Superforno criado em Minas prepara alimentos em segundos e chega a 50 países

Tecnologia desenvolvida pela Prática e Inatel no Sul de Minas combina micro-ondas e ar aquecido em alta velocidade; fabricante exportou 3,2 mil unidades para 50 países em 2025
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Superforno criado em Minas prepara alimentos em segundos e chega a 50 países
Foto: Divulgação/ Prática

Uma tecnologia desenvolvida no Sul de Minas pela Prática, fabricante de equipamentos para preparação de alimentos com sede em Pouso Alegre, em parceria com o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), de Santa Rita do Sapucaí, pode aumentar a produtividade e reduzir custos operacionais de padarias, supermercados e centrais de produção de alimentos.

Da parceria nasceu o Speed Oven (forno rápido), equipamento que combina micro-ondas de alta potência e circulação de ar aquecido em alta velocidade para reduzir o tempo de preparo dos alimentos. A tecnologia permite aquecer, assar e gratinar produtos em poucos minutos ou até segundos, dependendo da preparação.

“Ele usa uma tecnologia que trabalha com micro-ondas, o mesmo tipo que a gente tem em casa para aquecer mamadeira ou água. Mas ele também tem ar em altíssima velocidade, que passa de 100 quilômetros por hora lá dentro, e alta temperatura, podendo chegar a 320 graus”, explica o cofundador da Prática, Luiz Rezende.

“Com isso, você prepara em 30 segundos um sanduíche que normalmente faria na chapa. Faz uma lasanha com o queijo derretido e gratinado por cima em cerca de cinco minutos. É um produto que resolve muito a questão da eficiência produtiva numa lanchonete, numa loja de conveniência ou mesmo numa cozinha”, completa.

Luiz Eduardo Rezende Prática
Luiz Rezende, cofundador da Prática, destaca a inovação do Speed Oven | Foto: Divulgação/Prática

A tecnologia desenvolvida pela empresa avançou da pesquisa à produção em escala industrial e ganhou espaço no mercado internacional. Somente em 2025, a Prática exportou mais de 3,2 mil unidades do Speed Oven para 50 países. A companhia também mantém unidades próprias no Chile, nos Estados Unidos e na Alemanha.

Redes como Subway, Starbucks, BR Mania, Oxxo e Shell Select estão entre os clientes da Prática. Segundo a empresa, os negócios já cresceram 10% no Brasil e 20% no mercado internacional em 2026. Para 2027, a companhia planeja ampliar sua presença no exterior com a abertura de uma filial no México.

Pressão por eficiência e redução do desperdício

A expansão do Speed Oven ocorre em um momento de transformação do mercado de alimentação fora do lar, marcado pela busca por produtividade e redução de custos. Segundo dados divulgados em 2026 pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), em parceria com a plataforma de inteligência de mercado Wise Sales, o setor de food service brasileiro movimentou R$ 287,9 bilhões em vendas em 2025, o equivalente a 28,3% das vendas da indústria de alimentos no mercado interno.

O País reúne aproximadamente 1,2 milhão de estabelecimentos de alimentação fora do lar. Somente em 2025, foram abertas cerca de 420 mil empresas no segmento. O levantamento também aponta maior profissionalização das operações e ampliação do uso de tecnologia na gestão, nos processos produtivos e no relacionamento com os consumidores, com foco no aumento da eficiência e na redução do desperdício.

“O equipamento reduz o desperdício. Imagine: você monta a vitrine da lanchonete, frita a coxinha, assa a empadinha. Para manter a qualidade do alimento, ele precisa ficar acima de 60 graus. Só que o alimento vai ressecando e pode ir para o lixo. Com o equipamento, trazemos o conceito de cadeia do frio. A vitrine fica resfriada, a dois ou três graus, com os alimentos pré-preparados. Quando o cliente faz o pedido, você leva ao forno e, em segundos, o alimento está pronto com a mesma qualidade de quem acabou de prepará-lo”, explica Rezende.

Perspectivas para 2027

Para 2027, a Prática pretende ampliar sua atuação no mercado internacional de food service. Segundo Rezende, há espaço para expandir as vendas dos equipamentos da companhia, que conta com 750 colaboradores e registrou faturamento de R$ 480 milhões em 2025. Para 2026, a projeção é de crescimento de 12,5% na receita, que poderá alcançar R$ 540 milhões.

Sobre o autor

Anderson Gonçalves

Jornalista desde 2002, especialista em Projetos Editoriais e campanhas políticas. Desde 2025 é repórter de economia e negócios no Diário do Comércio.


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