Cemig planeja R$ 3,8 bilhões em melhorias na infraestrutura de geração de energia até 2030
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) planeja investir R$ 3,8 bilhões na revitalização de seus ativos de geração de energia elétrica até 2030. Entre as iniciativas previstas estão grandes reformas do parque gerador. O montante destinado para esses projetos integra os R$ 44 bilhões previstos para o Planejamento Estratégico e Plano Plurianual para o ciclo de 2026 a 2030.
Já para 2027, a estatal pretende iniciar os estudos para a realização de reformas nas usinas hidrelétricas (UHEs) de Salto Grande, instalada em Braúnas, na região do Vale do Rio Doce; e de Três Marias, na região Central do Estado. O superintendente de gestão ativos de geração da Cemig, Sérgio Teixeira de Castro, explica que a expectativa é de iniciar os trabalhos no ano seguinte ao desenvolvimento do projeto.
“Em 2027 nós iremos iniciar os estudos de engenharia para definir o escopo desses trabalhos, que já estão praticamente mapeados com o que chamamos de ‘projeto básico’, e licitar o projeto. As obras dessas duas usinas devem começar a partir de 2028 e devem seguir até 2032 em Três Marias e 2030 em Salto Grande”, diz.
O executivo afirma que esses serão os dois maiores projetos de reforma e modernização da companhia mineira do setor energético, mas não os únicos. Ele ressalta que todos os empreendimentos deverão passar por algum tipo de intervenção ao longo dos próximos anos.
Ele ainda explica que esse tipo de iniciativa envolve não só a manutenção e reformas, como também a construção de novas usinas. Teixeira avalia que projetos como esses são fundamentais para atender a demanda do setor, independentemente da fonte. A previsão de aportes em manutenções e reformas em 2026 é de R$ 123 milhões, o equivalente a 62,44% do total planejado para o segmento (R$ 197 milhões).
O valor destinado para melhorias na infraestrutura deverá manter um ritmo acelerado de crescimento nos próximos anos até atingir cerca de R$ 1 bilhão ainda em 2029 e superando essa marca no ano seguinte. Confira a projeção de investimentos por ano no ciclo atual:
- 2026: R$ 123 milhões;
- 2027: R$ 230 milhões;
- 2028: R$ 800 milhões;
- 2029: R$ 1 bilhão;
- 2030: 1,7 bilhão.
Além disso, Texeira pontua que o mercado também oferece oportunidades por meio da aquisição de ativos já existentes de outros grandes players do setor. Portanto, ele não elimina a possibilidade de adquirir alguma operação de uma empresa que esteja realizando desinvestimentos nos próximos anos. “Estamos preparados para crescer e vamos crescer por meio de qualquer oportunidade que aparecer”, afirma.
Venda de ativos obsoletos

A empresa possui uma equipe de engenharia responsável pela realização de estudos de confiabilidade dos ativos, que indicam a situação dos equipamentos e os riscos da operação. Segundo o superintendente, esse levantamento possibilita o desenvolvimento de um plano de investimentos de longo prazo para todas as usinas e demais operações de diferentes fontes.
O estudo também permite uma melhor alocação de recursos tanto de despesas (Opex) quanto de investimentos (Capex) para manter a qualidade dos empreendimentos. Um exemplo dessa gestão de ativos é a venda de aproximadamente 20 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos últimos anos. Teixeira esclarece que essa operação de desinvestimento não é comum dentro da estratégia da companhia e que dificilmente ocorrerá no futuro.
No entanto, ele também ressalta que os recursos obtidos contribuíram para a implantação das novas usinas fotovoltaicas (UFV) de Boa Esperança, em Montes Claros, no Norte de Minas, e Jusante, em São Gonçalo do Abaeté, na região Noroeste. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 800 milhões em ambas, com parte dos recursos oriundos da alienação das pequenas hidrelétricas.
A venda dos ativos também contribuiu para outros novos investimentos. Segundo o executivo, o direcionamento dos recursos de investimentos e despesas é baseado em um trabalho de engenharia de confiabilidade, que considera algumas características e riscos do ativo. “Essa gestão de ativos baseada em confiabilidade é uma coisa muito moderna que essa amiga é referência no setor”, declara.
O executivo pontua que o próprio retorno gerado pelos ativos ao longo do tempo permite que uma parcela da receita seja aplicada em manutenção e grandes reformas. “Essas PCHs eram ativos muito antigos e obsoletos, que geravam pouco e ainda apresentavam uma grande necessidade de capital. A Cemig entendeu que era melhor, em termos de risco e retorno, vender esses ativos”, explica.
Outro caso citado foi a desativação da central geradora termelétrica (UTE) instalada em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em 2019. Nesse caso, o superintendente de gestão ativos de geração esclarece que a decisão foi motivada visando uma matriz energética mais limpa e 100% renovável.
Cenário no setor elétrico

O cenário atual no mercado, segundo Texeira, é de desequilíbrio na relação entre oferta e demanda de energia ao longo do dia, principalmente nas fontes solar e eólica. O especialista relata que, em momentos com a presença do sol e ventos fortes, a geração tende a ser superior a demanda, porém, no final da tarde e durante a noite, surge a necessidade do uso de energia gerada pelas hidrelétricas, além de alguns cortes, para manter o sistema equilibrado.
Esse ambiente faz com que o governo federal disponibilize mais hidrelétricas no sistema nacional. O executivo pontua que já tem leilões planejados para o próximo ano visando a ampliação desses ativos e afirma que a Cemig está atenta a novas oportunidades no mercado e estudando grandes centrais hidrelétricas, térmicas e também reversíveis.
“O Ministério de Minas e Energia já regulamentou esses produtos e vai realizar alguns leilões no futuro para os agentes participarem e a Cemig está preparada para participar de todos esses leilões”, acrescenta.
O superintendente reforça a necessidade da realização desses certames para que as chamadas energia de base (hidrelétricas e térmicas) sustentem o crescimento das usinas solares e eólicas. Ele pontua que as fontes renováveis não são capazes de manter a confiabilidade do sistema elétrico sozinhas.
Para Texeira, a questão principal do setor envolve a confiabilidade e segurança do sistema, além das fontes que serão utilizadas. Além disso, ele pontua que o plano de expansão da estatal mineira é baseado na consulta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com o objetivo de entender o que o governo federal planeja para os próximos dez anos.
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