Minas tem 8 das 10 cidades com maior abstenção no 1º turno das eleições de 2026; veja a lista

Rio Vermelho lidera o ranking nacional, com mais de 40% de eleitores ausentes; em Minas Gerais, 3,7 milhões não votaram no primeiro turno
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Minas tem 8 das 10 cidades com maior abstenção no 1º turno das eleições de 2026; veja a lista
Foto: Reprodução Adobe Stock

Minas Gerais concentra oito dos dez municípios brasileiros com as maiores taxas de abstenção no primeiro turno das eleições de 2026. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocam Rio Vermelho, na região Central do Estado, na liderança nacional, com 4.078 eleitores ausentes, o equivalente a 40,05% do eleitorado apto a votar. Na prática, cerca de quatro em cada dez eleitores do município não compareceram às urnas em 4 de outubro.

Santo Antônio do Itambé (39,54%) e Serra Azul de Minas (38,67%) ocupam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente, no ranking nacional. As taxas foram calculadas pela divisão do número de abstenções pelo total de eleitores aptos a votar, multiplicando-se o resultado por 100.

Confira o ranking completo abaixo:

Vale lembrar que quem não compareceu às urnas no primeiro turno pode votar normalmente no segundo.

Abstenção em Minas supera 3,7 milhões de eleitores

No ranking das taxas de abstenção por estado, Minas Gerais ocupa a terceira posição, com 22,81% dos eleitores ausentes no primeiro turno. Mato Grosso do Sul lidera a lista, com 23,86%, seguido pelo Rio de Janeiro, com 23,32%.

(Veja o ranking completo abaixo).

Os mais de 3,7 milhões de eleitores que deixaram de votar em Minas Gerais em 4 de outubro representam 11,16% do total de abstenções registrado no País, de 33,46 milhões. Em comparação com as eleições gerais de 2022, quando a taxa de abstenção no Estado foi de 22,29% no primeiro turno, houve aumento de 0,52 ponto percentual.

Eleitores com ensino fundamental incompleto são maioria entre os faltantes nas urnas

Os dados do TSE também revelam o perfil dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno em Minas Gerais. Entre os ausentes, 25,2% tinham ensino fundamental incompleto, o equivalente a 943.059 pessoas, a maior parcela entre as categorias de escolaridade apresentadas.

Entre as faixas etárias, os eleitores de 25 a 29 anos registraram o maior número absoluto de ausências, com 379.168 faltantes nas seções eleitorais do Estado. Em relação ao estado civil, o número de eleitores solteiros que não compareceram às urnas (2,15 milhões) foi quase o dobro do registrado entre os casados (1,18 milhão).

Abstenção no segundo turno deve ficar entre 19% e 20%, estima especialista

O mestre em Ciência Política e professor de Direito Constitucional da Faculdade Estácio BH, Lucas Zandona, avalia que o elevado número de abstenções no primeiro turno, em todo o País, está associado a dois fatores: a apatia e a descrença dos eleitores no sistema político e a dificuldade de acesso às urnas em regiões periféricas.

Segundo o especialista, a tendência para o segundo turno é de uma redução modesta no número de eleitores ausentes, principalmente em razão da mobilização das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República.

“Esse percentual de 21,08% [registrado no primeiro turno] deve diminuir, mas não muito. Acredito que deve chegar entre 19% e 20%. Teremos ainda um grande percentual de eleitores que, apesar de não terem comparecido no primeiro turno, também não vão comparecer no segundo”, avalia.

Eleitores ausentes no primeiro turno não definem, necessariamente, o resultado final do segundo

Zandona avalia que, apesar de a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno ter sido inferior a dois pontos percentuais, é arriscado atribuir aos eleitores ausentes a capacidade de definir o resultado do segundo turno. Segundo ele, embora cada voto seja importante, uma mudança significativa no cenário eleitoral dependeria de uma redução expressiva da abstenção.

“Historicamente, esse percentual tem se mantido próximo dessa média de 21% e, por isso, uma queda acentuada é pouco provável. Além disso, os eleitores que comparecerem às urnas no segundo turno não necessariamente votarão no mesmo candidato, o que pode beneficiar ambos os concorrentes”, conclui.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026


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