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Ronaldo Coelho*

A subjetividade é constituída a partir dos lugares institucionais que ocupamos ao longo da vida, desde que nascemos, na família, passando pela escola e adentrando a todas as outras instituições. Instituição é aqui entendida como um conjunto de práticas e relações sociais que se legitimam enquanto se repetem devido aos efeitos de reconhecimento de sua naturalidade e legitimidade e ao desconhecimento de seu caráter histórico, produzido e, portanto, não-natural.

Essas práticas e relações sociais moldam o jogo de expectativas a que nos permitimos ter em cada circunstância ou situação. “Quando falamos do racismo, ele vai ganhar sua materialidade nessas práticas e relações cotidianas, organizando expectativas e criando lugares muito bem marcados a partir dos quais as relações se dão”, revela. Para Ronaldo, quando a cor da pele ou qualquer outra característica fenotípica importa para esse jogo de expectativas, estamos falando de racismo institucional. O racismo institucional se refere a onde e como o racismo estrutural ganha corpo e singularidade em cada uma das instituições por meio das ações de seus agentes institucionais.

Quando entendemos que uma pessoa “não tem cara de médico” por conta de sua cor de pele, ou “não parece ser confiável”, ou quando duvidamos da história profissional de uma pessoa por ela não ser branca, estamos diante de cenários de racismo institucional”, comenta o especialista acrescentando que “o mesmo ocorre quando na política percebemos os candidatos negros dificilmente ocupam lugares mais altos da esfera pública ou mesmo partidária, sendo relegado a eles, quando muito, a vereança. Os processos e as práticas que possibilitam esses resultados são alvo da análise institucional.

A Análise Institucional implica numa analítica da subjetividade quando pensamos que os nossos sentimentos, perspectivas e sonhos estão intimamente associados ao lugar que historicamente nos foi deixado como herança em cada uma dessas instituições. Para alguns a herança deixada é de que ocupe um lugar de destaque, para outros, o de subalternidade. Acontece que para isso realmente se dar é preciso que a maquinaria continue funcionando silenciosamente para constituir a subjetividade daqueles que fazem essa instituição de modo a trabalharem para sua manutenção.

*Idealizador e professor do curso Análise do Discurso na Clinica Psicanalítica. Graduado em Psicologia (USP) e Mestre em Psicologia Institucional (USP). Foi professor de Psicologia Médica do curso de graduação de Medicina (UNIFESP) e preceptor da Residência Multiprofissional em Saúde (UNIFESP). Trabalhou em hospitais como Hospital São Paulo e Hospital Universitário da USP.