A visão de uma líder sobre carreira, maternidade e feminilidade
Nesta semana eu pedi a uma líder executiva da área jurídica de uma multinacional belga para falar da sua visão sobre liderança feminina e vou compartilhar com vocês o texto inspirador enviado por ela.
Uma vez, em uma conversa com um superior, ele comentou sobre uma oferta de mudança de cidade feita e recusada por uma colega que estava em processo de adoção. Eu, que me considero muito educada e delicada, reagi de forma contundente, dizendo: “Nunca faça uma mulher escolher entre o trabalho e a maternidade. Ela está no processo de adoção! Ela sonha com essa criança nos braços dela”. Ele me olhou como se eu estivesse contando uma supertese inovadora. Mas refletiu, característica dos sábios, e mudou o posicionamento. A tal colega, dado o devido tempo, aceitou a mudança de cidade e trouxe muitos benefícios para a empresa, em uma carreira bonita de se ver.
Tem que funcionar tudo junto, sabemos. Há ordem de prioridade? Muitas vão dizer que não. Eu entendo que sim.
Empresas, nunca façam uma mulher escolher entre carreira e filhos. Os filhos quase sempre (claro que nós mulheres temos nossas particularidades) estarão em primeiro lugar.
Outra coisa que aprendi nos meus mais de vinte anos de carreira é que uma mulher, após o desafio da maternidade, se torna uma profissional ainda melhor. Vejam bem: não estou dizendo que as mães são melhores profissionais que as mulheres que não têm filhos. Não estou fazendo uma comparação, uma coisa não está relacionada à outra.
Estou comparando uma mulher com ela mesma, no pré e pós-maternidade. Uma mãe precisa ser ágil, eficaz, solucionar problemas, ser criativa para conciliar trabalho e vida doméstica.
Neste ponto, paro para refletir que escrever um texto nos dias de hoje é tarefa inglória. Se falo das mães, fico com receio das mulheres maravilhosas que optam por não ter filhos se sentirem julgadas. Se escrevo um artigo sobre ser mãe próximo ao Dia dos Pais, fico pensando se não deveria escrever para homenageá-los. Vida moderna.
Mas voltando ao nosso tema. Nunca pensei em parar de trabalhar para ter filhos. Amo meu trabalho, adoro o mundo corporativo, por mais desafiador que seja. Então sempre soube que teria que enfrentar a famosa jornada dupla. E não me arrependo de nada. Hoje me considero bem sucedida na carreira, realizada. E mãe de gêmeas adolescentes, que estão crescendo felizes e com um exemplo de resiliência dentro de casa.
Talvez ao ler esse artigo ela se reconheça e, se o fizer, saiba que me inspirei em você.
Que sejamos mulheres livres em nossas escolhas, que as empresas saibam reconhecer o potencial de todas as mulheres, mães ou não, dando sempre condições para que se desenvolvam felizes, numa via de mão dupla: profissionais felizes, empresas lucrativas. (Relato da executiva Carla Sudré)
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