Profissão em risco

Dificuldade para renovar o quadro de motoristas profissionais ameaça a eficiência logística e a competitividade do Estado
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Profissão em risco
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) faz um importante alerta sobre a dificuldade que o setor vem enfrentando para renovar o quadro de motoristas profissionais. O cenário de violência nas rodovias e jornadas extenuantes vem afugentando os trabalhadores.

Em um Estado onde a circulação de mercadorias depende majoritariamente das rodovias, a perda de atratividade da profissão de motorista de caminhão coloca em risco a eficiência logística, a competitividade das empresas e, no longo prazo, a capacidade de sustentar o crescimento econômico.

É um equívoco tratar essa realidade apenas como escassez de trabalhadores. Há profissionais aptos, mas cada vez menos pessoas dispostas a escolher uma carreira marcada por longas jornadas, insegurança nas estradas, distância prolongada da família e desgaste físico e emocional. O mercado de trabalho mudou, assim como as expectativas das novas gerações. Hoje, qualidade de vida, previsibilidade e segurança pesam tanto quanto o salário na decisão profissional. Ignorar essa transformação significa insistir em soluções que não atacam a origem do problema.

O alerta é especialmente relevante para Minas Gerais. Somente em 2025, foram 2,34 milhões de embarques realizados no Estado, segundo o Anuário do Transporte Rodoviário de Cargas 2025, elaborado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Se a renovação não acontecer, o setor poderá enfrentar dificuldades crescentes para atender à demanda de uma economia que depende do transporte rodoviário para conectar a produção industrial, o agronegócio e o comércio aos mercados consumidores.

As iniciativas de qualificação, como programas que financiam a mudança de categoria da CNH e oferecem capacitação profissional, representam um avanço importante. Entretanto, formar novos motoristas será insuficiente se a profissão continuar sendo percebida como sinônimo de insegurança e baixa qualidade de vida. A valorização passa também por melhores condições de trabalho, investimentos em segurança nas rodovias, infraestrutura adequada e políticas que fortaleçam a imagem da atividade perante a sociedade.

O caminhoneiro continua sendo uma peça indispensável da economia brasileira. Garantir que essa profissão volte a despertar interesse não é apenas uma demanda corporativa do setor de transportes. É uma necessidade estratégica para assegurar que Minas Gerais mantenha sua capacidade de produzir, vender e crescer. Valorizar quem movimenta as cargas do País é, em última análise, investir na própria competitividade da economia.

Sobre o autor

Diário do Comércio

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas