Editorial

Custo da ineficiência

Custo Brasil continua como um dos maiores entraves à competitividade nacional
Custo da ineficiência
Foto: Reprodução Site Impostômetro

A competitividade de um país é cada vez mais um ponto crucial para determinar sua importância no mercado global. Em um cenário geopolítico conturbado como o atual, é importante ampliar o leque de compradores para a produção nacional, principalmente a de maior valor agregado.

Porém, para isso, é preciso ser competitivo. Neste quesito, o Brasil está ficando para trás e, se não buscar soluções, vai perder inúmeras oportunidades.

Levantamento feito pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) mostra que a entrada em vigor de atos normativos trabalhistas, ambientais e tributários, entre outros, gerou impacto negativo de R$ 147 bilhões por ano ao ambiente de negócios do Brasil entre 2023 e 2025. Além disso, de acordo com a entidade, o chamado Custo Brasil é estimado em R$ 1,7 trilhão por ano, valor equivalente a cerca de 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Esse custo representa preços mais elevados, menos eficiência e redução no poder de competir em um mercado global em que a concorrência vem se tornando mais acirrada.

O mais preocupante é que, apesar do diagnóstico amplamente conhecido, as respostas seguem lentas e fragmentadas. Avanços pontuais foram feitos nos últimos anos, como as discussões sobre a reforma tributária, que visa reduzir a carga e a complexidade desse sistema no Brasil. Apesar de o projeto apresentado ter pontos positivos, o País continuará a ser uma das nações com a maior cobrança de impostos no planeta.

É urgente simplificar o sistema tributário e garantir maior previsibilidade regulatória…

Foram observadas também, de acordo com o levantamento da Fiemg, melhorias na infraestrutura nos últimos anos. Projetos de concessão de infraestrutura têm garantido aportes bilionários em rodovias, portos e aeroportos. Apesar disso, ainda é necessário avançar para que o escoamento de produtos e o deslocamento de pessoas sejam mais eficientes.

O Brasil não pode mais conviver com um modelo que penaliza a eficiência e premia a complexidade. A manutenção desse cenário representa não apenas perda econômica, mas também desperdício de potencial. Há talento, merc

do e capacidade produtiva, mas falta remover os obstáculos que impedem o País de avançar.
Diante disso, não cabe mais apenas reconhecer o problema. O enfrentamento do Custo Brasil deve ser tratado como prioridade, acima de disputas políticas ou interesses setoriais. Sem isso, o País continuará preso a um ciclo de baixo crescimento e oportunidades limitadas.

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