Projeto Preserva

Descarte de recicláveis vira desafio prático

Na teoria, mapas e horários de coleta prometem facilidade; na prática, mudar de endereço revela um labirinto logístico para quem busca dar um destino sustentável ao papelão, plástico e vidro que consumimos
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Você já se deparou com a angústia de separar e organizar o descarte de recicláveis do lixo comum e não saber que destino dar? Essa experiência nos perturbou nos últimos dias, fruto de uma mudança de endereço. No bairro em que morávamos, em Belo Horizonte, houve até um período em que o lixo era separado e a coleta seletiva passava na nossa rua. Mas, depois de um curto tempo, saímos da rota. O caminhão deixou de passar por lá.

Fizemos a mudança para outro bairro de BH. Isso demandou muitas caixas de papelão e vários outros objetos, além de uma triagem para ver o que realmente importava ficar conosco, e cujo destino mais certo era o reuso ou reciclagem. Ao lado disso tudo, várias, inúmeras doações.

A teoria da coleta e a prática no descarte de recicláveis

De acordo com o mapa do site da Prefeitura, onde morávamos, a coleta seletiva era (é? Seria?) diurna, às quintas-feiras. Agora, onde estamos, às sextas, também durante o dia. Só que não foi essa a notícia que recebemos do síndico do prédio…

A página da Prefeitura é bem informativa quanto ao tipo e à separação do material. Na consulta que fiz, a última atualização havia sido recente, em 21 de julho. Mesmo assim, na prática, o cidadão fica de mãos atadas, repletas de papelão, vidro e plástico sem destino certo. Quem busca? Quando? Como?

O destino, muita gente até conhece. E aqui cabe lembrar a Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável), um caso de muita história em BH, uma das iniciativas mais antigas do país, no setor. E que sofreu com um incêndio em um de seus galpões, há seis anos. Mas como dar início a esse caminho é que são elas. No nosso caso, contratamos um carreto que prometeu dar o destino correto ao material. Antes e depois da mudança.

Muitas caixas de papelão foram recolhidas pela própria empresa que executou a mudança, para reutilizar em outras empreitadas. Ela também levou os muitos engradados plásticos que usa, poupando o ambiente das pegadas no fabrico do papelão, que pode ser feito com fibras de madeira virgem (e isso inclui desmatamento para plantação de eucalipto e pinus, além do posterior corte da matéria-prima para produzir a celulose) ou papel reciclado picado.

O dilema do plástico bolha e a logística da reciclagem

Mas, no fim, sobram ainda inúmeras caixas, retalhos de papel que protegem os objetos transportados, e muito, muito plástico bolha. Esse é um problema à parte. Como é extremamente leve e ocupa muito espaço, seu valor é baixíssimo, desestimulando o trabalho de cooperativas e catadores, que recebem por peso. E ainda demanda esforços de logística reversa. Para ser reciclado, ele precisa ser compactado em fardos prensados nas centrais de triagem. E mais: precisam estar limpos, sem fitas adesivas, etiquetas ou qualquer outro material que possa contaminar o processo. O lado divertido, para muita gente, é que ele deve ser esvaziado, ou seja, é preciso estourar as bolhas. Mas haja dedos para tanta bolinha! A saída mais racional é mesmo o reuso, em outras mudanças ou carretos de objetos frágeis.

Passados dez dias da mudança, esse assunto ainda nos angustia e vai ser tema de uma pesquisa mais aprofundada. Assim que a casa estiver em ordem, computadores, cabos e acessórios devidamente conectados e uma relativa normalidade nos cercar novamente. Se bem que escrever com os pés apoiados nesse caixote que ainda falta ser aberto não está lá tão desconfortável…

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Sobre o autor

Odilon Amaral

Diretor do Projeto Preserva. Jornalista, bacharel em Relações Econômicas Internacionais e pós-graduado em Comunicação e Gestão Empresarial.

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