Estudo da UFMG mapeia regiões de Minas com potencial para nova política industrial

Levantamento identificou regiões mais competitivas em Minas
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Estudo da UFMG mapeia regiões de Minas com potencial para nova política industrial
A pesquisa da UFMG também abre espaço para avaliar a aplicação dos recursos da política industrial | Foto: Foca Lisboa / UFMG

Minas Gerais reúne regiões competitivas e áreas com potencial de desenvolvimento em cadeias produtivas consideradas estratégicas pela Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial criada pelo governo federal. O cenário foi identificado em estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde foram mapeadas 28 cadeias prioritárias distribuídas nas missões da NIB. As missões de agroindústria sustentável e transformação digital estão entre as que apresentam mais regiões promissoras em Minas Gerais.

Lançada em 2023, a NIB estabeleceu seis missões para guiar o esforço de fortalecimento de cadeias produtivas consideradas estratégicas para o desenvolvimento nacional. As missões foram divididas em agroindústria sustentável; complexo econômico-industrial da saúde; infraestrutura e mobilidade; transformação digital; bioeconomia e transição energética; tecnologias para soberania e defesa.

Conforme o professor do Cedeplar, João Prates Romero, o estudo da UFMG foi o primeiro a identificar, de forma sistemática, quais atividades econômicas compõem essas cadeias e como elas estão distribuídas no território brasileiro. O estudo, realizado em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisou a localização das atividades produtivas, a competitividade regional e o potencial de desenvolvimento.

Para Romero, o levantamento permite detalhar setores que estavam indicados de forma mais ampla na política industrial nacional. “Uma contribuição importante do estudo foi fazer o mapeamento. A NIB indicava as cadeias prioritárias, mas não definia exatamente quais atividades econômicas estavam associadas a elas. Nós identificamos os subsetores relacionados a cada cadeia e, a partir disso, conseguimos analisar onde essas atividades estão localizadas e quais regiões apresentam condições para desenvolvê-las”, diz.

Para Minas Gerais, o estudo mostra maior competitividade na região Central, especialmente em Belo Horizonte, enquanto o Norte do Estado é uma região onde se tem menos atividades promissoras. As missões de agroindústria sustentável e transformação digital concentram o maior número de regiões mineiras classificadas como promissoras.

A missão de agroindústria sustentável reúne cadeias como agricultura de precisão, drones, sensores, fertilizantes e biofertilizantes e máquinas agrícolas. No caso de Minas, há regiões promissoras distribuídas pelo Estado, incluindo áreas do Triângulo e Sul.

Na transformação digital, também há diversas regiões mineiras classificadas como promissoras. O complexo econômico-industrial da saúde também apresenta competitividade em Minas, principalmente na região Central, considerando Belo Horizonte com o Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas) da UFMG. A bioeconomia, por sua vez, tem presença em atividades relacionadas a hidrogênio verde, cimento verde, combustível sustentável de aviação, aço verde, química verde, aerogeradores e painéis solares. A área mais competitiva também é a região Central.

Segundo Romero, a distribuição territorial é importante para evitar que os investimentos relacionados à política industrial se concentrem apenas nos locais que já apresentam maior competitividade. “As regiões promissoras são aquelas que já têm algum nível de atividade, mas ainda não estão entre as mais competitivas. Então existe uma base produtiva instalada e, a partir dela, é possível avaliar o que falta para melhorar o desempenho. Isso pode envolver mão de obra, infraestrutura, tecnologia ou uma conexão maior com universidades”, explica.

O estudo aponta ainda que as cadeias analisadas, em geral, apresentam nível de complexidade econômica superior à média brasileira. Para os pesquisadores, atividades mais complexas estão relacionadas a maior capacidade de geração de empregos, salários e crescimento econômico.

“Quando identificamos uma cadeia e uma região, o próximo passo é entender o que está faltando para aquele setor avançar. O estudo ajuda justamente nessa definição. Pode ser necessário investir em formação de mão de obra, infraestrutura ou capacidade científica. A partir desse diagnóstico, as políticas podem ser mais direcionadas”, observa.

A pesquisa também abre espaço para avaliar a aplicação dos recursos da política industrial e verificar se os setores identificados estão recebendo investimentos compatíveis com as prioridades estabelecidas pela NIB. “Agora é possível analisar se aquilo que foi mapeado está batendo com o que está sendo financiado e acontecendo na prática. Se não estiver, existe a possibilidade de discutir uma correção de rota. O objetivo é contribuir para que os recursos sejam destinados de forma mais eficiente”, diz Romero.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


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