Desigualdade salarial entre homens e mulheres persiste e freia o crescimento econômico
A desigualdade salarial entre homens e mulheres permanece como um dos principais obstáculos ao crescimento econômico brasileiro. Dados recentes indicam que trabalhadoras recebem, em média, 21,2% a menos que homens no setor privado, especialmente em empresas com mais de 100 funcionários, conforme levantamentos oficiais amplamente divulgados pela Forbes Brasil.
A estabilidade desse indicador ao longo dos últimos anos – 20,7% em 2023 e 20,9% em 2024 – evidencia a baixa efetividade das medidas adotadas para reduzir a disparidade. Na prática, o diferencial salarial se traduz em perdas significativas de renda ao longo do tempo, impactando não apenas as mulheres, mas o desempenho econômico do País como um todo.
A média salarial feminina gira em torno de R$ 3.908 mensais, enquanto os homens recebem aproximadamente R$ 4.958. Essa diferença superior a R$ 1 mil mensais reforça a persistência do problema, mesmo quando se consideram funções semelhantes e níveis equivalentes de escolaridade. O levantamento que sustenta esses dados analisou cerca de 19,4 milhões de vínculos formais em aproximadamente 54 mil empresas, o que confere robustez estatística às conclusões.
Quando analisada sob o recorte racial, a desigualdade se torna ainda mais evidente. Mulheres negras recebem até 53,3% menos que homens não negros, ocupando a base da pirâmide salarial. Já na admissão, os rendimentos médios são de aproximadamente R$ 1.836 para mulheres negras, contra R$ 2.764 para homens não negros, o que contribui para a ampliação do gap ao longo da trajetória profissional.
Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, com crescimento de 7,2 milhões para 8 milhões de mulheres empregadas entre 2023 e 2025, não houve avanço proporcional na remuneração. Em cargos de liderança, a diferença salarial pode atingir cerca de 30%, evidenciando obstáculos adicionais à ascensão profissional.
Do ponto de vista econômico, a desigualdade salarial representa uma ineficiência relevante. Estimativas apontam que a redução dessa disparidade poderia gerar até R$ 92,7 bilhões adicionais na economia brasileira, por meio do aumento da renda, do consumo e da produtividade. Organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), destacam que a maior inclusão feminina no mercado de trabalho está diretamente associada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Entre os fatores que sustentam a desigualdade estão a divisão desigual do trabalho doméstico, interrupções na carreira relacionadas à maternidade e menor acesso a cargos estratégicos. Além disso, políticas corporativas ainda são limitadas, com baixa adoção de medidas como promoção da equidade de gênero, auxílio-creche e ampliação da licença parental.
Dessa forma, a persistência da desigualdade salarial indica a necessidade de mudanças estruturais. Sem transformações mais profundas nas políticas públicas e nas práticas empresariais, a tendência é de manutenção do cenário atual. Assim, a redução do gap de gênero deve ser compreendida não apenas como uma pauta social, mas como uma estratégia essencial para o desenvolvimento econômico sustentável do Brasil.
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