Editorial

Perguntas e respostas

Faltam explicações sobre como e porque os movimentos do Banco Master só foram percebidos já em níveis extremos
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Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

O Banco Master está no centro das atenções desde novembro passado, quando o Banco Central determinou sua liquidação. E tudo coincidindo com a divulgação de resultados de apurações da Polícia Federal que identificou movimentos um tanto suspeitos em negociações com o Banco Regional de Brasília, o BRB. Com ativos estimados em R$ 70 bilhões, o Master é um conglomerado de pequeno porte, sobretudo se comparado ao maior banco brasileiro na atualidade, o Itaú, cujos ativos chegam aos R$ 3 trilhões. Nada, enfim, que possa ameaçar o sistema financeiro do País, no qual suas atividades equivalem a apenas algo perto de meio por cento do total.

Nesses termos, portanto, nada de objetivo para justificar tanto barulho, o maior de todos dentre as mais de cem liquidações determinadas pelo Banco Central, se contadas a partir do ano 1994, ano de lançamento do Plano Real. Caberia registrar, por outro lado e conforme já foi assinalado, a velocidade dos movimentos que culminaram em novembro passado. O banco começou a operar em 2018 e quatro anos mais tarde seu patrimônio declarado somava R$ 1 bilhão, chegando a R$ 4,7 bilhões em 2024. Evolução tão rápida ou, mais, a extrema agressividade nas operações e promessas de ganhos, deveriam ter chamado mais atenção. Faltam explicações, agora, sobre como e porque estes movimentos só foram percebidos diante de situação extrema, tudo num ciclo de ascensão e queda que deveria ter provocado as reações de cautela e controle esperadas.

E tudo sem que se possa deixar de perceber movimentações atípicas com aparência de tentativas de intervenção no curso dos acontecimentos, com o agravante da participação ativa do Tribunal de Contas da União (TCU) e do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), ambos por suposto exorbitando de suas funções. Movimentos velados ou nem tanto, ainda carentes de esclarecimentos que deveriam ter sido tão ágeis quanto consistentes. Para assim conter desvios e apagar rumores que, estes sim, poderão provocar abalos de grandes proporções, ameaçando, para além do sistema financeiro, a credibilidade de instituições que são pilares do sistema político e da organização social no País.

Nada de pior a acontecer diante das tensões com que a nação brasileira tem convivido e justo no momento em que o calendário determina a realização de eleições presidenciais. Difícil acreditar que tudo possa estar no rol de meras coincidências.

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