Polarização outra vez acirra corrida ao Planalto
“Na política, calmaria pode ser prelúdio de tempestade inesperada.” (Alarico Silva, professor).
A sucessão presidencial, apesar da distância de oito meses, já galvaniza um bocado de atenções no noticiário nosso de cada dia, plataformas digitais, tribunas parlamentares e papos de rua. As especulações provocadas principalmente pelas pesquisas eleitorais pululam. Estas consultas prévias a cidadãos, que estarão atendendo à convocação cívica para a escolha de seus governantes e legisladores, servem para mostrar as tendências de um momento específico na caminhada dos políticos em busca de apoios.
Tais tendências, como é da dinâmica política, estão sujeitas a chuvas e trovoadas. Tal qual acontece na meteorologia, na atividade política também a calmaria de um instante pode representar o prelúdio de tempestade inesperada.
Isso posto, cuidemos de anotar o que elas andam dizendo. Os dados são, obviamente, colhidos sob o signo das incertezas conjunturais. A polarização observada entre as forças políticas lulista e bolsonarista de 2022 continua prevalecendo, como se o País estivesse ainda imerso no segundo turno. Os levantamentos da Quaest e Datafolha recém-divulgados desenham um cenário de cristalização das paixões.
O presidente Lula mantém a liderança numérica em simulações de primeiro turno, orbitando entre 38% e 39% das intenções de voto. Já o senador Flávio Bolsonaro, consolidado como herdeiro do capital político do pai, surpreende os analistas, aparecendo com 32%. O fenômeno mais agudo, todavia, desponta nas projeções para o embate decisivo: pela primeira vez, constata-se um empate numérico de 41% em cenários de segundo turno. A distância entre os dois polos nunca foi tão estreita.
Enquanto isso, nomes como os dos governadores Romeu Zema, Ratinho Jr., Ronaldo Caiado e Eduardo Leite figuram como alternativas que, embora bem acolhidas em seus respectivos estados, ainda buscam visibilidade para romper a barreira dos dois dígitos em termos nacionais.
A chamada “rejeição fantasma”, considerada por muitos como fator de definição, causa naturalmente preocupação aos contendores. Acontece que, segundo as pesquisas, 50% das pessoas consultadas manifestam-se contrárias a ambos os competidores. Este dado, no ver de especialistas, sugere que a competição poderia criar uma “ensancha oportuna”, como se dizia em tempos de antigamente, para uma candidatura que se contrapusesse aos posicionamentos e propostas dos candidatos com situações consolidadas. Algo que, no momento, parece bem distante da realidade.
O desfecho da pugna eletiva não será norteado, provavelmente, apenas pela simpatia a um candidato, mas pelo receio infundido pelo oponente. O que se vislumbra nos horizontes de outubro é céu carregado. Que saibamos, como cidadãos, distinguir o ruído das trovoadas retóricas da verdadeira voz das necessidades nacionais.
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