Giro pelo mundo

Do São José Carpinteiro e do primeiro de maio

A data poderia servir não só para homenagear as trabalhadoras e trabalhadores, mas também para uma reflexão sobre as relações de trabalho

Todo ano, há muitos anos, se celebra o 1° de maio como Dia do Trabalhador. No Brasil, desde 1925, mas ganhou mais importância no governo Vargas, e em celebrações em 160 países. Tudo começou com uma greve de trabalhadores em Chicago, EUA, em 1886, mas lá e no Canadá o dia da celebração é em data diferente para evitar as celebrações revolucionárias tradicionalmente ligadas ao 1°de maio.

Nessa data também a Igreja Católica celebra o dia de São José Carpinteiro, pai de Jesus. Interessante observar que a Igreja não só adotou essa data para a celebração de um santo, mas também para estar mais próxima aos trabalhadores e movimentos sociais. Foi o Papa Leão XIII que já em 1891 publicou a mais importante encíclica sobre relações de trabalho, Rerum Novarum, mas pouco lida e aplicada, apesar de sua importância.

Com muitas celebrações, mas muito, mas muito menos do que no passado, esse dia poderia servir não só para homenagear as trabalhadoras e trabalhadores, mas também para uma reflexão sobre as relações de trabalho, o papel dos sindicatos e as condições de trabalho. Aliás, também sobre desemprego.

A constante nessa relação de capital e trabalho é de permanente luta entre os dois atores. Ou melhor, de uma dinâmica conflituosa para achar o equilíbrio que permite que haja emprego e que o capital seja remunerado. Os intermediários dessa relação são os sindicatos e também a Justiça do Trabalho. Esse é o modelo que existe na maioria dos países. E aí, a pergunta é, os sindicatos continuam sendo um representante legítimo, não só legal, para representar os trabalhadores nas negociações com os empresários? O movimento sindical na França aparentemente exerce esse papel. Na Alemanha os Conselhos de administração das empresas têm obrigatoriamente representantes eleitos pelos trabalhadores. E em outros lugares houve um aburguesamento das lideranças sindicais e cada vez mais alianças espúrias entre as partes.

Também houve uma mudança brutal, com a automatização e uso de tecnologias, do conceito de posto de trabalho. Em todas as atividades, sem exceção, exige-se mais educação e mais atualização profissional. O conhecimento de hoje não é suficiente para amanhã. Cada vez menos garantia de emprego para a vida toda. E a ameaça da inteligência artificial (IA) paira sobre todos, sejam empresários, que também são trabalhadores, sejam empregados.

O grande desafio agora são os milhões de empregados pelos aplicativos, pouco qualificados, sem nenhuma ou com pouca proteção e sem nenhuma possibilidade de mobilidade social. Esse desafio está no mundo inteiro e ninguém sabe como resolver. E se a isso juntamos a IA, temos um cenário para o qual estamos pouco preparados, a não ser oferecer mais proteção social, com vários programas e regulamentações. Mistura que não nos faz nem mais competitivos e nem mais felizes, com poucas possibilidades futuras de melhorar na vida.

Conteúdos publicados no espaço Opinião não refletem necessariamente o pensamento e linha editorial do DIÁRIO DO COMÉRCIO, sendo de total responsabilidade dos/das autores/as as informações, juízos de valor e conceitos divulgados.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas