Agronegócio

Crise no Estreito de Ormuz derruba exportações do agro mineiro ao Oriente Médio

Vendas somam US$ 56,8 milhões em março, com queda de até 32%, enquanto embarques de insumos recuam mais de 90% em alguns mercados
Crise no Estreito de Ormuz derruba exportações do agro mineiro ao Oriente Médio
Foto: Stringer / Reuters

Os constantes fechamentos do Estreito de Ormuz, desde o início dos conflitos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã, em fevereiro último, têm afetado as exportações do agronegócio mineiro para o Oriente Médio. Isso porque o transporte das mercadorias e insumos utiliza a via marítima, estratégica para o comércio global com países como Emirados Árabes, Iraque e Omã. Em alguns casos, a queda ultrapassa 90%, como os embarques para o Iraque em março deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG) e da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG) repassados com exclusividade ao Diário do Comércio, as exportações do agronegócio mineiro para países do Oriente Médio somaram US$ 56,82 milhões em março. O resultado representa uma queda de 27,65% em relação a fevereiro (US$ 78,53 milhões) e de 32,16% frente a janeiro (US$ 83,76 milhões). Cabe destacar que, no primeiro mês do ano, o conflito ainda não havia sido deflagrado, o que reforça o impacto dos bloqueios no Estreito de Ormuz sobre o desempenho das vendas externas mineiras.

“A instabilidade no Estreito de Ormuz tem afetado as exportações principalmente pelo aumento do risco logístico nas rotas marítimas para parte do Oriente Médio, exigindo maior cautela das empresas de navegação. Em situações como essa é comum haver reprogramação de embarques, alongamento de prazos de entrega, aumento de custos com fretes e seguro e menor previsibilidade na chegada das cargas aos destinos”, explica a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira.

De acordo com levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, entre os países da região, os mais afetados nas relações comerciais com Minas Gerais, considerando os valores e volume das exportações, são os Emirados Árabes, Iraque e Omã.

“Para além disso, há um efeito indireto relevante: a instabilidade em Ormuz tende a pressionar os preços do petróleo, o que encarece toda a cadeia logística global (combustíveis, transporte e insumos), ampliando o custo final das exportações”, informa a Sede em nota.

Diversificar mercados é estratégia para minimizar prejuízos

Para enfrentar os impactos relativos a conflitos e instabilidades internacionais, a Sede-MG afirma que tem se articulado com o setor produtivo para atuar de forma coordenada, combinando medidas de curto prazo com estratégias estruturais já previstas no Plano Estadual de Comércio Exterior.

“Um dos principais eixos do plano, lançado no ano passado, é a diversificação de mercados, com intensificação da promoção comercial em regiões consideradas mais estáveis ou com menor exposição a riscos geopolíticos críticos, como a América Latina e outros mercados. Nesse sentido, iniciativas de inteligência comercial e apoio à internacionalização têm sido reforçadas para identificar oportunidades e facilitar a inserção de empresas mineiras em novos destinos”, destaca a Sede, em nota.

Café, açúcar e carne de frango lideram embarques

Em março de 2026, os principais produtos exportados por Minas para o Oriente Médio foram o café (US$ 22,3 milhões), o açúcar (US$ 10,8 milhões) e a carne de frango (US$ 9,7 milhões), segundo a Seapa. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, as quedas variam de 18% a 92%, dependendo do país de destino.

Tabela

A assessora da Seapa também aponta que o atual cenário é sensível para cargas refrigeradas, como carnes, que dependem de temperatura controlada, regularidade no transporte e menor risco de atraso. Nesses casos, qualquer mudança de rota, espera adicional ou transbordo pode elevar custos operacionais e exigir maior acompanhamento dos produtos ao longo do trajeto.

“O impacto varia conforme o país de destino e a rota utilizada. Ele tende a ser mais relevante para mercados do Golfo Pérsico, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Barein, Kuwait, Omã, Iraque e parte das operações destinadas à Arábia Saudita”, diz a assessora, destacando que a variação em março pode estar associada também à sazonalidade dos embarques e que será necessário um tempo maior para poder mensurar as repercussões do conflito.

Em março de 2026, isoladamente, as exportações para o Oriente Médio totalizaram US$ 56,8 milhões com 57,5 mil toneladas embarcadas. Os números representam uma queda de 7% em valor e 25,6% em volume em relação ao mesmo mês de 2025.

Estreito de Ormuz

Principal rota marítima para navios petroleiros no mundo e responsável por cerca de 20% do transporte global da commodity, o Estreito de Ormuz está localizado entre o Irã, ao norte, e Omã e Emirados Árabes Unidos, ao sul, no Oriente Médio.

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