Belo Horizonte terá centro inédito no Brasil para desenvolver vacinas e terapias de RNA

Com investimento de R$ 60 milhões, o Centro de Competência em Terapias e Vacinas de RNA (CTV-RNA) é o único do País e prepara primeiros desenvolvimentos
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Belo Horizonte terá centro inédito no Brasil para desenvolver vacinas e terapias de RNA
Foto: Virgínia Muniz/CTVacinas

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai abrigar o primeiro Centro de Competência em Terapias e Vacinas de RNA do Brasil. A iniciativa, oficializada em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), terá investimento de R$ 60 milhões nos próximos quatro anos e deve concluir as obras no segundo semestre de 2027.

Mesmo antes da conclusão da estrutura física, o centro já prepara os primeiros desenvolvimentos. Em fase mais avançada estão os estudos sobre uma vacina contra a malária, doença que atualmente coloca em risco cerca de metade da população mundial. De acordo com a coordenadora do CTV-RNA, Santuza Teixeira, a mesma tecnologia poderá ser utilizada em terapias contra o câncer e outras condições.

“É uma tecnologia absolutamente inovadora, que já vem sendo dominada em vários países. E o Brasil precisa se colocar também dentro desse contexto de inovação na área de vacinas e terapias. Quando a gente fala dessa tecnologia, todo mundo pensa na vacina contra a Covid-19 da Pfizer, mas vai muito além. Existem várias outras terapias, novas formas de cura de doenças, para novos tratamentos que são agora possíveis utilizando a tecnologia de RNA”, explica Santuza Teixeira.

Centro aproxima pesquisa e indústria

Coordenado pelo CTVacinas, o CTV-RNA nasce com a missão de transformar o conhecimento acumulado pela ciência brasileira em vacinas, terapias, empresas e capacidade produtiva nacional. A proposta é aproximar pesquisadores e indústria para que as tecnologias ultrapassem as fronteiras dos laboratórios e cheguem à população.

Para o presidente do BH-Tec, Marco Crocco, ter um Centro de Competência Embrapii fortalece a função do Parque Tecnológico, que é um espaço de conexão da universidade com a sociedade, no qual o conhecimento pode ser transferido de uma forma mais ágil, específica e direcionada.

“Ter essa unidade é fundamental porque não só fortalece esse ambiente, essa ponte que é o Parque, como também ajuda a universidade a cumprir sua função social e a sociedade a absorver o conhecimento de uma tecnologia produzida aqui dentro”, pontua Crocco.

Segundo o reitor da UFMG, Alessandro Moreira, a instalação do Centro de Competência coroa uma longa trajetória de pesquisas e de esforço para responder às necessidades do cotidiano da população.

“O nosso papel é atender a sociedade nas suas necessidades. É muito importante que a sociedade saiba que para se chegar aqui, isso não começou há um mês. É um trabalho de 10, 20 anos que consolida a UFMG na produção de vacinas. Esse é um marco para a instituição e para o Estado. A Embrapii é um modelo de inovação muito potente que coloca a instituição de ciência junto com a sociedade, a indústria e as empresas”, analisa Moreira.

Também presente no lançamento, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Carlos Arruda, destacou o fato de Minas Gerais ter 14 unidades Embrapii e dois Centros de Competência – além do CTV-RNA, em Belo Horizonte, o Centro de Competência Embrapii Inatel em Redes 5G e 6G – xGMobile, em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas.

Oficialização pública do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA)
Oficialização do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA) | Foto: Virgínia Muniz/CTVacinas

“Queremos apoiar projetos como o CTVacinas, como o Centro de Competência em Terapias e Vacinas, que sejam relevantes, que gerem conhecimento, impacto na sociedade, na saúde, na economia, no desenvolvimento, na redução das desigualdades. É nisso que nós acreditamos. Então, temos um exemplo maravilhoso de Embrapii e Fapemig juntos com uma instituição espetacular que é a UFMG, trazendo o potencial de gerar o conhecimento. Além da importância dessa iniciativa para formação de talentos”, destaca Arruda.

Na avaliação do secretário adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Jorge Valadares, pesquisas que trabalham na fronteira do conhecimento, formação de uma mão de obra extremamente qualificada e a transferência de tecnologia para o setor produtivo para transformar o conhecimento em produtos e serviços que cheguem à população de forma democrática, ajudam o Brasil a se reposicionar no ecossistema de inovação mundial.

“O ecossistema de inovação em saúde é bastante complexo. A gente verifica que nos últimos anos nós tivemos uma perda de complexidade produtiva importante, apesar da nossa ciência ser excelente, ser de primeira linha, nossa dependência tecnológica, principalmente em produtos de alta tecnologia, continua aumentando e iniciativas como essa, patrocinadas e financiadas pelo Ministério da Saúde, juntamente com a Embrapii, é o que possibilita consolidar o conhecimento no País, consolidar essa base produtiva e desenvolver soluções voltadas aos problemas de saúde, não só do Brasil, como de toda a América Latina. A única forma de você reter talentos qualificados na área de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde são exatamente iniciativas como essa que é do BH-Tec, como essa do CTVacinas, que agora passa a se credenciar como unidade Embrapii”, completa Valadares.

Sobre o autor

Daniela Maciel

Repórter do Diário do Comércio desde 2011. Graduada em Jornalismo pelo UniBH e em História pela UFMG.

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