Produtores de jabuticaba projetam alta no faturamento com safra mais farta em Sabará

Asprodejas projeta crescimento de pelo menos 10% no faturamento, enquanto empresas ampliam estoques para atender à demanda
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Produtores de jabuticaba projetam alta no faturamento com safra mais farta em Sabará
Pé de jabuticaba | Crédito: Adobe Stock

Com a aproximação da safra, produtores de jabuticaba e de derivados da fruta estão otimistas com as floradas e os primeiros lotes precoces. A expectativa de uma colheita farta em 2026 pode impulsionar a produção de derivados e o faturamento das empresas que movimentam a cadeia da fruta em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Com as chuvas mais regulares nos últimos meses, produtoras já iniciaram a fabricação de geleias, molhos, bebidas e outros produtos, além da preparação de estoques para atender à demanda ao longo do ano e durante o Festival da Jabuticaba, previsto para novembro.

Na Associação dos Produtores de Derivados de Jabuticaba de Sabará (Asprodejas), a expectativa é de crescimento de, pelo menos, 10% no faturamento em 2026. Segundo a presidente da entidade, Elizabeth Torres, as condições climáticas deste ano contrastam com as dificuldades enfrentadas em 2025, quando a falta de chuva comprometeu a disponibilidade da fruta e gerou preocupação entre os produtores.

Agora, com os pés de jabuticaba floridos após as últimas chuvas, a expectativa é de uma colheita mais abundante entre o fim de outubro e novembro.

A disponibilidade da matéria-prima é determinante para a atividade do setor, uma vez que a jabuticaba é perecível e tem período limitado de colheita. Para contornar a sazonalidade, as produtoras investem no congelamento da fruta durante a safra, o que garante o abastecimento das agroindústrias e a continuidade da produção nos meses seguintes.

Segundo Elizabeth Torres, parte dos produtores também passou a adotar sistemas de irrigação, o que permite ampliar a disponibilidade da fruta ao longo do ano. A mudança acompanha a profissionalização da atividade e a necessidade de atender ao crescimento da demanda por produtos derivados.

“Quando chega a safra, a gente colhe e começa a fabricar os produtos, mas também congela para ter jabuticaba durante o ano todo. Hoje, vários produtores já começaram a trabalhar com irrigação, o que facilita ter mais frutos para congelar. Antes, ninguém se preocupava tanto com isso. Agora, os produtores estão cuidando mais das frutas e dos pés”, explica.

Faturamento cresce e agroindústrias ampliam produção

O avanço da cadeia produtiva também se reflete no desempenho financeiro das empreendedoras. De acordo com a presidente da Asprodejas, o faturamento das produtoras cresceu entre 30% e 50% nos últimos três anos.

A expansão é acompanhada por investimentos em qualificação, com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e pela ampliação da capacidade produtiva. Embora a associação reúna negócios de diferentes portes, algumas integrantes já contam com agroindústrias, enquanto outras estão ampliando as operações para atender ao mercado.

“Com a ajuda e as orientações do Sebrae, a gente tem melhorado muito e está todo mundo se qualificando. Isso faz com que a gente cresça. De dois a três anos para cá, o faturamento aumentou bastante, entre 30% e 50%. A demanda vai surgindo, aumentando, e as pessoas vão se adaptando e crescendo”, diz Elizabeth Torres.

A expectativa de uma safra mais farta também pode ampliar a movimentação econômica em Sabará durante o Festival da Jabuticaba. Além de concentrar as vendas das produtoras, o evento movimenta o comércio local e gera oportunidades de trabalho temporário no município.

Para dimensionar esse impacto, a Asprodejas trabalha com o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) na coleta de dados sobre a produção e a comercialização dos derivados. O levantamento deverá identificar o volume de jabuticaba utilizado na fabricação dos produtos, a quantidade comercializada e os valores movimentados durante o festival, oferecendo um retrato mais preciso da dimensão econômica da atividade.

Pé de Jabuticaba
Foto: Divulgação Pé de Jabuticaba

Marcas ampliam estoques e apostam em novos produtos

Entre as empresas que já se preparam para a nova safra está a Pé de Jabuticaba, comandada por três gerações de mulheres da família Ferrari: Júlia, de 26 anos; a mãe, Enedi, de 60; e a avó, Cida Peres, de 73. Como a marca não possui produção própria da fruta, o abastecimento depende de produtores locais, que já começaram a fornecer os primeiros lotes para a fabricação de geleias e molhos.

A expectativa das sócias é superar o desempenho comercial do ano passado, quando as vendas durante o festival foram consideradas positivas. Além da maior disponibilidade de matéria-prima, a divulgação antecipada do evento é apontada pelas empreendedoras como um fator que pode contribuir para atrair consumidores. A estimativa é de crescimento de 20% a 25% nas vendas em 2026.

“A fruta está chegando em quantidade e muito saborosa. Estamos nos preparativos para o festival e colocando em prática as inovações para esta edição. A expectativa é muito positiva, com certeza superando o ano passado”, afirma Enedi.

Com uma carteira de clientes que inclui empórios, restaurantes, padarias e sorveterias, a empresa mantém a produção e o abastecimento ao longo de todo o ano, o que exige planejamento dos estoques e aproveitamento da safra.

Na Sabarabuçu, a estratégia também envolve ampliar os estoques para acompanhar o crescimento do negócio. A empresa, que completa 19 anos de atuação, planeja armazenar pelo menos 55 toneladas de jabuticaba na safra de 2026, ante um volume entre 40 e 50 toneladas nos anos anteriores.

O aumento está relacionado à expectativa de crescimento médio de 20% nas vendas anuais e, principalmente, à entrada de novos produtos no portfólio. Entre eles está a Jabuê, bebida à base de jabuticaba que, segundo a empresa, deverá ampliar a demanda pela matéria-prima, especialmente em eventos e durante o Carnaval de Belo Horizonte.

Jabuê - Sabarabuçu
Foto: Divulgação

“Como estamos com uma bebida nova, feita 100% de jabuticaba, acreditamos que, com o Carnaval de Belo Horizonte, vamos precisar de bastante fruta”, afirma a proprietária, Meire Ribeiro.

A empresa possui 38 produtos à base de jabuticaba, entre licores e cervejas, e tem investido em bebidas prontas para consumo (ready-to-drink, ou RTD). Segundo Meire, a aposta acompanha mudanças no comportamento dos consumidores, que têm buscado bebidas com menor teor alcoólico e maior valorização dos ingredientes.

A Jabuê Ultra, versão sem álcool da bebida mista gaseificada, recebeu medalha de bronze no Brasil Cup. O reconhecimento é apontado pela empresária como um incentivo à comercialização da novidade, que utiliza a fruta como ingrediente em vez de essências.

“Precisamos estar atentos ao que o mercado está pedindo. Hoje, as pessoas estão deixando de consumir tanto álcool e procuram bebidas de qualidade, que proporcionem sabor. Por isso, fizemos não apenas uma RTD, mas uma bebida de fruta de verdade. Esse é o diferencial da Jabuê”, afirma.

Festival gera expectativa de maior circulação de renda

A 40ª edição do Festival da Jabuticaba, prevista para novembro, concentra parte importante das expectativas comerciais das produtoras. Para a Sabarabuçu, o evento representa a maior oportunidade de vendas presenciais do calendário anual. A empresa costuma levar cerca de três toneladas de produtos para comercialização no estande, que, segundo Meire, registra grande movimento durante os dias de programação.

No ano passado, o festival recebeu aproximadamente 200 mil pessoas nos três dias de programação. Para 2026, a expectativa dos organizadores é superar esse público, também em razão da edição comemorativa dos 40 anos do evento.

O potencial de movimentação econômica está associado não apenas à venda direta de produtos, mas também à circulação de visitantes pelo município e ao consumo em outros estabelecimentos. Para as produtoras, o festival representa uma oportunidade de ampliar a exposição das marcas, conquistar novos clientes e fortalecer canais de comercialização que permanecem ativos após o encerramento da programação.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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