Agro seria principal beneficiado por acordo entre Mercosul e UE
O agronegócio será o principal setor brasileiro beneficiado caso o acordo entre Mercosul e União Europeia seja implementado, como mostra um estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O texto foi aprovado nesta sexta (9) pelos países do bloco europeu, que abriram caminho para a assinatura do acordo.
As tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários enviados pelo Mercosul para o bloco europeu seriam eliminadas, com destaque para carnes suína e de frango, açúcar, pecuária bovina e óleos e gorduras vegetais.
Simulações feitas pelo Ipea mostram que, até 2040, as exportações de carnes de suínos e aves aos países europeus cresceriam 19,7%.
No ranking dos maiores beneficiados, estão ainda bebidas e produtos do fumo (com expansão de 19,5%), cana de açúcar (alta de 18,7%), óleos e gorduras vegetais (+14,4%), carne de bovinos (+5,1%) e seda e lã (+4,7%).
Segundo o coordenador de Relações Econômicas Internacionais do Ipea, Fernando Ribeiro, quando se leva em conta a importância para a pauta exportadora brasileira, os setores que terão maior vantagem são carne e açúcar.
“O agronegócio brasileiro como um todo é beneficiado pelo acordo, já que é um setor mais sujeito a cotas. E a carne e açúcar são setores com potencial de exportação muito grande, já que nossos custos são incomparavelmente menores. Nosso açúcar é muito mais barato do que o europeu, e a carne nem se fala”, afirma.
Ele lembra que a tendência é que os europeus aumentem os subsídios a produtos agrícolas como forma de compensar o acordo, o que pode mitigar os benefícios no curto prazo. Ainda há salvaguardas (medidas temporárias de proteção comercial) previstas no tratado que podem ser acionadas em determinados casos.
“De qualquer forma, o setor agrícola terá ganhos, e o Mercosul pode inclusive substituir espaços dos Estados Unidos, como na carne.”
Na outra ponta, haverá perdas para a indústria brasileira pelo aumento previsto de importações de produtos europeus.
Um dos destaques entre os mais prejudicados, diz Ribeiro, está o segmento de máquinas e equipamentos elétricos.
“A Europa tem uma produção diversificada, e no Brasil há setores que não são tão competitivos”, afirma. “O lado positivo é que esse aumento de importações de máquinas europeias pode estimular investimentos no Brasil. Há um benefício indireto nesse caso.”
Outros prejudicados devem ser o setor farmacêutico, onde o Brasil é grande importador de princípios ativos usados como insumos para produção de medicamentos, e veículos.
“Mas no caso de veículos as tarifas serão eliminadas em um prazo muito lento, de 15 anos. No curto prazo, nada muda. Temos que ver como as multinacionais que produzem no Brasil vão se ajustar pensando lá na frente.”
Aumento esperado nas exportações de produtos brasileiros até 2040 com acordo Mercosul e UE
Em %
Setor – Crescimento da exportação
Outros produtos alimentares – 23,90
Carnes de suíno e aves – 19,70
Bebidas e produtos do fumo – 19,5
Cana de açúcar – 18,7
Óleos e gorduras vegetais – 14,4
Outras culturas – 5,2
Carne de bovinos – 5,10
Seda e lã – 4,7
Vegetais, frutas, amêndoas – 4,5
Laticínios – 2,30
Pesca – 1,20
Arroz processado – 0,5
Fonte: Ipea
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