Meu Locker cresce 30% em 2025 e prepara entrada no México

Empresa mineira de armários inteligentes soma R$ 17 milhões em contratos e aposta em condomínios, varejo e parceria com os Correios para ganhar escala
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Meu Locker cresce 30% em 2025 e prepara entrada no México
Com mais de 2 mil equipamentos em operação, a Meu Locker atende condomínios e empresas com armários inteligentes que recebem cerca de 5 mil encomendas por dia e permitem a retirada a qualquer hora | Foto: Divulgação Meu Locker

A Meu Locker, fornecedora mineira de armários inteligentes para recebimento de encomendas, encerrou 2025 com crescimento de 30% em lockers instalados e contratos firmados. O resultado operacional andou mais depressa: o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 50% no ano. A empresa não divulga faturamento.

O número confirma a meta anunciada no início do ano passado. Em março de 2025, a empresa projetou ao Diário do Comércio um avanço de 30% em novos negócios, depois de ter crescido 50% em 2024. Até o fim de 2025, a carteira somava cerca de R$ 17 milhões em contratos fechados. São mais de 2 mil equipamentos em operação, por onde passam aproximadamente 5 mil entregas por dia. Segundo a própria empresa, ela é a única do setor com origem em Minas Gerais.

O descompasso entre a expansão da base e a do Ebitda sugere ganho de eficiência num negócio que depende de escala para diluir custos de instalação e manutenção. A Meu Locker atua na chamada última milha, etapa final da entrega e, em geral, a mais cara da cadeia logística. O avanço do comércio eletrônico multiplicou o volume de pacotes em portarias de prédios e pressionou varejistas a buscar alternativas à entrega porta a porta.

“Estamos saindo de um nicho tecnológico para nos tornarmos um player essencial na logística de última milha”, afirma o CEO da empresa, Gabriel Peixoto.

Condomínios sustentam a receita

Os condomínios residenciais e comerciais seguem como as principais fontes de receita. Nesse mercado, o armário substitui a guarda manual de encomendas pela portaria, permite retirada a qualquer hora e se integra a sistemas de portaria remota, modelo que vem ganhando espaço como forma de reduzir a folha de pagamento dos prédios.

O segmento de e-commerce e pequenos negócios cresce em ritmo mais acelerado. Ali, os lockers funcionam como pontos de retirada, em que o consumidor busca o pedido em vez de recebê-lo em casa, o que reduz o custo do frete para o lojista.

No espaço público, a parceria com os Correios já soma 63 lockers de 40 portas cada, pouco mais de 2,5 mil compartimentos disponíveis para retirada de encomendas. A estatal começou a instalar o modelo de autoatendimento em Minas com um equipamento no Shopping Estação BH, na região Norte da Capital.

Novas frentes de receita

A empresa também testa usos fora da logística tradicional. Entre eles estão chapelarias inteligentes para casas noturnas, eventos e feiras, que combinam guarda-volumes, recarga de celular e exibição de mídia digital, e soluções de guarda-volumes voltadas a hóspedes de Airbnb e plataformas de turismo.

Outra aposta é a abertura das portas por reconhecimento facial e biometria. Nesse modelo, a Meu Locker não armazena dados biométricos. A identificação é feita pelo sistema de um parceiro, e a plataforma da empresa apenas recebe a confirmação de identidade e libera os compartimentos correspondentes.

“Cada nova frente não é um desvio de rota, mas uma extensão natural do que fazemos melhor: transformar a logística de última milha em uma experiência segura, conveniente e totalmente digital”, diz Peixoto.

México no radar

Além do Brasil, a Meu Locker opera na Bolívia, no Paraguai, no Peru e na Argentina. Para 2026, o plano inclui a entrada no México e a abertura de novos canais de aquisição de clientes. A empresa não detalhou metas de investimento nem de número de equipamentos para o próximo ano.

“A vantagem mineira de origem não nos limita”, afirma o executivo. Segundo ele, a origem é “um ponto de partida para pensarmos em escala continental”.

Sobre o autor

Luciana Montes

Editora Executiva do Diário do Comércio desde 2019. Atuou como repórter e editora de Economia e Negócios entre 2004 e 2018. Graduada em Comunicação Social pela Fafi-BH, com pós-graduação em Tecnologias da Informação e Marketing em Comunicação. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/luciana-montes


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