Horror ao extremo
A semana que chega ao fim, e com alguma dose de alívio para os mais sensíveis, foi marcada, no cenário da guerra entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã de outro, pelos extremos. Com o presidente Donald Trump ameaçando transformar o Irã em algo como a própria sucursal do inferno, e o extremo de chegar a dizer que estaria pronto para aniquilar uma civilização inteira. Tudo isso para arrematar com anúncio de trégua de 10 dias. Mas bem ao seu estilo, sem efetiva suspensão de bombardeios e mantido o bloqueio do Estreito de Ormuz. Trump canta vitória, assegura que todos os objetivos estratégicos da campanha foram atingidos, mas não é esta a impressão predominante e em que o presidente norte-americano é visto como alguém levado a um beco sem saída. E absolutamente indiferente à distancia entre seu discurso a realidade, mesmo sabendo que simplesmente não tem como bancar a intensidade dos ataques, muito menos um confronto direto homem a homem.
Assim, e independentemente do que possa acontecer nos próximos dias e horas, permanece a certeza da insensatez levada a limites que até o presente nunca tinham sido alcançados. E para que, sempre com absoluta naturalidade, repetir palavras como matar ou exterminar, como se descartar inimigos com bombas ou balas certeiras fosse não mais que a banalização da violência, da barbárie que parece bem perto de não guardar referencias pretéritas. Caberia assim à humanidade apenas antecipar os próximos alvos, do Canadá ao México e Colômbia, passando pela Groelândia e países africanos. E tudo sem disfarçar que o objetivo final do cerco ao Irã bem poderia ser tomar o petróleo do país para “fazer fortuna”. Tudo às claras, sem qualquer tentativa de disfarçar intensões e sob o manto de uma legitimidade que não se sabe de onde possa ter vindo.
Eis o horror levado ao extremo, a violência e a força como argumentos únicos de alguém que talvez se imagine “senhor do mundo”. Todos, absolutamente todos, estão ao alcance da alça de mira desse senhor e tudo poderá acontecer até que a população norte-americana, que já se manifesta com intensidade, atue para levar seu país de volta ao eixo da sensatez.
Exatamente como reclama um outro norte-americano, o papa Leão XIV, que em recente pronunciamento, chamou atenção para a indiferença de todos que julgam possível apenas contemplar conflitos à distância. Para assim criticar o que chamou de “naturalização da violência” e cobrar daqueles que têm o poder de desencadear guerras que afinal escolham a paz.
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