Betim decreta estado de calamidade financeira

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Betim decreta estado de calamidade financeira
Medioli afirma que a arrecadação de ICMS no município recuou 40% - Crédito: Divulgação/Ascom Betim

Tamanha a crise vivida por Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que o município decretou estado de calamidade pública, financeira e orçamentária. De acordo com o decreto publicado no Órgão Oficial do Município, o colapso foi causado, entre outros motivos, por atrasos no repasse de verbas do governo de Minas Gerais.

O decreto vale por 90 dias – podendo ser prorrogado por igual período – e apresenta 30 medidas para racionalização de gastos que poderão ser adotadas no período de vigência. De acordo com o documento, há a possibilidade de redução do quadro de servidores comissionados e de médicos plantonistas; suspensão de cirurgias eletivas; rescisão dos contratos de fornecimento e serviços, paralisação de obras públicas, fechamento de escolas e unidades de saúde e parcelamento ou suspensão de salários e 13º.

“Depois de apresentarmos pelo menos quatro planos de cortes orçamentários e mantermos por dez meses a situação de calamidade priorizando algumas medidas, não há mais o que ser feito. Nos últimos anos Betim perdeu 40% de arrecadação de ICMS, o que corresponde a 70% das receitas da cidade. Houve uma perda real da capacidade de manutenção da administração municipal”, declarou o prefeito, Vittorio Medioli, em entrevista coletiva.

A principal justificativa para as medidas é o atraso dos repasses do Estado ao município no decorrer de 2019, superior a R$ 277 milhões. Preocupa também o bloqueio de R$ 47 milhões dos cofres públicos, determinado pelo juiz Coordenador da Assessoria de Precatórios – Asprec.

“Nós já estávamos em uma situação negativa de recursos, desde quando assumimos a administração e agora o cenário se agravou ainda mais. Por isso, determinamos a publicação do decreto” explicou.

Atualmente, o déficit financeiro de Betim chega a R$ 82 milhões. Segundo a prefeitura, a administração vem renegociando contratos com fornecedores, cortando gastos e contestando juridicamente a ordem judicial que obriga a prefeitura a pagar a dívida de R$ 500 milhões referente a processo movido pela construtora Andrade Gutierrez. Mas as ações não foram suficientes.

Além disso, o município deverá quitar dívidas precatórias de outros governos, como os R$ 44 milhões referentes às obras do Riacho das Areias e o não pagamento de dívidas previdenciárias que somam R$ 30 milhões.

Para Medioli, os prefeitos que o antecederam na administração foram negligentes com os recursos públicos da cidade. “Nenhum deles defendeu a cidade de maneira correta, pelo contrário, tem prefeito que assumiu a dívida e, por isso, hoje estamos em estado de falência. Nossa saída agora é essa, que poderá representar demissões, paralisação de obras, adiamento do concurso por um período de sessenta dias e outras medidas ainda mais austeras”, admitiu.

Também segundo o prefeito, nos últimos anos a cidade da RMBH perdeu investimentos na fábrica da Fiat para o estado do Pernambuco, o que reduziu a produção de veículos na cidade em torno de 60%; deixou de receber aportes na Refinaria Gabriel Passos (Regap); além de ter visto pelo menos 120 indústrias fecharem as portas. “Nem mesmo os últimos governadores defenderam a nossa economia. Betim já representou 28% da produção de Minas Gerais. A participação no ICMS que já foi de 10% hoje não chega a 6%”, ressaltou.

Andrade Gutierrez – A construtora está cobrando judicialmente da Prefeitura de Betim uma dívida no valor de R$ 500 milhões, referentes às obras realizadas entre 1979 e 1982, contratadas por meio do Projeto Cura, do governo federal e financiadas pela Caixa Econômica Estadual. O Executivo municipal alega que a cobrança é indevida. E, de acordo com o prefeito, a administração irá às últimas instâncias para obter o reconhecimento judicial do pagamento das obras e encerrar o caso definitivamente.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/


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