Agosto Lilás e os 20 Anos da Lei Maria da Penha: cinco dicas para a sua empresa apoiar a campanha
No dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completou 20 anos. O nome da Lei é uma homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes, uma farmacêutica cearense que, em 1983, sofreu duas tentativas de homicídio do próprio marido, sendo que uma delas a deixou paraplégica. O caso só ganhou força depois que o Brasil foi cobrado por organismos internacionais por décadas de omissão. Daí nasceu a Lei nº 11.340, que garante medida protetiva, afastamento do agressor e monitoramento eletrônico.
Muito embora vinte anos seja um marco que merece comemoração, o que os dados revelam, na prática, não traz razões para nos sentirmos contentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, o Brasil teve 1.571 feminicídios em 2025, o maior número já registrado, 4% a mais que no ano anterior. Minas Gerais fica em segundo lugar no ranking nacional, atrás só de São Paulo. Desde que o feminicídio virou crime específico, em 2015, já perdemos pelo menos 13.703 mulheres dessa forma no país.
Outro dado que merece atenção acaba de ser revelado pela pesquisa “20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira”, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva: enquanto 54% das brasileiras que já tiveram um relacionamento dizem ter sofrido algum tipo de violência, somente 11% dos homens admitem ter cometido alguma agressão. Ou seja, temos um gap de percepção entre gêneros quando o assunto é violência contra as mulheres, o que revela a permanência de uma cultura machista no Brasil.
Agosto é lilás justamente em homenagem a essa data. A campanha nos convida a parar e olhar de frente para um problema que, infelizmente, ainda está longe de resolvido. É por isso que o Agosto Lilás importa, e é por isso que as empresas não podem ficar de fora dessa conversa. Violência doméstica não fica em casa quando a colaboradora bate o cartão no trabalho: ela vem junto, no cansaço, na ausência, no medo. Muitas vezes o escritório é o único lugar em que uma mulher consegue, enfim, pedir ajuda.
Quais ações as empresas podem praticar para contribuir com a campanha?
Aqui vão algumas dicas:
- Treinar líderes e RHs para reconhecer sinais de violência e saber acolher sem julgar e sem expor.
- Espalhar o número do Ligue 180 em murais, e-mails, onde puder.
- Ter políticas claras de afastamento e apoio jurídico e psicológico para quem precisar.
- Trazer os homens para a roda de conversa também, a mudança é cultural e envolve todos.
- Garantir que denunciar internamente não vire motivo de constrangimento, e sim de acolhimento.
A lei mudou o Brasil no papel. Mas quem muda a vida real é a rede de apoio que a gente constrói todos os dias, em casa, na rua e também dentro das empresas. Que os próximos 20 anos tragam números caindo e não recordes.
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