Semana Criativa de Tiradentes celebra 10 anos e espera superar 22 mil visitantes

Evento vai reunir mais de 80 palestrantes e deve superar os 22 mil visitantes e a marca de mais de 200 atividades do ano passado
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Semana Criativa de Tiradentes celebra 10 anos e espera superar 22 mil visitantes
Tiradentes se rende a várias manifestações culturais durante quatro dias | Foto: Divulgação Douglas Mendes

A Semana Criativa de Tiradentes chega à sua 10ª edição este ano celebrando uma trajetória de transformação. O que começou como um encontro entre design e artesanato tendo como palco a histórica cidade mineira tornou-se, ao longo de uma década, um projeto de inovação social que abraça arquitetura, arte, moda, gastronomia, música, preservação do patrimônio e as mais diversas manifestações da cultura brasileira. Desta quinta-feira a domingo (15 a 18), a Semana Criativa vai reunir mais de 80 palestrantes e tem a expectativa de superar os 22 mil visitantes e a marca de mais de 200 atividades da edição de 2025.

“Hoje, entendemos a Semana Criativa de Tiradentes como um festival de criatividade e cultura em que essas diferentes áreas se encontram e se contagiam positivamente. O design continua sendo uma linguagem fundamental, mas o festival hoje fala de cultura brasileira por meio da música, da arte, da arquitetura, do artesanato, da moda, da culinária, dos territórios e diferentes formas de criação”, afirma a jornalista Simone Quintas, idealizadora do evento ao lado do produtor cultural Júnior Guimarães.

A trajetória da Semana Criativa é marcada por um movimento constante de abertura e renovação. A curadoria, que nasceu com forte conexão entre design e artesanato, foi incorporando outras linguagens até se tornar o que é hoje: um espaço de encontro entre diferentes expressões da criatividade brasileira. Este ano, estarão presentes, por exemplo, o artista visual Thiago Rocha Pitta; o chef confeiteiro Lucas Corazza, a future thinker Andrea Bisker; a arquiteta Lígia Agostini; o designer quilombola Dih Morais; a cientista de dados Zaika dos Santos, além de vários bate-papos, a presença do ator Luis Melo e o homenageado da edição, que é o artista da “terra”, Vinicius Rosa Rios.

Segundo os organizadores, um dos pilares é justamente o diálogo entre patrimônio, saberes tradicionais e a produção contemporânea.

Cadeia produtiva

O evento leva à cidade milhares de turistas. Em 2025, por exemplo, quase metade do público – que foi de 22 mil participantes -, foi de Minas Gerais (46%); 23% de São Paulo; 13% do Rio de Janeiro e 18% de outros estados, o que gera uma demanda direta por hospedagem, alimentação, transporte e serviços. Do público total presente na mais recente edição, 36% foi formado por arquitetos, designers e paisagistas.

Semana Criativa de Tiradentes
Foto: Divulgação Semana Criativa de Tiradentes

O Mercado da Semana Criativa, que neste ano ganha novo endereço na Villa da Matriz, vai reunir marcas, artesãos e pequenos produtores de diferentes regiões do Brasil, consolidando-se como uma importante frente de comercialização e visibilidade para a produção autoral. Um dos desafios, reconhece Guimarães, é fazer com que essa movimentação econômica se distribua cada vez mais pela cidade – e a própria estrutura descentralizada do festival, ocupando diferentes casas, já contribui para esse objetivo.
“O fato do festival não se concentrar em um único espaço, mas em diversas ruas e casas de Tiradentes, já faz as pessoas caminharem pela cidade, favorecendo essa movimentação no comércio local como um todo”, pondera o idealizador.

Novas vozes

A ampliação do festival para novos públicos é um dos marcos dessa década. O novo projeto como A Casa D’Preto traduz esse movimento de abertura para outras vozes, outros repertórios e novas experiências.

Sob a curadoria dos arquitetos e urbanistas Pedro Rubens e Heloisa Nascimento, A Casa D’Preto ocupa o Casarão Ramalho, sede do Iphan, e nasce como uma resposta para valorizar saberes, artes e tecnologias ancestrais. Guiada pelo símbolo Adinkra Eban, que representa amor, segurança, abrigo e proteção, a programação inclui a exposição Orí-gem, com artistas locais como Bruno Henrique de Souza, Hudson Silveira, Selma Maria e Elizabeth Ramos; o I Encontro Nacional do HUB Arquitetura D’Preto, reunindo coordenadores de 16 estados e também de Lisboa; o lançamento da Plataforma Arquitetura D’Preto, que conecta clientes a profissionais negros da construção civil; e a exibição do documentário A Casa D’Preto, com direção de Daniel Pereira e Tainara Matos.

Imersões

Além dos quatro dias de evento, a Escola da Semana Criativa de Tiradentes e as imersões realizadas ao longo do ano vêm fortalecendo a economia criativa local, conectando designers, arquitetos e artesãos da região em um processo contínuo de troca de conhecimento, valorização de técnicas e geração de renda.

“Uma das transformações mais importantes desses dez anos foi entender que a Semana Criativa não poderia existir apenas durante quatro dias por ano. A Escola da Semana nasce justamente dessa vontade de criar uma atuação permanente, ligada à transmissão de saberes e fazeres e à formação. O festival cresceu muito, mas nosso maior desafio agora é fazer com que esse crescimento deixe um legado cada vez mais consistente para Tiradentes e para a região”, conclui Simone Quintas.

A programação completa da 10ª edição pode ser conferida no perfil do Instagram:@semanacriativadetiradentes.

Casa Arado é destaque

Outro destaque é a Casa Arado, que é a embaixada do Estúdio Arado na cidade histórica. O estúdio de design belo-horizontino é responsável pela identidade visual da Semana Criativa de Tiradentes, que teve como inspiração ferramentas como extensão das mãos.

O espaço vai funcionar como um memorial imersivo dedicado a pesquisar, resgatar e difundir a cultura e o imaginário rural caipira brasileiro. Instalado em um casarão histórico em Tiradentes, o espaço vai funcionar na cidade histórica como galeria de arte gráfica vintage e loja conceitual, comercializando cartazes, papelaria fina, gravuras e itens selecionados de mercearia artesanal.

História

O Estúdio Arado, dos sócios Luis Matuto e Bruno Brito,se destaca na cena cultural por unir design, história e tradição pautados nesse imaginário rural. Com oito anos de atuação, o negócio amplia possibilidades ao reunir a produção em gráfica própria em Belo Horizonte, com máquinas tipográficas dos séculos XIX e XX, um instituto de pesquisa, desenvolvendo projetos autorais para nomes como a loja Tok&Stok e, mais recentemente, para a cantora Anitta, com a idealização dos álbuns Equilibrium e Equilibrium II.

A produção gráfica é um dos motores de crescimento do negócio, que também produz livros, cadernos, vestuário e decoração, com destaque para os calendários autorais, responsáveis por 30% do faturamento. Com o sucesso dos trabalhos, o crescimento chega a 90% ao ano, e a produção segue em expansão, com meta de triplicar a tiragem de calendários em 2026, chegando a 15 mil unidades, segundo Matuto.

O diferencial do estúdio passa justamente pela abordagem caipira, que foge do estigma de brasilidade historicamente concentrado no eixo carioca, que concentra em símbolos como Bossa Nova, Carnaval, futebol. Apoiado em referências como Câmara Cascudo, Amadeu Amaral e Pereira da Costa, o Arado amplia esse imaginário para o interior do País, conectando histórias, costumes e tecnologias regionais a movimentos contemporâneos. (Com informações de Leonardo Morais)

10ª Semana Criativa de Tiradentes

Data: 15 a 18 de outubro (Quinta a domingo)
Local: Tiradentes (MG) – programação distribuída por diversos pontos da cidade
Ingressos: gratuitos – reservas para palestras no site oficial
Programação completa e inscrições: Site oficial

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