Baixo investimento
A economia mineira é uma das mais pujantes do Brasil, respondendo por aproximadamente 10% da geração de riquezas em território nacional. Apesar disso, dados compilados pela Fundação João Pinheiro (FJP) mostram que a relação entre Produto Interno Bruto (PIB) e investimentos é baixa tanto no Estado quanto no Brasil.

Os dados históricos mostram que o Brasil, incluindo Minas Gerais, investe pouco em relação à sua capacidade econômica. A taxa de investimento, que já foi de 24,3% do PIB em 2013, caiu para patamares próximos de 16% a 19% nos anos seguintes, níveis considerados insuficientes para sustentar um crescimento robusto e contínuo. Enquanto isso, economias mais dinâmicas, como a chinesa, mantêm índices superiores a 40%, evidenciando o tamanho do desafio brasileiro.
São vários os motivos que levam a esse cenário. O principal deles é o elevado custo do capital no Brasil. Juros altos encarecem o crédito, desestimulam projetos produtivos e tornam mais atraente a aplicação financeira em detrimento do investimento real. Soma-se a isso um ambiente de incerteza institucional, que reduz a confiança dos investidores e dificulta decisões de longo prazo.
O Brasil é, por exemplo, um dos únicos países a tributar o investimento. Uma verdadeira jabuticaba brasileira.
E o pior: os dados da FJP podem estar defasados, uma vez que levam em conta o ano de 2020, e o quadro pode ser ainda mais negativo. Isso porque, nos últimos anos, a taxa básica de juros no Brasil saiu de 2% ao ano, em 2020, para os atuais 14,75%. O aperto monetário aplicado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) se deu em função da necessidade de conter a inflação, principalmente no período pós-pandemia de Covid-19.
É necessário avançar com políticas que facilitem o investimento tanto em Minas quanto no Brasil. Aumentar a representatividade em relação ao PIB significa mais crescimento econômico, empregos, renda e melhores condições de vida para a sociedade.
Iniciativas adotadas nos últimos anos, tanto em âmbito estadual quanto federal, indicam uma das alternativas para impulsionar os investimentos. Em Minas, por exemplo, o governo estadual concedeu uma série de rodovias que receberão bilhões em aportes.
É o momento de discutir novas formas de impulsionar os aportes, principalmente os privados, para não sobrecarregar as já combalidas contas públicas. Desonerar os investimentos, melhorar o ambiente de negócios, com segurança jurídica e menos burocracia, acelerar os processos de licenciamento, entre outros pontos, são assuntos que deveriam estar nos planos dos candidatos que vão concorrer às eleições em outubro.
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