Ventos a favor
Apesar dos percalços ditados pela política externa dos Estados Unidos, especialmente no que toca às relações de comércio, o Brasil caminha na direção de resultados positivos no que se refere às exportações no ano corrente. As piores previsões, ao ponto extremo de apontarem na direção de uma recessão, não se confirmarão, mantidos os resultados obtidos no primeiro semestre do ano e as tendências para o segundo. Bem distante de uma crise que em alguns momentos chegou a ser dada como apocalíptica, as projeções mais atuais do mercado indicam que a balança comercial poderá fechar o ano com superávit maior – de até US$ 10 bilhões – que o alcançado em 2025. E cabe lembrar também que em janeiro passado os mais otimistas diziam que repetir os números do ano anterior já seria muito bom.
Em 2025 a balança comercial fechou com superávit de US$ 68,1 bilhões e para o ano corrente as previsões – chanceladas pelo boletim Focus do Banco Central – são de que o saldo positivo poderá ficar em US$ 76,9 bilhões. Ainda mais otimista, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) afirma que o saldo poderá chegar aos US$ 94 bilhões. A agilidade na identificação e conquista de novos mercados e o acordo entre a União Europeia e o Mercosul foram pontos de destaque diante da política tarifária ditada pelo governo Trump, tudo isso com apoio do bom desempenho nas vendas de soja, além da valorização do petróleo ditada pelo conflito no Oriente Médio.
O petróleo, que para o planeta aparece no centro da crise para o Brasil, por conta da escalada dos preços e do incremento das vendas externas, surge em condição oposta. Cabe lembrar que no primeiro semestre a produção no pré-sal foi a maior de todos os tempos, ajudando a inflar os resultados da Petrobras. Entre os meses de abril e junho seus ganhos somaram R$ 52,4 bilhões e no semestre alcançaram R$ 85,10 bilhões, com incremento de 37,6% na comparação com igual período de 2025. E tudo porque o preço médio do barril, entre os meses de abril e junho, ficou em US$ 104,52, com alta de 54,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
Enxergar este quadro é enxergar o futuro com mais tranquilidade, o bastante para que também seja cobrado o fim do alinhamento dos preços internos para combustíveis com as cotações internacionais, situação que impõe ao País sacrifícios que não têm como ser explicados, muito menos defendidos. Buscamos e alcançamos autossuficiência precisamente para escapar das injunções do mercado internacional do petróleo e os números agora divulgados antes de tudo reforçam a crença de que o Brasil reúne todas as condições para fazer diferente, melhor atendendo a seus próprios interesses.
Ouça a rádio de Minas