Inovação em Pauta

Inovação que vira identidade: Viçosa celebra 100 anos da UFV e transforma o doce de leite em estratégia de desenvolvimento

Instituição celebra um século de contribuições para ciência e tecnologia, impulsionando o empreendedorismo na região
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Há cidades que constroem sua identidade a partir de um patrimônio. Viçosa, situada a 220km de Belo Horizonte, está mostrando que é possível transformar conhecimento, tradição e empreendedorismo em uma estratégia de desenvolvimento econômico. A celebração dos 100 anos da Universidade Federal de Viçosa (UFV), neste ano, é um marco dessa trajetória e a primeira Festa do Doce de Leite é uma demonstração concreta de como inovação também pode nascer da valorização do que já existe.

Reconhecida nacionalmente pela excelência em ciência, tecnologia e formação de pessoas, a UFV tem papel histórico na transformação de conhecimento em soluções para o agronegócio e para diferentes setores da economia. Ao longo de um século, ajudou a formar profissionais, pesquisadores e empreendedores que levaram conhecimento para além dos muros da universidade.

É justamente essa conexão entre universidade, território, empresas e sociedade que ganha força quando Viçosa assume o doce de leite como parte de sua identidade econômica e cultural.

Centenário da UFV
Foto: Imagem gerada por IA

No dia 29 de agosto de 2026, a UFV e a Funarbe produzirão 3 toneladas de doce de leite no gramado das Quatro Pilastras. O evento celebra o centenário da UFV com uma tentativa de recorde do maior doce de leite do mundo e distribuição gratuita ao público. Mais do que um número impressionante, o recorde representa uma oportunidade de gerar visibilidade, estimular o turismo, fortalecer marcas locais e abrir novas possibilidades de negócios para toda a cadeia produtiva.

A primeira Festa do Doce de Leite, que ocorrerá nos dias 111 e 12 de setembro não é apenas uma celebração gastronômica. Ela pode ser entendida como uma iniciativa de inovação territorial: reúne produtores, empreendedores, pesquisadores, instituições e consumidores em torno de um ativo que carrega história, conhecimento e potencial de mercado.

É assim que inovação deve ser compreendida: não apenas como tecnologia de ponta, inteligência artificial ou uma nova patente. Inovar também é encontrar novas formas de gerar valor a partir de competências, recursos e vocações existentes em um território.

Viçosa reúne ingredientes privilegiados para isso: uma universidade centenária, capital humano qualificado, tradição no setor agropecuário, capacidade de pesquisa e uma identidade que pode ser transformada em marca, produto e experiência.

O desafio agora é fazer com que o recorde não seja um ponto de chegada, mas um ponto de partida. Que o “Doce de Leite de Viçosa” possa evoluir para uma estratégia de posicionamento territorial, com inovação em processos, produtos, embalagens, sustentabilidade, turismo, gastronomia e novos modelos de negócios.

Os 100 anos da UFV e a Festa do Doce de Leite, portanto, celebram duas dimensões complementares do desenvolvimento: o conhecimento que transforma e a tradição que gera identidade.

Quando universidade, empreendedorismo e território caminham juntos, até uma receita centenária pode se transformar em inovação, negócios e futuro. E talvez essa seja a grande lição de Viçosa: inovar não significa abandonar nossas raízes. Significa encontrar novas maneiras de fazer com que elas continuem gerando valor.

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Sobre o autor

Janayna Bhering

Engenheira, mestre em Ciência e Tecnologia, doutoranda em inovação, com mais de 20 anos de experiência na concepção, estruturação e execução de projetos inovadores em diferentes setores da economia. Especialista em fomento e captação de recursos

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