Ampliação do Minha Casa, Minha Vida aquece mercado imobiliário e incentiva compradores

Pesquisa do Grupo OLX mostra que 45% dos interessados em imóveis foram influenciados pelas mudanças no programa habitacional
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Ampliação do Minha Casa, Minha Vida aquece mercado imobiliário e incentiva compradores
Foto: AdobeStock

A ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já começa a movimentar o mercado imobiliário brasileiro. Segundo pesquisa realizada pelo DataZAP, área de inteligência do Grupo OLX, 45% dos interessados em comprar imóveis afirmam que as mudanças influenciam diretamente sua busca por uma casa ou apartamento.

O levantamento mostra ainda que a percepção é bastante positiva: 92% dos impactados aprovam as alterações feitas pelo governo federal no programa habitacional.

Acesso facilitado ao crédito

Entre os principais motivos para esse entusiasmo está o fato de que 73% dos entrevistados pretendem utilizar o MCMV como forma de pagamento. Dentro desse grupo:

  • 61% estão em busca do primeiro imóvel;
  • 56% têm renda nas faixas 2 e 3 do programa;
  • 44% pertencem às gerações Z e Y.

“O mercado imobiliário brasileiro apresenta uma demanda estruturalmente forte mas que historicamente é limitada pela disponibilidade e custo do crédito. Sempre que o financiamento se torna mais acessível, a resposta do mercado é rápida”, explica o Gerente de Pesquisa e Inteligência de Mercado do Grupo OLX, Coriolano Lacerda.

Segundo ele, a nova configuração do Minha Casa, Minha Vida, ao ampliar o teto para imóveis de até R$ 500 mil e tornar as regras mais claras e acessíveis, representa um avanço importante.

“Esse movimento não só reativa a intenção de compra de muitas famílias, como também cria uma janela estratégica para o setor da construção civil, estimulando a produção e o consumo de moradias alinhadas ao crédito”, avalia.

Ampliação do programa pode elevar preço dos imóveis

Apesar da recepção positiva, 8% dos entrevistados manifestaram preocupação. O principal receio é de que a ampliação do programa possa elevar o preço dos imóveis e intensificar a concorrência no mercado popular, dificultando o acesso de famílias com menor poder aquisitivo.

Já os 55% que não sentiram impacto direto das mudanças são, em sua maioria, pessoas com renda mais alta, imóvel próprio quitado ou preferência por pagamento à vista – perfis que tendem a depender menos dos incentivos do programa.

Financiamento mais barato para a classe média no MCMV

Em abril deste ano, o governo federal lançou a nova Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), voltada a famílias com renda mensal entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil. Com juros de 10% ao ano mais TR, a nova Faixa 4 oferece condições de financiamento mais vantajosas do que as taxas médias do mercado, que giram em torno de 13% ao ano mais TR.

Na prática, uma família com renda de R$ 11 mil que deseja comprar um imóvel de R$ 500 mil poderá pagar uma parcela de R$ 3.300 via Faixa 4. O mesmo imóvel financiado pelo SFH tradicional da Caixa exigiria R$ 3.700 por mês, enquanto um banco privado cobraria R$ 4.200 – valor compatível apenas com uma renda mensal de R$ 14 mil. O governo estima que 120 mil famílias devem ser beneficiadas ainda este ano.

Sobre o autor

Ana Paula Moreira

Subeditora do portal Diário do Comércio desde 2025. Especialista em jornalismo esportivo pelo Centro Universitário UNA. Vencedora do Prêmio Petrobrás de Jornalismo.


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