Hora e vez do Brasil

Avanço das terras-raras posiciona o Brasil no centro de uma disputa estratégica global
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Hora e vez do Brasil
Foto: Reprodução Portal Gov.br

A corrida pela massificação da utilização de novas tecnologias, especialmente aquelas que derivam ou têm suporte na eletrônica, impõe mudanças em escala absolutamente inédita. Por exemplo, como consequência da substituição de motores a explosão por elétricos em uso veicular, um processo que ainda carrega algumas dúvidas, mas parece irreversível. Mudar, independentemente do prazo de transição, exigirá o reposicionamento de toda a indústria e o surgimento de novas demandas, casos bem conhecidos das chamadas terras-raras, de ampla utilização para a produção de ímãs, portanto de motores elétricos, dentre outras demandas que fazem compreender a classificação desses minerais como “estratégicos”. Além de motivo para mal disfarçada cobiça, em que não tem faltado ameaças até mesmo do uso de força como forma de “convencimento” ou de pavimentação de alianças forçadas.

O Brasil, como é sabido, detentor de reservas que se contam entre as maiores do planeta, está, para o bem e para o mal, no centro dessas discussões e atenções tanto dos Estados Unidos quanto da China, potências industriais cujo futuro pode estar condicionado ao acesso a tais matérias-primas. Sobre o assunto, cabe lembrar que a St. George Mining, empresa australiana que atua na região de Araxá, acaba de refazer suas estimativas sobre as reservas locais indicando que o chamado Projeto Araxá soma reservas de 522 milhões de toneladas, volume superior a Monte Weld, na própria Austrália, e Mountain Pass, nos Estados Unidos. Segundo a mineradora, os recursos medidos do Projeto Araxá aumentaram 155% em relação a estimativas divulgadas em março passado. E não é tudo: os valores agora revelados não incluem descobertas na chamada Araxá Leste, atualmente em processo de sondagem e perspectiva de que estimativas de recursos disponíveis possam ser conhecidas até o último trimestre do ano. Tudo, ainda conforme a St. George Mining, garantindo ser possível levantar em Araxá um negócio de escala global em nióbio e terras-raras.

São de fato perspectivas promissoras na visão da mineradora que parece considerar modelo tradicional, de extração e exportação do mineral bruto para ser beneficiado no exterior e reexportado com valor agregado muitíssimo maior. Pode ser bom para países industrializados, donos do capital e do sabor, mas certamente não é o melhor para o Brasil, que ao longo de séculos é mantido em posição de inferioridade e vulnerabilidade exatamente por conta desse modelo.

Temos agora chance de fazer diferente, de dominar todos os ciclos, da extração ao produto final, assim elevando o Brasil a um patamar econômico inédito.

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