Petrocity pode implantar mais um terminal de cargas em MG

Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Petrocity pode implantar mais um terminal de cargas em MG
Silva apresentou o projeto da Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo em audiência realizada ontem na Comissão Pró-Ferrovias | Crédito: Ricardo Barbosa/ALMG

Com a autorização de construção já publicada e investimentos de R$ 5 bilhões, são grandes as expectativas acerca da Estrada de Ferro Minas-Espírito Santo (EFMES), da Petrocity. Com quatro Unidades de Transbordo e Armazenamento de Cargas (Utac) previstas em todo o seu traçado, das quais duas já confirmadas em Minas Gerais, nos municípios de Governador Valadares e Ipatinga, a empresa estuda a implantação de mais um terminal para recebimento e distribuição das cargas que chegam e saem da ferrovia no Vale do Aço.

A cidade de Coronel Fabriciano está no páreo e apresentou, em audiência pública realizada pela Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), seus diferenciais competitivos para a atração do investimento. “O potencial é grande. Apenas na cidade contamos com duas duas empresas que já trabalham com importação e exportação e são reféns da malha rodoviária, o que atrasa as viagens em quase uma semana. Com a implantação do segundo Distrito Industrial (DI), outras empresas do mesmo perfil virão e a demanda pelo transporte ferroviário será ainda maior”, defendeu o prefeito Marcos Vinícius da Silva Bizarro.

O secretário de Administração e Desenvolvimento Econômico de Fabriciano, Daniel Nunes Linhares Papa, completou que o novo distrito industrial, em fase de terraplanagem, já conta com gasoduto e linhas de transmissão disponíveis em 226 lotes de 2 mil metros quadrados cada, próximos à BR-381 e à EFVM. E que três empresas já confirmaram a instalação no local e outras ainda estão em fase de estudos. “Muitas empresas da região estão com capacidade ociosa porque não têm como levar com eficiência seus insumos aos portos. A demanda é maior do que a capacidade de transporte”, citou.

O presidente da Petrocity, José Roberto Barbosa da Silva, recebeu o masterplan de Coronel Fabriciano e prometeu repassar à sua equipe para avaliar a viabilidade da implantação do terminal na cidade. Como primeira medida, a empresa deverá incluir Coronel Fabriciano em uma rodada de visitas técnicas a ser realizada no início de outubro, prevista inicialmente para ocorrer somente nas cidades onde serão instaladas as Utacs: São Mateus e Barra de São Francisco, no Espírito Santo, e Governador Valadares (Rio Doce) e Ipatinga (Vale do Aço).

A audiência pública atendeu a requerimento do presidente da comissão, deputado João Leite, e do deputado Tito Torres, ambos do PSDB. A proposta era justamente que representantes da Prefeitura de Coronel Fabriciano apresentassem à Petrocity o projeto do novo parque industrial, que incluirá uma plataforma multimodal (porto-seco).

Ferrovia terá transporte de cargas

Silva afirmou que o projeto prevê payback em oito anos, a partir do início das operações, previsto para 2024 e com a conclusão até 2026. Segundo ele, o projeto inclui ainda a instalação de um gasoduto e de uma infraestrutura de telecomunicações ao longo da nova ferrovia. Em São Mateus, além do porto, o Condomínio Logístico de Urussuquara contará, entre outras estruturas, com usina termelétrica, datacenter, unidade hoteleira e complexo administrativo.

“Ao iniciarmos os estudos, em 2018, quando a economia não ia tão bem, já identificamos um potencial de US$ 28 bilhões em mercadorias que são escoadas pela BR-381. Estamos falando de rochas ornamentais, café, aço, produtos agrícolas e cargas em geral”, detalhou.

Os chamados produtos conteinerizados vindos do exterior também estão no radar da Petrocity. Conforme Silva, a demanda de empresas já instaladas na região e a retomada do projeto de implantação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Governador Valadares, a partir da nova lei do setor, sancionada em julho, justificam a aposta.

Já o transporte de passageiros é mais complexo. “O projeto da EFMES foi concebido para o transporte de cargas até pela viabilidade econômica, uma vez que o modal ferroviário de passageiros no Brasil não se paga. Mas não tem nada descartado em relação a análise de transporte de passageiros”, revelou.

Por fim, o presidente da empresa disse que os próximos 15 meses serão decisivos no processo de implantação da ferrovia e muitas etapas já estão em execução. Contratos já foram assinados com a Odebrecht que será responsável pelo projeto de engenharia e construção da ferrovia; com uma empresa especializada em estruturação financeira, que está trabalhando no refinamento das cargas que serão transportadas; com uma empresa de regularização fundiária e com a DWL para estruturar os impactos ambientais e sociais do traçado da linha férrea.

Conforme já publicado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, originalmente, o projeto previa que a ferrovia teria 553 quilômetros, ligando o Norte e o Noroeste do Espírito Santo a Minas Gerais. No entanto, foi reduzido para 420 quilômetros de extensão e ligará o município de São Mateus (ES) a Ipatinga no Vale do Aço. O planejamento original previa a extensão da ferrovia até Sete Lagoas (Central), mas foi limitado para garantir a viabilidade ambiental e econômica.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Conteúdo Especial
Conectados 60+: os desafios e as oportunidades da inclusão digital na terceira idade