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Empresas mais endividadas

Resultados do 2º trimestre revelam como os empreendimentos estão lutando com o aumento da dívida e o custo do dinheiro
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Estamos na temporada de divulgação dos resultados do 2º trimestre das companhias abertas. Entre os diversos aspectos que os balanços permitem analisar, os indicadores financeiros chamam a atenção por revelar uma deterioração da saúde dessas empresas. Na média, elas estão mais endividadas, têm menos folga para pagar os juros de suas dívidas e vêm obtendo retornos menores sobre os negócios. O dinheiro ficou mais caro, e o crescimento, mais difícil de financiar.

pelo endividamento. A dívida líquida em relação ao Ebitda, indicador que mede quanto a empresa gera com sua operação antes de juros, impostos, depreciação e amortização, subiu de 1,58 vez em 2023 para 2,10 vezes em 2025. No 2º trimestre de 2026, estava em 1,93 vez. Isso significa que a dívida passou a representar uma parcela maior da capacidade das empresas de gerar recursos com suas atividades.

A cobertura de juros, por sua vez, caiu de 1,29 vez em 2023, para 1,15 vez, no mesmo período. Essa medida mostra quantas vezes o resultado operacional de uma empresa é suficiente para pagar suas despesas financeiras. Quanto menor o número, menor a margem de segurança. Quando essa folga desaparece, qualquer queda nas vendas ou aumento das despesas pode dificultar o pagamento das dívidas.

O mesmo movimento aparece na rentabilidade. A margem líquida, que mostra quanto efetivamente sobra de cada R$100 de receita depois de todos os custos, despesas, juros e impostos, caiu de 7,09% em 2023 para 5,46% no balanço mais recente. A margem operacional também recuou, mostrando que, em muitos casos, as empresas estão gerando menos resultado para sustentar essa dívida.

Há ainda um dado particularmente relevante para o futuro. A relação entre investimentos e depreciação caiu de 133,23% para 96,61%. A depreciação representa, de forma simplificada, o desgaste dos equipamentos, máquinas e outros ativos utilizados pela empresa. Quando os investimentos ficam abaixo desse nível, surge o risco de que a capacidade produtiva não seja renovada na mesma velocidade.

Aqui, a conjuntura se conecta aos balanços. Juros elevados encarecem empréstimos e refinanciamentos. Uma empresa que precisa substituir uma dívida antiga por uma nova pode encontrar um custo financeiro muito maior. Se, simultaneamente, suas margens estão menores, sobra menos dinheiro para investir, crescer e absorver imprevistos.

Os pedidos de recuperação judicial são uma das manifestações desse ambiente. É importante, porém, não atribuí-los exclusivamente aos juros elevados. Má gestão, queda nas vendas, endividamento excessivo e decisões empresariais equivocadas também podem estar na origem dessas crises. O crédito caro, contudo, pode agravar dificuldades financeiras e transformá-las em problemas de liquidez.

É justamente a combinação de maior endividamento, menor capacidade de pagar juros, rentabilidade pressionada e investimentos em desaceleração que merece atenção.

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Sobre o autor

Guilherme Almeida

Head de Renda Fixa na Suno. Sócio-fundador da Certifiquei, possui experiência como economista, atuando na gestão e elaboração de pesquisas e análises socioeconômicas. Mestre em Estatística pela UFMG.

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