Eleições sob risco
Faltando apenas 7 meses para as eleições gerais de outubro, momento em que os brasileiros, representados por aqueles habilitados ao voto, serão chamados a decidir sobre o futuro do País, persistem grandes dúvidas quanto à integralidade do processo. E por conta, principalmente, da apropriação das plataformas digitais, com destaque para as chamadas redes sociais, transformadas em ferramentas de desinformação. Tudo numa escala que parece totalmente fora de controle e a serviço de interesses que certamente não são aqueles que melhor refletem a vontade coletiva.
As tentativas de estabelecer parâmetros aceitáveis de monitoramento e controle, à semelhança do que já foi feito por exemplo na Europa, continuam esbarrando em interesses contrariados e sob o falso argumento de que qualquer movimento de contenção seria o equivalente a algum tipo de censura, de cerceamento da liberdade. Precisamente o contrário do esperado e desejado, com a opinião pública ao fim e ao cabo sendo submetida a um processo de manipulação sem precedentes e, evidentemente, de enorme risco para o processo eleitoral, mais amplamente para a própria organização política e social.
São riscos que definitivamente não podem ser dados como aceitáveis, como próprios da modernidade, sendo fundamental que as autoridades públicas, sobretudo aquelas com maior responsabilidade sobre a integridade do processo eleitoral, mais que vigilantes sejam atuantes. Trata-se de coibir, e de pronto, o uso indevido dos sistemas digitais de comunicação, banindo por inteiro as chamadas fake news e chamando à responsabilidade seus autores, independentemente da coloração política desses agentes da mentira e do mal.
Também estão a merecer maiores atenções e cuidados as pesquisas de opinião, em primeiro lugar aquelas que contornam as disposições legais e tem sido relativamente constantes. Mais uma vez a mentira tentando influenciar e desviar, corrompendo assim todo o processo político culminando com os resultados da votação.
Pede atenção a constatação de que nos primeiros meses do ano foram realizadas 148 pesquisas com nota e contratante devidamente identificados e outras 125 sem a devida identificação, conforme apurado e divulgado pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também chama atenção os gastos envolvidos na realização de pesquisas, que subiram à casa dos milhões e sem que seja sabido quem as financia.
Resta somente concluir que, a prosseguir nessa toada, com mentiras substituindo debates e argumentos fundamentados, será possível afirmar que o processo eleitoral, pilar da própria democracia, estará impossibilitado descumprir seu papel.
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