Os investimentos de R$ 2,012 bilhões programados pela Cemig foram revistos para R$ 1,75 bilhão | Crédito: Divulgação

Inicialmente projetados em R$ 2,012 bilhões, os investimentos da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foram reduzidos em 13% e agora estão estimados em R$ 1,75 bilhão para este exercício.

O anúncio foi feito durante teleconferência de resultados da companhia do primeiro trimestre, cujos números já trouxeram impactos da crise em consequência à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

De acordo com o presidente da estatal, Reynaldo Passanezi Filho, o corte no capex faz parte de uma série de medidas para preservar o caixa da estatal diante do cenário imposto pela doença.

“Gostaria de reforçar nosso compromisso com plano de investimentos da companhia, sobretudo na área da distribuição. Dada a situação que vivemos, algumas ações tiveram que ser revistas ou adiadas”, disse.

Na apresentação, o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Cemig, Leonardo Jorge Magalhães, detalhou que dos R$ 2,012 bilhões previstos para este exercício, R$ 1,167 seriam direcionados para a Cemig Distribuição, R$ 250 milhões para a Cemig Transmissão e R$ 95 milhões para a Cemig Geração. Agora, os valores serão de R$ 1,499 bilhão, R$ 169 milhões e R$ 78 milhões, respectivamente. Ao todo, R$ 266 milhões foram postergados para os próximos dois anos.

“É importante dizer que apesar do adiamento, a companhia mantém o programa para o ciclo tarifário e os recursos serão aplicados em 2021 e 2022. Estamos mantendo R$ 1,746 bilhão para o atual exercício. Um total de R$ 285 milhões já foi executado até o fim do primeiro trimestre, o equivalente a 16% do previsto”, ressaltou.

Os efeitos impostos pelo novo coronavírus têm influenciado também nas ações de desinvestimento, por meio das quais a Cemig abre mão dos empreendimentos que não possui o controle acionário ou que não integrem seu core business, em vistas de diminuir o endividamento da companhia.

De acordo com o balanço apresentado, o perfil da dívida consolidada da empresa encerrou o primeiro trimestre de 2020 com uma dívida líquida de R$ 13,3 bilhões e prazo médio de vencimento de 3,9 anos.

“Entendemos que não é o momento adequado para falar de alienação de ativos nesse ambiente, apesar de a companhia manter seu programa. O objetivo é manter os investimentos e pensar que temos condições de passar por este momento, com a ajuda do governo. Além disso, há uma série de medidas que vão garantir a redução da alavancagem da companhia mesmo que não haja venda de ativos”, justificou.

A companhia já obteve R$ 100 milhões em reduções de custos e ainda espera ser beneficiada com medidas do governo para apoiar distribuidoras de energia. E entre os ativos que a elétrica ainda pretende vender estão uma participação na Light e na hidrelétrica de Belo Monte, entre outros.

Resultados – O lucro líquido ajustado da Cemig foi R$ 587 milhões no primeiro trimestre deste ano contra R$ 432 milhões na mesma época do exercício anterior. Antes dos ajustes os valores eram de prejuízo de R$ 57 milhões e lucro de R$ 797 milhões, respectivamente.

Por fim, a empresa registrou uma geração de caixa, medida pelo Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 1,345 bilhão nos primeiros três meses de 2020, 31% maior que o primeiro trimestre de 2019 (R$ 1,027). Antes dos ajustes realizados pela estatal, o resultado do Lajida havia sido de R$ 808 milhões.

Além da reavaliação do valor das ações na Light, avaliadas pela Cemig agora como “ativo mantido para venda”, a elétrica mineira sofreu forte baque da alta do dólar, após ter realizado nos últimos anos captações em moeda estrangeira, com eurobonds.

A dívida em moeda estrangeira gerou efeito negativo de R$ 437,76 milhões no resultado financeiro da unidade de geração e transmissão, Cemig GT, mesmo considerado instrumento de hedge. No primeiro trimestre de 2019, o efeito combinado da dívida e do hedge havia sido positivo em R$ 119,5 milhões.

Com isso, a Cemig GT encerrou os primeiros três meses do ano com prejuízo de R$ 4 milhões, contra lucro de R$ 584 milhões no mesmo período de 2019.

Já a Cemig-D, responsável pela distribuição de energia em Minas Gerais, encerrou o período com lucro de R$ 197 milhões, contra R$ 393 milhões no ano anterior.

A energia distribuída pela Cemig-D teve queda de 2% na comparação anual. A empresa não comentou no balanço se a pandemia de coronavírus impactou os números, mas atribuiu a efeitos do vírus uma alta de 4% na inadimplência desde o fim de 2019, para 5,29%.

Já a dívida líquida da elétrica fechou março em R$ 13,3 bilhões, queda de 1,22% ante o final de 2019. A companhia tem R$ 2,44 bilhões de reais em caixa e equivalentes. (Com informações da Reuters)