Aplicativo gratuito contra golpes telefônicos já bloqueou 2,6 milhões de chamadas

Gratuito e sem anúncios, o aplicativo Ozz quer chegar a 1 milhão de usuários em um ano. A aposta é recuperar a confiança no telefone, canal que sustenta o negócio B2B da empresa
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Aplicativo gratuito contra golpes telefônicos já bloqueou 2,6 milhões de chamadas
Foto: Reprodução Site OZZ

A DMA (Digital Made Accessible), empresa que fornece tecnologia de atendimento e segurança digital para mais de 170 grandes companhias no Brasil, passou a falar diretamente com o consumidor. A empresa lançou o Ozz, aplicativo contra golpes telefônicos que bloqueia automaticamente chamadas classificadas como golpe ou spam antes do atendimento e reúne os canais oficiais de empresas como Claro, TIM, Bradesco, Caixa e Magazine Luiza.

O app está disponível para Android e iOS com o nome My Ozz. Desde o lançamento, em julho de 2026, já bloqueou mais de 2,6 milhões de chamadas de golpe e spam, segundo a empresa. A meta para os próximos 12 meses é alcançar 1 milhão de usuários ativos, “como primeiro passo para ser a principal plataforma de proteção de chamadas do País”, afirma a CEO e cofundadora da DMA, Flávia Pollo Nassif.

Gratuito por estratégia

O Ozz não cobra assinatura nem exibe publicidade. A DMA não divulga quanto investiu no aplicativo. A conta, no entanto, fecha do lado corporativo. A empresa ganha dinheiro vendendo a grandes companhias duas soluções: a Digital Call, que transforma a ligação para um call center em um menu de atendimento na tela do celular, e a Protect Call, que derruba chamadas de golpistas que se passam pelas centrais dessas empresas.

As duas dependem de um mesmo ativo, a disposição do consumidor em atender o telefone. “Quando as pessoas deixam de atender por receio de golpes, as empresas encontram mais dificuldades para prestar serviços e manter o relacionamento com seus clientes”, diz Flávia Pollo Nassif. Para a executiva, ao bloquear golpes e facilitar o acesso aos canais oficiais, o Ozz “amplia a proteção das pessoas e fortalece, indiretamente, a atuação B2B da DMA com soluções como a Digital Call e a Protect Call”.

Flávia Pollo Nassif
Flávia Pollo Nassif, CEO e cofundadora da DMA, empresa que lançou o aplicativo Ozz contra golpes telefônicos | foto: Eduardo Galeno/Monte Castelo Produções

As empresas clientes não pagam valor adicional para aparecer no aplicativo. Hoje, a tecnologia da DMA está integrada aos apps dessas companhias e alcança 160 milhões de dispositivos no Brasil. Com o Ozz, o usuário não precisa ter instalado o aplicativo de nenhuma delas para acessar os menus digitais de atendimento.

Como o aplicativo identifica o golpe

A identificação das chamadas suspeitas é feita pela Protect AI, inteligência artificial (IA) proprietária da DMA. O sistema cruza sinais como origem, frequência, recorrência, volume e horários das ligações, além de consultar bases de reputação de empresas. Segundo a DMA, o modelo não depende de listas fixas nem de denúncias de usuários. O resultado alimenta uma base de mais de 7 milhões de números, atualizada diariamente.

Em agosto, ao apresentar o produto, a DMA informou que o Ozz analisa mais de 20 milhões de chamadas por dia. O usuário também pode bloquear números manualmente e consultar o histórico de ligações.

O que dizem os números

A DMA afirma ter evitado mais de 500 milhões de tentativas de golpe telefônico desde março de 2024. O dado, porém, se refere à Protect Call, solução anterior ao Ozz, que funciona dentro dos aplicativos das empresas clientes. O ritmo cresceu nos últimos meses. Em fevereiro deste ano, a ferramenta bateu recorde ao bloquear 39,5 milhões de chamadas fraudulentas, alta de 28% sobre janeiro, segundo dados divulgados pela própria empresa.

A empresa também diz proteger mais de 13% da população em idade ativa. Para chegar ao percentual, a DMA considera uma base de 140 milhões de pessoas e conta os números de telefone únicos protegidos nos últimos 12 meses. “São, portanto, indicadores distintos: o volume de bloqueios mede as tentativas interrompidas, enquanto os números únicos protegidos indicam o alcance da proteção”, explica a CEO.

Disputa com gigantes e com a regulação

O Ozz chega a um mercado com concorrentes estabelecidos. Android e iOS têm filtros nativos, as operadoras oferecem serviços de bloqueio e o truecaller, de atuação internacional, é um dos aplicativos mais conhecidos da categoria. Há ainda o Não Me Perturbe, cadastro que restringe ligações de telemarketing, mas não identifica fraudes.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também atua no tema. A agência colocou em operação o Origem Verificada, sistema que exibe na tela do celular o nome da empresa, a logomarca, o motivo do contato e um selo que atesta a autenticidade do número. A adesão é voluntária por enquanto, e a oferta passa a ser obrigatória em 2028.

A DMA aposta na especialização. “O Ozz foi criado para a realidade brasileira de golpes e spam, a partir da experiência da DMA na proteção das interações entre grandes empresas e seus consumidores”, afirma Flávia Pollo Nassif.

Falsas centrais e voz clonada

Entre as abordagens mais frequentes identificadas pela empresa estão falsas centrais de atendimento, simulação de confirmação de compras, pedidos de dados pessoais e falsas provas de vida. Também aparece o spoofing, quando a chamada imita o número da própria vítima. O padrão se repete em Belo Horizonte. Levantamento da CDL/BH mostrou que a falsa central de atendimento é o golpe financeiro mais comum na Capital, e 31% dos consumidores ouvidos relataram ao menos uma tentativa de fraude financeira em 12 meses.

A clonagem de voz por inteligência artificial torna a abordagem mais convincente. A estratégia do Ozz é agir antes da conversa. “Dessa forma, pode interromper inclusive uma tentativa que utilizaria voz clonada, sem depender da análise do áudio”, diz a CEO. O app também bloqueia chamadas mudas, usadas com frequência na preparação de golpes.

Dados do usuário

Segundo a DMA, o aplicativo usa apenas número de telefone, dados de interação, preferências e informações de autenticação. A proteção combina criptografia, acesso restrito, autenticação multifator e monitoramento. A empresa afirma seguir os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e o usuário pode revogar permissões a qualquer momento.

Fundada em 2018, a DMA é uma empresa de tecnologia de médio porte que opera em modelo 100% remoto, sem sede física. Atende setores como financeiro, telecomunicações, varejo, saúde, seguros e serviços essenciais. Entre os clientes estão Claro, TIM, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Magazine Luiza, Riachuelo, Enel, Light, Mapfre, Globo e Natura. A empresa afirma já ter digitalizado mais de 2 bilhões de chamadas.

Sobre o autor

Luciana Montes

Editora Executiva do Diário do Comércio desde 2019. Atuou como repórter e editora de Economia e Negócios entre 2004 e 2018. Graduada em Comunicação Social pela Fafi-BH, com pós-graduação em Tecnologias da Informação e Marketing em Comunicação. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/luciana-montes


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