mundo em exposição na França
Paris, também conhecida como Cidade Luz, irá receber, em setembro, diversas peças de artesanato em cerâmica diretamente do Vale do Jequitinhonha. Duas exposições com produtos de artesão mineiros chegam à capital da França em setembro: Maison & Objet Paris 2026, que acontece de 10 a 14 de setembro, e “A Terra Modelada pela Arte – Vale do Jequitinhonha”, na Ricardo Fernandes Gallery, de 8 a 18 de setembro.
Minas Gerais vai mandar cerca de 150 esculturas produzidas por diversos artesãos de quatro comunidades do Vale do Jequitinhonha. Entre os artesãos, cinco foram escolhidos para representar o Estado nessa importante mostra de herança cultural. Adriana Xavier, de Turmalina, Alice Costa, da comunidade de Cachoeira do Fanado, Anísia Lima, da comunidade de Campo Alegre, Augusto Ribeiro, de Santana do Araçuaí, e Andréia Andrade, da mesma região, e neta de dona Izabel, a criadora das bonecas-moringa.
“As bonecas nasceram com dona Izabel, e veio das ancestrais dela que faziam moringas para utilitários. Em um momento ela pensou em colocar, em uma dessas moringas, uma tampa com uma cabeça de uma boneca, e é algo que a gente preserva, de ter a cabeça solta pra trazer sempre essa ancestralidade, que essas bonecas já foram uma moringa de colocar água”, conta Augusto Ribeiro, que começou a fazer esculturas de barro aos quatro anos.
Barro como fonte de renda no Vale do Jequitinhonha

O ceramista afirma que não se vê fazendo outra coisa por ter uma necessidade de expressar através da sua arte o senso de conjunto e de coletivo dado pela ancestralidade e pela herança de tantas artesãs do Vale do Jequitinhonha. “Meu berço foi um berço de barro”, diz ele ao contar que sua inspiração para o artesanato veio de sua mãe e avó, além da grande influência de dona Izabel, premiada ceramista mineira e sua conterrânea.
Andréia Andrade, neta da Dama do Barro do Jequitinhonha, ressalta que eles estão levando o ouro deles, o barro, ‘Do Vale para o Mundo’. “Acho que minha avó ficaria muito feliz de ver onde tudo o que ela fez está chegando, porque a gente construiu tudo isso junto”. A ceramista conta que consegue viver exclusivamente do artesanato, e que cada peça demanda tempo e dedicação de forma diferente, algumas sendo feitas em poucas semanas e outras levando mais de seis meses, como a peça que ela fez de sua avó modelando a cabeça de uma boneca.
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A Maison & Objet é uma referência global para os mercados de design e decoração, funcionando como um mostruário de tendências de consumo, comportamento e inovação. Já a exposição na Ricardo Fernandes Gallery tem o objetivo de aproximar o artesanato mineiro com curadores e instituições que valorizam a relação entre patrimônio e arte.
A iniciativa é uma parceria entre o Sebrae Minas e o governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede). A secretária, Mila Corrêa da Costa, reiterou a importância dos artesãos mineiros. “O trabalho de vocês representa as pessoas, o território e o modo de existir das pessoas do Vale do Jequitinhonha”.
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