Pesquisas mineiras recebem R$ 5 milhões para criar soluções contra crise climática

Estudos de UFMG, UFLA e UEMG terão 36 meses para desenvolver tecnologias voltadas à redução de emissões e à adaptação do campo e da indústria
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Pesquisas mineiras recebem R$ 5 milhões para criar soluções contra crise climática
Crédito: Reprodução Pexels

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) vai destinar R$ 5,06 milhões para quatro projetos de pesquisa voltados ao enfrentamento das mudanças climáticas no Estado. As iniciativas, desenvolvidas por universidades mineiras, foram aprovadas no edital Minas pelo Clima, que integra o Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG). Os termos de outorga com a destinação das verbas foram publicados nessa quarta-feira (7) no Diário Oficial do Estado (DOE). Os projetos terão duração de 36 meses e envolvem tecnologias aplicadas à indústria, à agricultura e à pecuária para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Os projetos vão receber aportes individuais que variam de aproximadamente R$ 997 mil a R$ 2 milhões. As pesquisas são desenvolvidas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e Universidade Federal de Lavras (UFLA).

O maior aporte, de R$ 2 milhões, será destinado a uma pesquisa da UFLA voltada ao desenvolvimento de uma cadeia produtiva de pecuária de baixo carbono com uso de amendoim forrageiro. A planta leguminosa pode ser utilizada em sistemas de produção animal e tem potencial para contribuir para a melhoria da qualidade das pastagens e para a redução da necessidade de insumos nitrogenados.

O objetivo do estudo, coordenado pelo professor e pesquisador na área de zootecnia, Daniel Rume Casagrande, é criar indicadores que permitam validar os resultados ambientais da tecnologia e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa na atividade pecuária.

Do campo à indústria, pesquisas buscam reduzir emissões

Outra frente de pesquisa contemplada pelo edital está relacionada à transformação da indústria mineira. A UFMG receberá R$ 999 mil para desenvolver uma plataforma voltada à chamada siderurgia verde.

Sob o comando do professor do departamento de Física da instituição, Pedro Henrique Morais Andrade, o projeto desenvolve material capaz de capturar o dióxido de carbono (CO₂) da indústria e estudar sua transformação em produtos de maior valor, com foco na descarbonização da siderurgia em Minas Gerais.

Também na UFMG, outro projeto vai receber R$ 997,42 mil. A pesquisa, liderada pelo físico Carlos Basílio Pinheiro, usa inteligência artificial para descobrir mais rapidamente materiais capazes de separar e capturar gases, com aplicações na retirada de CO₂, na purificação de biogás e na redução das emissões industriais.

Imagem aérea da UFMG
Dois projetos da UFMG vão receber aportes de quase R$ 2 milhões no edital da Fapemig. | Foto: Reprodução AdobeStock

Já a quarta iniciativa, da UEMG, terá um subsídio de R$ 1,06 milhão para desenvolver um projeto capaz de combinar sensores, inteligência artificial e robôs que irão ajudar agricultores do Cerrado mineiro a enfrentar mudanças climáticas, reduzir desperdícios e tornar a produção mais eficiente. O estudo é coordenado pelo pós-doutor em Geoprocessamento e Mapeamento Digital de Solos pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Benito Roberto Bonfatti.

Edital aproxima ciência de desafios climáticos de Minas

O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Luiz Gustavo Cançado, espera que as iniciativas selecionadas transformem o conhecimento produzido por universidades, empresas e órgãos públicos em soluções capazes de contribuir para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas em Minas.

“O edital representa justamente uma tentativa de colocar a ciência no centro da busca por respostas para um problema que tem afetado muito as nossas vidas e vai afetar muito mais a vida dos nossos filhos e netos”, afirma.

Ainda segundo Cançado, os quatro projetos fazem parte de um conjunto de 54 propostas selecionadas pelo edital, que, segundo ele, tem caráter transdisciplinar. A chamada, que recebeu 373 trabalhos, não ficou restrita a universidades e centros de pesquisa: empresas, cooperativas, prefeituras, secretarias e outros órgãos públicos também puderam apresentar propostas, isoladamente ou em parceria.

Homem posando para foto institucional
Luiz Gustavo Cançado, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig. | Foto: Júlia Rodrigues/ACS Fapemig

Os estudos foram distribuídos em quatro categorias, de acordo com o perfil e a dimensão dos projetos. Entre elas estavam pesquisa e diagnóstico, que poderiam receber aportes de até R$ 500 mil; desenvolvimento tecnológico e prova de conceito, com financiamento de até R$ 1 milhão; inovação aplicada e escalável, com valores de até R$ 2 milhões; e projetos estratégicos ou de transformação sistêmica, que poderiam ser financiados com até R$ 3 milhões.

De acordo com Luiz Gustavo Cançado, o edital contempla, no total, um aporte de R$ 50 milhões que serão destinados aos trabalhos selecionados. O dinheiro não será necessariamente liberado de uma só vez. Os projetos terão metas e cronogramas de execução, e os repasses ocorrerão em parcelas, conforme o cumprimento e a comprovação das etapas previstas.

“À medida que eles vão preenchendo e executando as metas direitinho, isso vai tendo um processo de monitoramento. E aí eles vão recebendo os dispêndios”, conclui.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026


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