Da inteligência, artificial, humana e de nenhuma
Sem mencionar a IA, Inteligência Artificial, não há mais conversas entre os sábios no Brasil. Sejam líderes empresariais, políticos ou do governo, ou seja, qualquer um que têm uma oportunidade de falar sobre o futuro do Brasil, menciona a IA. E não se recomenda muito perguntar sobre o que quer dizer isso concretamente, porque com a ausência do icônico Odorico Paraguaçu, não vamos receber uma resposta que esclareça o assunto com sabedoria e humor.
A IA não é nenhuma novidade na vida humana porque o nosso progresso sempre se deu com o uso de ferramentas que introduziam soluções de uso da inteligência artificial, ajudando o homem e sua inteligência. Veja um exemplo, hoje muito em voga e até preocupante. Após o aparecimento da internet, tive o caso de dar aula para alunos de doutorado e, num momento, uma aluna contestou uma informação minha. “Como assim?”, acabei de perguntar, “se conheciam o assunto.” “Não conhecíamos, mas estou acompanhando sua aula com uma aula no MIT.” Isso há 25 anos.
Hoje os alunos fazem textos completos com ferramentas de IA. As informações estão disponíveis com um toque. Você não precisa nem saber ler ou escrever para usar a IA no seu celular, pedindo informações e recebendo respostas adequadas.
Fiz testes com algumas ferramentas pedindo que me escrevessem um artigo para esta coluna. Sem problemas, em português perfeito, com dados e informações atualizadas e ainda com pergunta no final, se quero que seja o artigo mais ou menos enfático sobre o assunto. Já tive um caso em que o meu discurso de lançamento de um livro em esloveno foi escrito em esloveno. Li, mas quando terminei e ia dizer que quem escreveu não fui eu, para chamar a atenção sobre a extensão de uso de IA, as pessoas e a autora do livro se levantaram e aplaudiram entusiasticamente.
O uso de IA, além de requerer enormes investimentos trilionários, está levantando inúmeras questões éticas, de segurança individual e do Estado, de predominância de poucas empresas, um poder superconcentrado e até abusivo. Então há um papel do Estado no seu desenvolvimento e na sua regulação. Como a esperança é a última que morre, cabe a pergunta se a IA e seu desenvolvimento no país vai fazer parte do debate dos candidatos. E se por acaso a resposta do candidato não for “é uma pergunta muito inteligente, agradeço, sobre uma questão complexa.”
O desafio não é só macro, mas também individual. Quanto nós, adultos já formados, estamos preparados para novos tempos e o que estamos fazendo na educação para preparar novas gerações. Você pode até dizer que o uso de IA está fora do seu alcance hoje, mas se seus concorrentes, sejam profissionais ou empresas, ou seus clientes usarem, você só tem um caminho: usar também. E para isso, tem que se reciclar, porque inteligência artificial só é útil para quem tem conhecimento, ou, no popular, é inteligente. Para simplificar: para pergunta idiota, tem resposta idiota.
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